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Com tanta tolice que se diz a propósito da crise europeia, o bom senso, activo facilmente desdenhável e pouco valorizado, acaba quase sempre por desaparecer. Toda a gente perora sobre os perigos da crise, mas poucos são aqueles que vêem o óbvio à frente deles. Muito poucos. Rogoff tem a particularidade de ser alguém inteligente e experimentado. Sabe o que diz, e como dizer, o que, convenhamos, não é um predicado que faça parte da longa lista de inanidades que os economistas de alto coturno costumam cometer a seu bel-prazer. Disse Rogoff que, e passo a citar, esperam-nos 15 anos de estagnação se não houver um perdão de dívida. Leram bem? 15 anos! Muito sinceramente, creio que Rogoff pecou por defeito. Não serão 15, mas talvez 20, 30, 40, 50 anos de destruição e ruína. A medicina prescrita por Rogoff pertence àquelas evidências elementares que até um ignorante nestas matérias saberia desenhar. Portugal precisar urgentemente de renegociar a sua dívida. E não, isto não tem nada de esquerda, nem de Bloco, nem de PC. Isto é o bom senso a funcionar. Com este volume de dívida não sairemos disto. Contudo, entendamo-nos: não pensem que renegociando a dívida, o resto, e o resto é o tão almejado crescimento económico, será fácil e linear. Não, não há favas contadas, muito menos num processo que será a todos os títulos dolorosíssimo. Renegociar não é um mantra, é uma necessidade impreterível. Querem poupança, investimento e crescimento? Comecem por aqui.