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Acusada!

por Nuno Castelo-Branco, em 01.02.13

 

A república é acusada de assassínio do Chefe do Estado, de terrorismo bombista, de total desrespeito e subversão da ordem constitucional. É acusada da clamorosa derrota militar na I Guerra Mundial. É acusada da fuga de centenas de milhar de portugueses temerosos da violência, prepotência e inépcia da gente do regime do Costa. É acusada do ataque ao corpo eleitoral nacional, é acusada de coacção física e moral sobre a população, é acusada de falsificação de eleições, da repressão dos sindicatos, da imprensa e da Igreja. É acusada da ruína económica e financeira. É acusada da mais longa ditadura da nossa história, da polícia política, da censura. É acusada da vergonhosa, criminosa e pretensa descolonização, é acusada de causadora do genocídio de populações em África e em Timor. É acusada do abandono de milhares de soldados portugueses em três dos antigos territorios ultramarinos, é acusada das ruinosas cedências feitas para o seu apressado ingresso político na CEE. É acusada do desbaratar dos recursos da economia portuguesa. É acusada de ceder perante a organização de uma infrene cleptocracia institucional que esbulha o país em proveito de uma ínfima minoria de sátrapas. É acusada de fazer desaparecer o que nos resta da independência nacional conseguida através dos sacrifícios de mais de trinta gerações. 

 

Este regime não é legítimo

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publicado às 23:00


3 comentários

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De Duarte Meira a 07.02.2013 às 21:34

É o bastante. Não tenho aqui espaço para tanto que havia a dizer sobre os outros casos que citou: a “Inquisição” (que foi abolida ainda em Monarquia) e o juramento que el-rei D. João VI fez – coacto – da “Constituição” de 1822. Teria de entrar pelos aspectos religiosos na fundação e evolução da Monarquia portuguesa, e na questão judaica; teria de entrar em considerações sobre o que pode ser uma Constituição histórica em comparação com um papel congeminado por uns quantos indivíduos saídos dos quartéis, dos cafés e das lojas a fazerem revoluções armadas e a “regenerar” Portugal a partir das suas cabeças ilumindas por utopias, no contexto político do “Reino Unido” que a nossa Monarquia era à época.

Termino com um cordial incitamento ao Anónimo arguente. – Que não deixe de cuidar da nossa Língua e de estudar a nossa maravilhosa e dramática História. É a de um povo complexo feito de um complexo de povos que desde há milhares de anos aqui têm chegado e partido deste cais da Europa; que, durante alguns séculos, com o nome de “português”, foi um pequeno povos que fez grandes coisas; e que, com este mesmo nome, o de “brasileiro” ou outro nome, ainda pode ter no futuro uma palavra importante a dizer ao mundo.

Fico à sua disposição só para responder a alguma pergunta directa e concreta que tenha sobre os assuntos abordados. As que pôs aqui hoje, ou já estão respondidas (se ler com mais calma quanto escrevi), ou, se não lhes distorcer o sentido, facilmente pode deduzir por si as respostas.
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De Anónimo a 08.02.2013 às 17:42

«“Mas o Anónimo não leu o que tinha diante os olhos e vem dizer que o rei “não utilizou a justiça” (sic) ao defender-se dos presumíveis conspiradores contra ele. Bem, o rei não fez de facto queixa à Procuradoria Geral... e fez a justiça que se fazia na altura, à época em que o rei e a lei se confundiam;»
Quanto a este ponto também não leu o que tinha diante dos olhos. Quando usei a palavra “utilizou” obviamente me referia a “não recorreu à justiça”. O que condenei foi este facto: perante a conspiração de D. Fernando II, o rei chamou vários juízes (a Procuradoria Geral da altura) e abriu um processo contra D. Fernando II, com a acusação de traição de lesa-majestade. O Duque foi considerado culpado e condenado à morte. Foi degolado a 21 de Junho de 1483. No caso em questão, D. João II planeou uma cilada e apunhalou com as suas próprias mãos D. Diogo de Viseu. D. João II não actuou em legítima defesa, como bem fez o príncipe D. Luís Filipe, comportou-se sim como um assassino dos seus adversários políticos, tal como os regicidas.

