Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




O Manifesto

por Nuno Castelo-Branco, em 13.03.13

 

Os homens do actual regime pretendem agora reformulá-lo? Esplêndido! Facilita-se assim o caminho para uma reformulação do estado de coisas, pois é bem conhecido o intricado e exclusivista sistema de capelinhas que até a estes dias lhes tem assegurado o usucapião da coisa pública.

 

Nada disto é uma novidade e como aqui alertámos ao longo de anos, verifica-se uma imperiosa necessidade da total reformulação do sistema político. Qualquer hipótese de êxito, mesmo que moderado devido à desastrosa situação de penúria - a ameaçadora mas bem presente exiguidade que ninguém do sistema, salvo Adriano Moreira, ousa apontar -, impõe claras soluções de ruptura. Os homens do regime que apresentaram o Manifesto, não podem quedar-se pelo sistema eleitoral e pelo financiamento dos partidos. Nada disto terá qualquer efeito visível que propicie uma maior confiança da população na própria democracia, pois é isto mesmo o que agora está em causa. Notem bem que não existe democracia representativa sem partidos.

 

A reforma administrativa do Estado - ou por outras palavras, a sua dimensão e funções a desempenhar -, aspecto praticamente impossível de gerar consensos no próprio arco parlamentar da governação, o reformular do caduco mapa autárquico e o texto constitucional que infalivelmente terá de ser revisto, constituem alguns dos aspectos que são nebulosos no Manifesto ontem anunciado por conhecidas figuras públicas do regime da 3ª República.  Há que ousar e ir mais longe, desde já pela apresentação de outros caminhos que tornem mais evidente a presença portuguesa no mundo, coisa que implica uma política externa e de defesa distintas daquelas a que até hoje nos habituámos. A pertença de Portugal à NATO não pode ser uma pesada canga que impeça outras alianças num mundo em rápida transformação e onde novos actores surgiram para durante muito tempo condicionarem o quadro internacional da relação de forças. O propalado "destino marítimo" de Portugal implica essa profunda revisão da política externa nacional, com as evidentes consequências no campo económico e nos necessários Tratados a celebrar com parceiros que fazem parte da luso esfera.

 

A permanência numa Europa a que desde sempre pertencemos - apesar de caprichosas lendas e narrativas contrárias aos factos -, jamais esteve ou estará em causa. O que parece ser impossível, é o encontrar de um caminho que conduza o país à prosperidade e a uma consequente maior justiça, pois o imediatismo das medidas financeiras entrecortadas pela timidez na economia - a esmagadora dependência a que os desvarios da 3ª República nos condenou - , impedem uma visão mais ampla das nossas possibilidades. 

 

Em conclusão, Portugal é um país com escassos recursos humanos e a lista de assinantes do Manifesto não pode simplesmente ser ignorada e bem pelo contrário, há que saudar este tardio acordar para uma realidade que também é fruto do até agora visível distracção ou desinteresse pelos problemas que visivelmente se acumularam ao longo de três décadas. Percebe-se que há quem já tenha vislumbrado o fim dos prodigiosos manás que regularmente chegaram a Portugal. Não temos é qualquer garantia daquelas palavras não significarem apenas mais um desabafo inconsequente, já que é totalmente legítimo duvidarmos da possibilidade do alijar de "certezas ideológicas" que todos, inclusivamente os mais acérrimos fiéis, sabemos estarem há muito caducas. A visão que muitos dos signatários têm da história da presença portuguesa no mundo, é por si um aspecto decisivo que condenará qualquer tentativa frentista à irrelevância que muitos adivinham. O porfiado e escandaloso depreciar de Portugal como entidade cultural - logo política e económica - muito mais vasta que aquela apresentada nos mesquinhos mapas políticos da actualidade, mostra exuberantemente quão errados foram os caminhos trilhados pelos seguidores de modas ou preconceitos importados.

 

Exigir-se-ia um Manifesto mais concreto, mais amplo nos objectivos e que claramente ultrapassasse o mero preenchimento da agenda mediática. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:02


1 comentário

Sem imagem de perfil

De Carlos Velasco a 13.03.2013 às 19:55

Caro Nuno,


Esses tipos do manifestozinho tomam toda a gente por idiota, entretanto, não se pode esperar mais de idiotas que lambem as botas a outros idiotas. Mas isso é um bom sinal. Se o movimento monárquico fizer o que deve, e a primeira coisa é mandar para a rua os vagabundos infiltrados, Portugal será restaurado.
Quanto ao manifesto, que foi obviamente encomendado, escrevi um texto que desmascara os interesses por detrás do mesmo e explica qual foi a técnica usada:

http://ogladio.blogspot.pt/2013/03/entendam-tecnica-usada-para-enganar-os.html (http://ogladio.blogspot.pt/2013/03/entendam-tecnica-usada-para-enganar-os.html)

Ao ver a forma como agem esses bimbos do regime (já não falo dos signatários do manifesto, mas sim dos seus patrões), não é difícil descobrir o porquê de terem sido facilmente passados para trás pelos estrangeiros que os promoveram, e olha que esses estrangeiros não passam de bimbos quando comparados aos russos. Esses idiotas nem chegaram a perceber que ao destruir Portugal e torná-lo tão dependente eles próprios vão se tornar irrelevantes e serão descartados pois já não terão nenhuma utilidade.

Um abraço.

Comentar post







Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D

Links

Estados protegidos

  •  
  • Estados amigos

  •  
  • Estados soberanos

  •  
  • Estados soberanos de outras línguas

  •  
  • Monarquia

  •  
  • Monarquia em outras línguas

  •  
  • Think tanks e organizações nacionais

  •  
  • Think tanks e organizações estrangeiros

  •  
  • Informação nacional

  •  
  • Informação internacional

  •  
  • Revistas