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Acusada!

por Nuno Castelo-Branco, em 01.02.13

 

A república é acusada de assassínio do Chefe do Estado, de terrorismo bombista, de total desrespeito e subversão da ordem constitucional. É acusada da clamorosa derrota militar na I Guerra Mundial. É acusada da fuga de centenas de milhar de portugueses temerosos da violência, prepotência e inépcia da gente do regime do Costa. É acusada do ataque ao corpo eleitoral nacional, é acusada de coacção física e moral sobre a população, é acusada de falsificação de eleições, da repressão dos sindicatos, da imprensa e da Igreja. É acusada da ruína económica e financeira. É acusada da mais longa ditadura da nossa história, da polícia política, da censura. É acusada da vergonhosa, criminosa e pretensa descolonização, é acusada de causadora do genocídio de populações em África e em Timor. É acusada do abandono de milhares de soldados portugueses em três dos antigos territorios ultramarinos, é acusada das ruinosas cedências feitas para o seu apressado ingresso político na CEE. É acusada do desbaratar dos recursos da economia portuguesa. É acusada de ceder perante a organização de uma infrene cleptocracia institucional que esbulha o país em proveito de uma ínfima minoria de sátrapas. É acusada de fazer desaparecer o que nos resta da independência nacional conseguida através dos sacrifícios de mais de trinta gerações. 

 

Este regime não é legítimo

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publicado às 23:00


46 comentários

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De Duarte Meira a 07.02.2013 às 21:25

Anónimo:

Vejamos então alguns casos-exemplos que citou.

(1) Disse eu, e mantenho, que – politicamente – eram incomparáveis os actos de D. João II e dos regicidas. Mas o Anónimo não leu o que tinha diante os olhos e vem dizer que o rei “não utilizou a justiça” (sic) ao defender-se dos presumíveis conspiradores contra ele. Bem, o rei não fez de facto queixa à Procuradoria Geral... e fez a justiça que se fazia na altura, à época em que o rei e a lei se confundiam; aliás a mesma natural justiça que, então como no século XX, fez levantar o príncipe D. Luís Filipe a disparar na carruagem sobre o regicida Alfredo Costa, no dia 1º de Fevereiro de 1908. Isto só escandaliza quem nunca ouviu falar do Direito natural de legítima defesa, ou se os duques quatrocentistas estivessem inocentes de conspiração. Mas isto é o plano moral. Sobre outras implicações, já as apontei no comentário de anteontem.

(2) Disse eu que a Ordem monárquica, enquanto organização política da vida social, naturalmente se conforma ao locus originário do político, que é o poder paternal. Uma consequência disto é que o centro político do regime monárquico é a Casa ou Família Real. Esta família, por mais destacada e distinta que seja das outras, não deixa de ser humana e sujeita às vicissitudes de todas as humanas. (Os reis não têm nenhum carisma religioso; e não há nenhum “direito divino” dos reis, apesar do citado Filmer e muitos outros; mas não faltaram motivos para iludir este erro.) Podem existir e não faltaram diferenças litigiosas insanáveis, resolúveis só com a separação. De aí a formação de novas Casas ou Dinastias. Foi o que se passou na fundação da Monarquia portuguesa, com as diferenças que a opuseram a condessa Teresa, e barões galegos, a seu filho Afonso com parte dos barões portucalenses. Estas diferenças – políticas – nada tiveram a ver (não há vestígios disso) com incompatibilidades psicológicas ou contestações do “poder paternal”. No plano político do Direito público da época, a contestação relevante é a relativa ao primo, chefe da Monarquia leonesa. Agradeça o Anónimo a D. Afonso I a contribuição que este deu, com a sua “rebeldia” anti-feudal, para termos hoje os espanhóis como gosta deles: na fronteira (a fugir). Temos aqui, portanto, a normal fundação de uma nova Casa Real, com oportuno aproveitamento do contexto político-eclesiástico da época, de harmonia com o interesse autonomista do povo de Entre Douro e Minho e com a caracteriologia etnocultural distinta dos povos da Beira (para onde se mudou logo a sede política do novo Reino: Coimbra). Compare com a fundação da República: uma nação ideologicamente dividida até à luta armada em Lisboa; e tão ideologicamente dividida que a luta armada prosseguiu no Norte e ainda a Monarquia se restaurou no Porto em 1919. Não compare o Anónimo o incomparável!

E agora aqui tem o comparável; a semelhança relevante e pertinente ao assunto e aparente para suportar as suas “analogias”. – Para não recuarmos mais no tempo: uma nação ideologicamente dividida até à luta armada, em 1383-85; até à batalha de Alfarrobeira, em 1449...

Não se fie das aparências. A Ordem monárquica de que tenho falado é uma ordem natural, não uma Utopia: dissídios, divórcios, violências, disputas de poder são... da natureza do homo sapiens. Então, quais as diferenças ? Duas, decisivas: (1ª) Entre as lutas que contribuíram para fortalecer a Casa Real e a sua união com a Casa Nacional, e lutas que contribuíram para o efeito contrário, até ao triunfo da República; (2ª) conflitos ideológicos e de classes que são da ordem natural das coisas, - e conflitos baseados em utopias (como as da trilogia revolucionária francesa) destruidoras dessa ordem natural, que nas nossas moderníssimas “Repúblicas” já hoje ameaçam a própria sobrevivência do sapiens.

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