«Foi o que se passou na fundação da Monarquia portuguesa, com as diferenças que a opuseram a condessa Teresa, e barões galegos, a seu filho Afonso com parte dos barões portucalenses. Estas diferenças – políticas – nada tiveram a ver (não
há vestígios disso) com incompatibilidades psicológicas ou contestações do “poder paternal”.» 
Releia bem o que eu disse: «Como vê, por vezes, não é o poder paternal, o respeito pela ordem natural que rege a monarquia, mas sim apenas a conquista do poder.» . Ou seja, na prática são diferenças políticas, por vezes, aquilo que rege a monarquia e não o poder paternal. Poder esse no sentido do conceito da ordem natural das coisas, como temos vindo a debater, e não no sentido do foro freudiano, lacaniano. A sua citação acima vem assim ao encontro do que eu disse, e repito, de que D. Afonso I é um caso flagrante da quebra do poder paternal. Por conseguinte, a monarquia não se rege sempre pela ordem natural das coisas.

«Os reis não temem o seu povo. (A comparar com o sujeito que anda por cá agora a fazer de “presidente da República”: a meio do caminho para visitar uma escola secundária, volta para trás por... questões de segurança!...)»
O rei de Espanha não teme o seu povo ao ponto de aceitar ser apupado nos estádios de futebol nas finais da taça do Rei. Mas não é tolo ao ponto de prescindir da sua segurança pessoal ou de se deslocar a eventos ou em circunstâncias onde os serviços secretos identificaram como séria ameaça à sua integridade física.

«Nem o desaparecimento do rei em Alcácer implicava necessariamente a perda da independência »
A perda da independência deu-se e não entremos no terreno das hipóteses.
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De Anónimo a 08.02.2013 às 17:43

«Compare com a nossa intervenção republicana na 1ª Guerra (…) Mas... que fazem elas atoladas nas lamas da Flandres, contra a vontade dos próprios ingleses?»
Foram os ingleses que hipocritamente nos empurraram para as lamas da Flandres. Apesar de defender que Portugal não se envolvesse no conflito, em 1916, 'pediram' o apresamento dos mais de oitenta navios alemães que estavam acostados nos portos portugueses. A consequência inevitável foi a entrada de Portugal na guerra contra a Alemanha ao lado dos aliados. Foram depois os mesmos ingleses quem forneceu todo o fardamento, armamento, treino, sistema táctico, abastecimento em viveres. Dizer que foi « contra a vontade dos próprios ingleses» é uma profunda ironia.

«Temos os filhos do povo como carne para canhão»
Falemos no número de baixas. Na batalha de Alcácer Quibir morreram mais de 9000 homens num só dia. No total da primeira guerra mundial morreram 10 mil compatriotas.

«Quer agora o Anónimo saber qual foi “de longe”, como diz, o “mais grave” revés militar, social, político e moral da História portuguesa ? – Foi, em 1974-75»
Todos os impérios caem. Desde os tempos bíblicos que isso sucede. O império colonial português não foi excepção. Esse império colonial já no fim da monarquia não estava em condições, de nas suas palavras, confiar segurança aos africanos e timorenses. O caso mais significativo é o do ultimato britânico de 1890, onde não tivemos força militar, nem negocial, para nos impor-mos aos ingleses. O que aconteceu em 1974-75, foi também uma perda do território colonial, mas nem o território de Portugal continental e ilhas, nem a nossa independência, se perderam. Assim 1974-75 o “mais grave” porquê ? Com Alcácer Quibir perdeu-se a independência. Qual o interesse de ter um vasto território, se você perde a independência e não é o dono desse território?

«com a perda dos recursos e mercados de África, perdeu-se a autonomia política do Estado português e finou-se a 3ª República, »
Com a independência do Brasil, esses recursos e mercados também se perderam. Mas sobretudo significou o princípio do fim do império colonial português. O impacto económico da perda do Brasil foi incomparavelmente mais devastador do que com a perda das colónias africanas. Apesar disso, a passagem de 200 anos sobre a independência do Brasil contribuiu certamente para que dizeres como o “Brasil é nosso” tenham desaparecido.

Esta discussão já vai longa, e se estiver de acordo comigo colocaríamos nela um ponto final. Se entender fazer um último comentário estarei disponível para o ler.
Até uma próxima oportunidade.

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