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Tentar aferir o grau de incivilidade de um povo nunca foi tão fácil como nos dias de hoje. Diria até ser imediato, aos sentidos de qualquer ser cuja noção de pragmatismo não esteja ainda sufocada pelo chorrilho de patranhas e ilusões com que os media e a torre de controle eurocrática bombardeiam, em actos contínuos e quotidianos de terrorismo supra-estatal, as tribos conquistadas pelo novo Sacro Império Romano.
A memória é curta. Futebol, fado e família, essa arma de distracção maciça imputada ao suave-fascismo, de brandos costumes lui-même, já não faz mal. Até cospe flores, desde que burilada com ligeiras adaptações ao melhor estilo soviético : "desporto" em vez "da bola", "cultura jovem" em vez de fado (mesmo nas efémeras e deolindo-parvas versões) e "família estendida", congregando de preferência toda a espécie de delírios "alternativos" como a adopção gay, a equiparação dos cães a bebés, e brevemente a prática hodierno-inclusiva de proibir as crianças de formarem juízos sobre outras crianças, a bem da equidade.
Equidade na miséria, na pobreza, na ignorância, no medo, no obscurantismo, na senda do abismo para onde o socialismo, que conforme sabemos não é uma ideologia suicidária posta em prática por loucos varridos mas sim o farol único do progresso, atirou agora Beatriz Talegón, uma desgraçada que descobriu em má hora ter caído no partido errado.
Isto é: como se não fosse preclaro para qualquer pessoa com dois dedos de testa, e sem complexos de culpa por ter nascido, que esta gente não presta e só se aquieta quando não houver quaisquer desvios ao pensamento singular, aqui fica um excelente senão mesmo definitivo exemplo da massa que os constitui.
Talegón trabalha (é professora) e constatou o óbvio, ou seja, que é fácil debitar sentenças com o dinheiro dos outros a pagar a boa mesa em hotéis de cinco estrelas. O mistério, para mim, continua a ser a passividade geral dos contribuintes, mesmo daqueles que aceitam calar a mente mediante o suborno diário, seja sob a forma de estipêndios financeiros ou pela simples pseudo-inclusão no rol dos falados. Agora, foi banida.
Não devia surpreender, porque a Europa, da qual o socialismo é apenas a proa, serve especialmente para banir, proibir, regular, formatar.
Foi assim que os países mediterrânicos acabaram rebentados por dentro, foi assim que houve Zapateros, Bibianas Aído, Leires Pajín, Armandos Vara, Mários Lino, Fugitivos de Paris, Papandreous de quinta geração, Craxis, Amatos, Pertinis. Esta gente foi toda, ou quase toda, dispersada aos sete ventos e no seu lugar andam agora os títeres de Bruxelas, que é dizer da Goldman-Sachs, a cujos respectivos fitos o socialismo amorfizante e castrador serve como arma de eleição. Por ser paulatino e insidioso sob uma capa fracturante que acende os ânimos e semeia a gritaria no seio da creche. Até agora o único país que escapou ao euro-putsch, como lhe chamou Daniel Hannan, foi a Espanha, mas deve estar para breve.
E por cá? Bom, a julgar pelas expressões na cara da malta na rua, parece que algo muda, devagarinho mas muda.
The natives are getting restless.
