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Full Metal Jacket

por Fernando Melro dos Santos, em 11.03.13

Ordeiramente, a sucessão de eventos perfila-se numa repetição do filme grego, agravada pelo engelhar progressivo dos actores.

 

Recusando-se a mirrar a dimensões compatíveis com um sustento menos escandaloso, o Estado permanece inchado, ineficiente, opressivo e soviético.

 

As pessoas, que já não se reproduziam, começam a fugir.

 

O Estado continua a recusar-se a encolher, por não poder fazê-lo sem expurgar de si e do seu pasto os amigos, micro e macro, que o fizeram como é.

 

As pessoas começam a matar-se e a levar filhos consigo.

 

O Estado recusa-se a encolher e pede mais tempo, findo o qual toda a gente sabe que não terá ainda encolhido.

 

Os maiores fundos largam no mercado as participações que detinham de activos portugueses.

 

O Estado não só se recusa a encolher, como ameaça recrudescer absorvendo no seu seio, entumescido e pútrido como o eixo Belém-São Bento, a produção dos poucos que restam para lhe resistir.

 

A seguir vem um segundo resgate, mas só em 2015, porque entretanto o país voltou aos mercados, em ano de autárquicas, para poder custear a manutenção de um sistema que exclui, assim a talhe de foice, 90% da população (50% que não votam, 25% que nunca votaram ao "centro" e uns bons 15% de ostracizados entre crianças, velhos, marginais e eremitas como eu) cavando ainda mais o fosso entre a democracia e a forma grotesca de partilha do poder que se vive em Portugal.

 

E até lá? Tudo caladinho à espera da sua vez sem saber qual das desgraças lhe tocará na lotaria da morte. O gang que assalta, o hospital que se engana, o condutor mais tresloucado que nós, o erro judiciário, a bala fiel no quarto do casal para obviar a espera, a garrafa, a apatia? 

 

Pode ser que não.

 

Em tempos temi que isto, o saque desenfreado e o riso boçal dos filhos da puta Abrilados, durasse para sempre, até ao fim dos meus dias. Mas agora renasce-me a esperança de ver outro desfecho, um final bom para cinéfilos. 

publicado às 14:00


9 comentários

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De John Wolf a 11.03.2013 às 15:22

A crueza não está nas palavras de Fernando Melro dos Santos. Está na realidade Portuguesa...
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De Fernando Melro dos Santos a 11.03.2013 às 15:23

E ficou muita coisa de fora, como fica sempre... 
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De Drácon a 11.03.2013 às 15:32

Admirável post ! Retrata muito bem a triste realidade portuguesa !
Para quando a defenestração desta canalha que usurpa ilegitimamente o poder ...?!
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De Fernando Melro dos Santos a 11.03.2013 às 15:37

Viva,


conforme tenho escrito, para isso a metade do eleitorado que não vota teria de ganhar tomates, e a metade que vota de olhar ao espelho - ou em alternativa levar um apertão valente dos primeiros, sem lirismos do tipo "civilizado que se deixa sodomizar  calado até morrer".


Ou então alguém que largue um saco de ratos ao entardecer com peste negra no Palácio. 


Abraço
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De zeca marreca a 11.03.2013 às 17:42

Melro, andas-te a esquecer de tomar os comprimidos, pá... Olha que isso faz-te um mal dos diabos, e ainda penasas que encarnas  um John Wayne de pacotilha! Toma a porra da medicação, pá!
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De Fernando Melro dos Santos a 11.03.2013 às 17:43

Ri-te que quando vires o que aí vem até choras.
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De zeca marreca a 11.03.2013 às 17:49

Eu não que trabalho e ganho dinheiro com isso. Tu é que pode ser que chores, quando acabar a mama...
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De zeca marreca a 11.03.2013 às 17:55

Olhe que não... produzir implica criar mais valia, quer para os marxistas, quer para os liberais... coisa que tu... bem...

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