Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




App de Grândola Vila-Moderna...

por John Wolf, em 26.02.13

Penso sinceramente que uma grande oportunidade está a ser esbanjada. Mas antes de ir direito ao assunto, deixem-me afirmar o seguinte em relação aos princípios que determinam a minha postura política. Em primeiro lugar, a liberdade de expressão é um dos bastiões da Democracia que não pode ser posta em causa, e cantar ao vivo, com ou sem banda de suporte, tem de ser considerada uma forma de comunicação inalienável. Não há nada de errado na canção de intervenção Grândola Vila Morena da autoria de Zeca Afonso. A melodia e as palavras que se inscrevem na pauta, têm uma residência importante na história política e social de Portugal. Contudo, lamento que no momento actual, e no contexto específico que vivemos, nenhuma canção original tenha brotado de uma fornada de valentes músicos movida por causas maiores. E isso confirma alguns pressupostos endémicos. A incapacidade de Portugal para se reinventar e estabelecer um código de ruptura. Ao riscarem vezes sem conta o disco de Grândola, este perde a sua força anímica. Passa a ser um dois em um. Um head and shoulders do protesto, algo emprestado, à falta de melhor termo, de um vizinho simpático. Preferia que houvesse um concurso de televisão para eleger a melhor canção de intervenção. Eu sei que é uma contradição. Não existe tal coisa - a melhor canção de intervenção. Mas também não gosto da expressão, quem não tem cão caça com gato. A grande maioria daqueles que entoam a Vila Morena, e de quem se espera a verdadeira mudança, nem sequer viveram sob a alçada da restrição dos direitos e garantias. Não carregarem a intensa simbologia dessa luta. Vivem outra forma de castração, e a repressão que hoje sentimos deveria evocar um outro arranjo musical, uma outra lírica contestatária. Esta consanguinidade de recursos acaba por demonstrar que Portugal procura soluções diversas fazendo uso das mesmas ferramentas. Onde está a Mariza? Onde estão os Xutos e Pontapés? Onde estão eles? Sera que estão tão bem instalados que nem sequer lhes passa pela cabeça uma composição de resistência? Há ainda uma outra dimensão que se relaciona com esta canção. Ela circunscreve-se à cultura local. A luta e a contestação que une os irmãos Europeus, deveria dar azo a uma canção mais universal. Uma app para andróides e humanóides onde quer que estejam a agonizar.

publicado às 10:46


6 comentários

Imagem de perfil

De Pedro Quartin Graça a 26.02.2013 às 10:54

Ui que a foto de cima quase formava o símbolo fatal caro John...Image um abraço
Imagem de perfil

De John Wolf a 26.02.2013 às 10:56

Viva Pedro,
Anarquia...devem pensado nisso na Apple.
Um símbolo poderoso.
Abraço,
John 
Imagem de perfil

De John Wolf a 26.02.2013 às 10:56

"devem ter pensado..." (é isso!)
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 26.02.2013 às 12:34

UUUUUIIIIIIIIII, imaginem se um dia destes uns 30 PNR forem ao parlamento cantar o Lá Vamos Cantando e Rindo em plena sessão. A música é muito melhor do que a da Grândula e até acho que centenas de milhar de portugueses ficariam todos contentes. Sempre gostava de ver a reacção das autoridades!
Sem imagem de perfil

De Caramuru a 27.02.2013 às 13:07


Para que conste, os Xutos têm uma música que foi composta na altura que o José Sócrates era 1.º Ministro, cujo nome é "Sem Eira nem Beira" . É claro que a imprensa dos interesses instalados e as rádios do sistema não a passam, mas a letra não pode ser mais certa em relação ao que se passa no país.

Observem:

Anda tudo do avesso
Nesta rua que atravesso
Dão milhões a quem os tem
Aos outros um "passou bem"
Não consigo perceber
Quem é que nos quer tramar
Enganar, despedir
Ainda se ficam a rir
Eu quero acreditar
Que esta merda vai mudar
E espero vir a ter uma vida bem melhor
Mas se eu nada fizer
Isto nunca vai mudar
Conseguir encontrar mais força para lutar
Mais força para lutar
Mais força para lutar
Mais força para lutar
Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a comer
É difícil ser honesto
É difícil de engolir
Quem não tem nada vai preso
Quem tem muito fica a rir
Ainda espero ver alguém
Assumir que já andou
A roubar, enganar
O povo que acreditou
Conseguir encontrar mais força para lutar
Conseguir encontrar mais força para lutar
Mais força para lutar
Mais força para lutar
Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a fuder
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Mas eu sou um homem honesto
Só errei na profissão
Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a...
Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Dê-me um pouco de atenção
Imagem de perfil

De John Wolf a 27.02.2013 às 15:08

Muito obrigado Caramuru!
Excelente. O que afirma tem a ver com o cerne da questão. A relação dos media com o poder político.
Cordialmente,
John 

Comentar post







Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D

Links

Estados protegidos

  •  
  • Estados amigos

  •  
  • Estados soberanos

  •  
  • Estados soberanos de outras línguas

  •  
  • Monarquia

  •  
  • Monarquia em outras línguas

  •  
  • Think tanks e organizações nacionais

  •  
  • Think tanks e organizações estrangeiros

  •  
  • Informação nacional

  •  
  • Informação internacional

  •  
  • Revistas