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Sim, Henrique, tens alguma razão, mas não toda

por João Pinto Bastos, em 27.02.13

Certa vez, numa história que alguns pretendem apócrifa, perguntaram a Roberto Baggio o que é necessário para se ser uma lenda do futebol. O transalpino respondeu que o essencial é jogar divinamente durante um bom par de anos e depois cair completamente em desgraça. Soa-vos mal, não é? Mas Baggio tinha razão. Ele melhor do que ninguém sabe que o futebol só é futebol se tiver dimensão trágica. Algo que escapa manifestamente aos Messis deste mundo. O Henrique Raposo, com a sua prosa escorreita, escreveu aqui que o futebol não é um "espectáculo de entretenimento", chamando à colação o exemplo de Mourinho. O essencial da posta corresponde à realidade dos factos, contudo, o Henrique falha rotundamente, a meu ver, naquilo que é a essência do futebol. O futebol é, sim, entretém. Sempre foi e sempre será. Duvidam disso? Não duvidem, porque aquilo que faz a essência do futebol é a alegria e o sorriso estampados no rosto de cada adepto após uma jogada genial ou um piropo técnico virtualmente impossível. O futebol é isso. Mais: nem um show de golfinhos seria suficientemente belo em comparação a um elástico de Ronaldinho ou a um chapéu de Maradona. Ontem, num zapping noctívago, vi e ouvi, por momentos, Domingos Paciência dizer algo que me ficou na memória. Dizia o ex-avançado, a propósito do panenka jacksoniano, que se algum de nós perguntasse a uma criança o que mais gosta de ver num campo de futebol, a resposta seria, obvia e evidentemente, a arte técnica exposta no remate imprevisível à la Panenka. Quem diz criança, dirá, certamente, um adepto graúdo. Reduzir o futebol à essência de uma batalha de vida ou morte é despi-lo da beleza que lhe é inerente. Porque o pontapé na bola é, também, o riso desbragado, a gargalhada contagiante que une os desavindos, e a lágrima interminável que corre pelo rosto dos adeptos mortificados pela derrota. Riso e sentido do trágico. Foi com estes dois princípios que se formaram as grandes lendas do desporto. Talvez haja aqui um certo romantismo, mas o certo é que sem rasgo não há futebol que sobreviva. 

publicado às 16:48


3 comentários

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De Fernando Melro dos Santos a 27.02.2013 às 16:50

Stoichkov, Puskas, Eusébio, Milla, Boniek, Figo-o-Crente, Zico e muitos mais. 
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De João Pinto Bastos a 27.02.2013 às 16:53

Tudo bons exemplos. Sinto falta do mau humor do Stoichkov. Até no futebol a matilha do politicamente correcto assentou arraiais.
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De VH a 27.02.2013 às 17:14

Ui, são tantos os exemplos que nunca mais terminamos: Hagi, George Best, Cantona, Bergkamp, Cruyf, Ronaldo (o Fenómeno), Sócrates, Rui Costa, Francescoli, Rumenigue, Jordão, van Basten, João Vieira Pinto, Zidane, Batistuta, Fernando Gomes..., ..., ...

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