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Acusada!

por Nuno Castelo-Branco, em 01.02.13

 

A república é acusada de assassínio do Chefe do Estado, de terrorismo bombista, de total desrespeito e subversão da ordem constitucional. É acusada da clamorosa derrota militar na I Guerra Mundial. É acusada da fuga de centenas de milhar de portugueses temerosos da violência, prepotência e inépcia da gente do regime do Costa. É acusada do ataque ao corpo eleitoral nacional, é acusada de coacção física e moral sobre a população, é acusada de falsificação de eleições, da repressão dos sindicatos, da imprensa e da Igreja. É acusada da ruína económica e financeira. É acusada da mais longa ditadura da nossa história, da polícia política, da censura. É acusada da vergonhosa, criminosa e pretensa descolonização, é acusada de causadora do genocídio de populações em África e em Timor. É acusada do abandono de milhares de soldados portugueses em três dos antigos territorios ultramarinos, é acusada das ruinosas cedências feitas para o seu apressado ingresso político na CEE. É acusada do desbaratar dos recursos da economia portuguesa. É acusada de ceder perante a organização de uma infrene cleptocracia institucional que esbulha o país em proveito de uma ínfima minoria de sátrapas. É acusada de fazer desaparecer o que nos resta da independência nacional conseguida através dos sacrifícios de mais de trinta gerações. 

 

Este regime não é legítimo

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publicado às 23:00


4 comentários

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De Duarte Meira a 07.02.2013 às 21:26


(3) Diz o Anónimo: “A derrota militar em Alcácer Quibir é de longe a mais grave na História de Portugal”. Digo eu que a campanha de Alcácer tem de ser avalidada à luz da reformulação à época da estratégia nacional, retomando a ênfase na tradição da Cruzada para a Reconquista cristã do norte de África; uma reformulação oportuna, diante os incomportáveis gastos na Índia, os dissídios entre os chefes marroquinos (um deles nosso aliado) e a ameaça da expansão turca e do controlo do Estreito. Ora, o que fez D. Sebastião ? O mesmo que tinha feito D. João I, que vai com todos os filhos à conquista de Ceuta; o mesmo que D. Afonso V, levando o príncipe D. João à conquista de Arzila. São reis que, desde D. Afonso I, estão nas batalhas com o seu povo, a Casa Real e os seus filhos juntos com os filhos do povo. (E não consta que Afonso Henriques, depois de alevantado rei, até que teve o primeiro filho, se tivesse fechado num castelo durante oito anos, sem aparecer a arriscar a vida nos campos de batalha...) Como D. Duarte Pio em África, no século XX. Foi uma temeridade, da parte de D. Sebastião ? Foi a mesma dos outros, a mesma de el-rei D. Carlos a meter-se com toda a Família Real em carros abertos no longo trajecto do Tejo às Necessidades. O mesmo centramento monárquico na Família Real e a mesma confiança (consciente ou não-consciente) da unidade desta com a família nacional. Os reis não temem o seu povo. (A comparar com o sujeito que anda por cá agora a fazer de “presidente da República”: a meio do caminho para visitar uma escola secundária, volta para trás por... questões de segurança!...)

Nem o desaparecimento do rei em Alcácer implicava necessariamente a perda da independência: havia dois candidatos portugueses em condições legais de sucessão; nas cortes de Almeirim de 79-80 os duques de Bragança podiam ter inaugurado mais cedo a Dinastia brigantina; e, durante dois meses, o prior do Crato, D. António, aclamado rei em Santarém, reinou efectivamente...

Compare com a nossa intervenção republicana na 1ª Guerra: aparentemente, a mesma preocupação com o interesse nacional, e mandam-se tropas para África. Bem. Mas... que fazem elas atoladas nas lamas da Flandres, contra a vontade dos próprios ingleses? E temos aquela improvisada e precipitada campanha que terminou no desastre militar de La Lys. Temos os filhos do povo como carne para canhão em defesa das solidariedades maçónicas com a República francesa, e para comprometer mais os ingleses com os mandantes republicanos.

Quer agora o Anónimo saber qual foi “de longe”, como diz, o “mais grave” revés militar, social, político e moral da História portuguesa ? – Foi, em 1974-75, o abandono à guerra civil e ao genocídio de africanos e timorenses, que confiavam a sua segurança da administração portuguesa, traindo o prometido no Programa do MFA (eis o que valem os seus “contratos” políticos) e do 1º governo provisório desta 3ª República. Foi o que recomendo ao Anónimo leia no livro (de 1977) do erudito letrado e honesto republicano, Amorim de Carvalho, cujo título diz tudo: O Fim Histórico de Portugal.

