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O sétimo dia da Troika

por John Wolf, em 15.03.13

 

Uma vez que Portugal foi virado ao avesso, facilmente entendemos que o Governo de Portugal continue a empregar uma linguagem mais próxima do eufemismo laboral. Desse modo, qualquer dia deixam cair a expressão desemprego e a respectiva taxa, para sublinhar a excelência do nível de emprego que agora deve rondar os 75%. Por essa lógica de suavização conveniente, o défice orçamental de 5% é na realidade um superavit de 95%. Um superavit de uma entidade díficil de explicar. E aí por diante. Mas a questão é que a dada altura, o prego se vira, e a contínua utilização de figuras de estilo já não consegue tapar o sol com a peneira, a penúria dos Portugueses. A grande virtude das ciências exactas é assumirem a sua residência no território da incerteza, trata-se de uma volatilidade positivista que esclarece e determina a obrigatoriedade de começar de novo. Os números, por não mentirem, obrigam os experimentalistas a voltar à estaca zero e rasgar as premissas iniciais. Contudo, os governos não se regem por essa honestidade académica, mas também não há retórica política ou artimanha demagógica que possa alterar a dimensão quântica da desgraça. A partir de certo patamar, registamos sintomas de irreversibildade, que sondagens e estatísticas não conseguem desfazer. Encontramo-nos sem dúvida com a cabeça metida nesse vórtice. Não é o tal abismo, o beiral de um precipício que foi tão publicitado como o mal maior. O que está a acontecer é um modo continuum, que se desloca como uma bola de nervos que esmaga e que irá crucificar as pessoas, independentemente do sétimo dia ou de uma sétima avaliação. 

 

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publicado às 15:57


4 comentários

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De Ana Campos a 15.03.2013 às 16:21

Nem mais Samuel. Mais uma vez Beijinhos, amo como sabem o Estado Sentido!
Deixo aqui um bocadinho da indignação:
Eu fiquei no desemprego porque não se vende automóveis.
E ninguém me dá emprego porque estou velha, velha em Portugal é a partir dos 35, depois dos 40 estão inválidos, então depois dos 45 estão mortos e ninguém os avisou.
Estou desesperada?
Claro! Tenho o filho na Faculdade, tenho que comer, pagar as contas, porque eu não sou o Estado, eu sou boa pagadora, não estou um ano para pagar as contas como ele faziam e fazem com os automóveis que mandam arranjar, que compram e com as peças que adquirem. EU PAGO, porque gosto de dormir descansada.
Já escrevi para assembleia da república, para os líderes parlamentares e para o senhor primeiro ministro. Aplaudem a minha activa procura de emprego, mas arranjarem-me emprego não o fazem. Não era necessário ser no estado. Tenho toda a certeza que conhecem tantas pessoas que podiam reenviar o meu currículo. Fizeram-no? Claro que não, dá muito trabalho ao dedinho. E não quero os parabéns por parte de ninguém pela minha procura activa de emprego, QUERO TRABALHAR. Image
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De Samuel de Paiva Pires a 15.03.2013 às 17:05

Obrigado pela sua simpatia e preferência por esta nossa casa blogosférica, mas na que me toca, Ana, não sou eu o autor deste post. É o John Wolf. 
Infelizmente, isto está cada vez pior, e não se vislumbra qualquer luz ao fundo do túnel, ao contrário do que Passos Coelho parece pensar. Não tarda temos todos que emigrar. Beijinhos
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De zeca marreca a 15.03.2013 às 21:38

Eu também gostava que a Ana e o Paio Pires trabalhassem! A bem da nação! Mas também, se fôr para vêr os filhos definhar com a fome, perfiro que sejam os canalhas que votaram neste governo a vivêr a experiência! A bem da moral!!!
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De Artur de Oliveira a 15.03.2013 às 17:08

That´s it... Oh, 7 and watch them fall...

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