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O Crédito Predial, o Caso Alves dos Reis, o BPN

por Nuno Castelo-Branco, em 13.02.13

 

Nas vésperas do golpe subversivo que derrubou a Monarquia, o país vivia obcecado com o Crédito Predial, um caso de corrupção e desfalque perpetrado por funcionários. Naquela instituição figurava em destacada posição o sonante nome de José Luciano de Castro, um dos homens do regime parlamentar. No Caso do Crédito Predial falhou a supervisão e o regime viu-se salpicado devido aos importantes nomes que cirandavam entre os negócios e a política. Os republicanos promoveram um enorme alarido e a sua propaganda ligou uma bem nítida questão de corrupção de contornos estritamente privados, à própria questão do regime monárquico. A Monarquia caiu vitimada pela ruidosa e populista propaganda e também pelo desleixo daqueles que eram o legítimo sustentáculo da legalidade constitucional. 

 

Menos de duas décadas após os acontecimentos do Crédito Predial, o Caso Alves dos Reis - Banco de Angola e Metrópole - esmagou o pouco que restava da escassa respeitabilidade da República instaurada em 1910. O regime foi rapidamente varrido como folhas secas ao vento de Outono. Uma vez mais se verificou o desleixo da supervisão e as estranhas coincidências que permitiram a fraude e falsificação da moeda. O Banco de Portugal não esteve minimamente à altura daquilo que da instituição se exigia e esperava. 

 

O Caso BPN  consiste na mais desbragada e escandalosa fraude da nossa história e representa algo de tremendamente sério e incomensuravelmente mais grave do que aqueles outros casos que precederam a queda da Monarquia e da 1ª República. Todo o país já terá entendido a confusa, intricada e imensa teia de cumplicidades, silêncios comprometedores, amizades perigosas colocadas ao mais alto nível e a total impunidade dos agentes financeiros e políticos que encobriram o roubo e dele alegadamente beneficiaram. O Banco de Portugal surge uma vez mais como um claro co-responsável, tendo ignominiosamente descurado a vigilância quanto a uma instituição que a voz da rua há muito acusava de retinta fraude. Exige-se uma aturada procura dos esconderijos do dinheiro roubado. Exige-se a publicação de todos os nomes envolvidos no desfalque, sejam eles quais forem. O caminho que importantes homens do regime têm trilhado desde já há mais de trinta anos, é de molde a enraizar uma certa sensação de impunidade. Aí está a imperdoável e absurda confiança que indicia algo de trágico num futuro não muito distante. 

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publicado às 19:32


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