Foi o termo abrupto, brutal e vergonhoso de uma tradição histórica de quinhentos e sessenta anos, que o Nuno Castelo Branco tem todos os motivos (até pessoais) para lamentar e acusar. Mas não só ele, também o Anónimo republicano: – com a perda dos recursos e mercados de África, perdeu-se a autonomia política do Estado português e finou-se a 3ª República, que em 1 de Janeiro de 1986 nos precipitou para onde vamos caindo até hoje. A sua “analogia”, aqui, equivale a comparar um corpo vivo com um cadáver. Repito, a ver se me faço entender: – a sua “República” já não existe. O que temos é o departamento ocidental de um Leviatão imperial e totalitário em gestação, que se afasta rapidamente da “Democracia”.
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De Nuno Castelo-Branco a 08.02.2013 às 19:32

Subscrevo e ainda acrescento duas ou três coisas. 
1. Muito se tem falado de Alcácer Quibir como um capricho de um doidivanas sem remédio, mas a realidade, vista á luz do tempo, é bem diversa. O declínio do trato na Índia - vista esta em sentido lato, desde Socotorá ao Extremo Oriente -, e a progressiva deslocalização do comércio europeu para o Atlântico, conduziu à reformulação da política portuguesa. O Brasil já era um território que visivelmente ofereceria recursos de vulto, ao mesmo tempo que ocupava uma situação geográfica absolutamente esencial á nossa navegação para a Ásia e costa oriental de África. O incremento da pirataria e o surgimento de batavos, ingleses e franceses no Atlântico Norte, exigia a tomada de posições que garantissem o poder naval português que bem ao contrário daquilo que alguns pretendem fazer crer, era ainda muito importante. Desta forma ficava segura a navegação nas imediações do território europeu português - Açores, Cabo Verde, Madeira e presídios norte-africanos -, assim como as rotas que ligavam Lisboa ao Novo Mundo e ao império no Oriente. Por outro lado também poderá ser apresentado o argumento económico - o tradicional défice nacional de cereais, as pescas, as rotas caravaneiras do hinterland centro africano, etc - e político. De facto, as cada vez mais apertadas relações com a Espanha - detentora da prata de Potosi, essencial ao comércio asiático - exigiam uma firme presença nacional no Estreito de Gibraltar, alargando a área onde já detinhamos Ceuta, Tânger e outras praças. Os espanhóis temiam a insegurança da navegação no Mediterrâneo Ocidental, aliás um "lago" da Monarquia dos Áustria - Espanha, praças norte africanas, a Sicília e o Reino de Nápoles -, uma via essencial para a ligação às possessões que a Monarquia detinha no norte da Itália, no Franco Condado e correndo para norte do Reno, nos Países Baixos. Esta complementaridade luso-espanhola quanto à manutenção da segurança das vias marítimas comerciais, tinha óbvias repercussões no balanço do poder na Europa. É este um tema interessante e bastante complexo, susceptível de um longo e profícuo debate. No entanto, no portugal de hoje é políticamente um tabu considerá-lo porque simplesmente não convém à historiografia oficiosa. O facto de expedição não ter sido muito competentemente organizada, em nada retira o verdadeiro alcance estratégico que poderia ter advido para os portugueses no caso da vitória militar. 
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De Nuno Castelo-Branco a 08.02.2013 às 19:47

2. Um aspecto bastante descurado sob o ponto de vista político, consiste na análise das consequências das chamadas Campanhas de Pacificação do Ultramar português. Esta é uma página inesquecível da nossa história e tão importante - e ainda mais perene para o mundo em que vivemos - que aquelas outras escritas na Ásia e hoje já amarelecidas pelo passar de cinco séculos. A transformação de frágeis tiras territoriais costeiras em alargados domínios imperiais na África austral, consistiu num feito assombroso, principalmente quando o país que tal realizou é Portugal. Acossado por todas as grandes potências desde muito antes do Congresso de Berlim, os nossos "direitos históricos" foram sendo obliterados pelos factos consumados da ocupação efectiva de terras por outros brancos, fossem eles aliados ou habituais adversários. Exploradores com intuitos científicos que verdadeiramente ocultavam a preparação da anexação do interior de vastas regiões africanas, missões militares de "segurança" das ainda incipientes colónias alemãs, francesas e inglesas, todos estes movimentos claramente ameaçavam a permanência portuguesa naquelas paragens. Se o Congresso de Berlim formalmente liquidou a questão dos "direitos históricos", por outro lado serviu perfeitamente para Portugal tentar uma efectiva ocupação territorial que fosse reconhecida pelas demais potências concorrentes. Neste caso, era essencial a manutenção dos bons laços com a potência marítima hegemónica - o Reino Unido - e  quanto a este aspecto da diplomacia - existia a formal, aquela que era praticada entre governos e uma outra, tão importante como a precedente e que dependia dos laços familiares e das boas relações entre os soberanos -, Portugal pôde efectivamente tirar proveito da profunda animosidade recíproca entre alemães, franceses e britânicos. Numa primeira fase teve de se acomodar à incontorável preponderância inglesas, mas houve um momento em que o ministro Barros Gomes tentou a sorte, afastando-se da Inglaterra e aproximando-se da França e da Alemanha, sempre na esperança do auxílio de soluções arbitrais que fossem a nosso contento, tal como já acontecera em Lourenço Marques. A aventura saíu-nos cara - o Ultimatum - e apenas não fomos totalmente despojados da maior parte de Moçambique, devido à clara intervenção do Rei D. Carlos e às pressões contemporizadoras que a Rainha Vitória exerceu sobre o seu governo. para mais, a queda da Monarquia portuguesa significaria uma grande perturbação na Europa, precisamente devido à corrida pela conquista de colónias em África. Um regime saído da subservação, ditaria o fim da presença portuguesa fora da Europa, disso não pode hoje existir a mais pequena dúvida. pelo menos, seria garantida a partilha de Moçambique e de Angola, os actuais núcleos duros dos PALOP. 

A preparação das expedições, a perfeita execução das operações num terreno difícil e de difícil logística; o surgimento de um escol de grandes militares que a não se ter dado o descalabro de 1910 muito úteis teriam sido na I GM; a mobilização da vontade nacional, ébria de orgulho pelos feitos que espantaram a Europa das grandes potências - a Itália tinha sido derrotada pelos abexins, os ingleses sofriam enormes revezes no Sudão, a pacificação de marrocos era um permanente buraco negro em França e em Espanha -, fez crescer o prestígio nacional, normalizou a presença de SM o Rei nos contactos da grande diplomacia e sobretudo, consolidou a soberania sobre um domínio colonial desproporcionado ás capacidades económicas e militares de Portugal. A verdade é para alguns dura, mas nem por isso menos verdadeira: a existência dos actuais PALOP deve-se totalmente ao decidido e supremo esforço conduzido pela Monarquia Portuguesa e há que afirmá-lo sem hesitações, pelo feliz trabalho de D. Carlos nas principais capitais europeias.





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De Nuno Castelo-Branco a 08.02.2013 às 20:07

3. A "descolonização".


Jamais existiu! Descolonizar não significa debandar em fuga desordenada e pior ainda, espezinhar o direito das gentes. Muito há para dizer acerca do derradeiro ano da presença soberana portuguesa em África. O aspecto militar é decerto o mais relevante e não podemos tentar ocultá-lo devido a conveniências políticas ou àquele bem conhecido hábito tão enraizado entre nós e que consiste no dizer "não vale a pena, já passou". Não, não passou. Morreram enormes contingentes populacionais - fome generalizada, genocídio descarado, guerras civis intermináveis, inépcia governamental dos regimes saídos das independências - devido à total irresponsabilidade das autoridades militares e seus aliados civis radicados em Lisboa. Em 1974 a guerra estava praticamente extinta em Angola e Moçambique encontrava-se numa situação crítica, sem dúvida, mas oferecendo sérias possibilidades de consolidação do poder nacional: Cabora Bassa - um manancial de potencialidades económicas e estratégicas - , o enorme incremento de infra-estruturas, a pujança da economia, o perfeito funcionamento do ensino e serviços de assitência da saúde - por exemplo - já demonstravam a existência de um Estado infinitamente mais capaz do que qualquer outro da chamada "África negra". Na Frelimo altos quadros seriamente pensaram num dilatado período de transição e de partilha do poder, preparando efectivamente o território que afinal chegou à "independência" da pior maneira, obrigando a abrir portas a aventureiros ineptos e meros artífices dos interesses da esfera soviética. O resultado está à vista e nem remotamente, decorridos quase 40 anos desde 1974 -, o país pode equiparar-se àquilo que era quando dos Acordos de Lusaca. Está ainda longe disso. 
Para Portugal, a desresponsabilização pela sorte de populações e sobretudo, por aquilo que aconteceu a muitas dezenas de soldados negros portugeses, ditou uma indelével nódoa na nossa reputação.  Os massacres foram efectivos e muitos deles assumidos pelas novas autoridades locais, num clássico processo de retintos contornos tribalistas. 
Para a nossa economia, a fuga militar - e consequentemente, de toda ou quase toda a população branca, os quadros - consistiu noutro irreparável desastre, diminuindo a nossa presença física e influência naquela parte do mundo, permitindo a chegada de esfaimados concorrentes europeus - holandeses, suecos, outros nórdicos e gente do leste - que tudo fizeram para desprestigiar Portugal. O nosso país arruinou-se rapidamente, perdeu preciosos destinos de escoamento dos nossos produtos, liquidou-se o já longo e visivelmente processo de modernização industrial - com espantosas taxas de crescimento que fizeram a Time apresentar Portugal como "The next European miracle" -  e para culminar, prostrou-nos perante uma Europa que nos aabriu o ingresso na CEE, ao mesmo tempo que tal coisa serviu para de uma vez esmagar a produção nacional.
É esta, a pesada e indesmentível responsabilidade de militares e civis da 3ª república. Ficamos por aqui, pois muito ficará por dizer. 

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