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Foi escrito e repisado neste e noutros blogues, visto e certamente vigiado vintenas de vezes, o clamor pelo regresso da valentia às vísceras do povo, para que voltassem a ver-se ao espelho em cada vicejante manhã.
Que os culpados no topo da lista emergiram dos culpados no sopé da montanha, que ninguém faria o que eles têm feito sem terem, primeiro, sido eleitos por alguém. Veleidade vossa viajar pelo mundo dos sonhos se pensam que jamais aconteceria novamente apesar do roubo, da fome, do abandono e da boçalidade sem pudor.
Visto de viés, o país parece levitar no vácuo anímico, suspenso numa nuvem de aviltante anemia, o vigor há muito vendido por trinta dinheiros. A escravidão apática e sem vontade é o novo normal, na terra onde quem devia mandar entregou as chaves aos mais vis sevandijas jamais vistos nas nossas vidas.
Dizer que há um conluio óbvio, evidente, vasto e inegável entre todos os partidos políticos, equivale hoje a vociferar de viva voz que o ano tem doze meses. É por demais verosímil e envergonharia qualquer pessoa de Bem que tivesse votado com algo mais na mente além do interesse próprio.
Agora já não há futuro, nem o passado serve de fonte para a esperança. Ao presente prestamos contas dominados pelo silêncio, pela incerteza, pelo medo, pelo uivo raivoso que nunca chega a avistar a luz do dia.
Agora, os vampiros que visam voluptuosamente voltar a sugar-nos por mais quarenta anos avizinham-se da aldeia.
Sócrates, Coelho, Lurdes, Silva Pereira; as versões variadas de Relvas, Passos, Marcelo, Barroso. A Europa arde e na paróquia os vagabundos vadiam em busca de víveres.
Ouvi dizer que havia a intenção de mostrar-lhes como os tempos podem mudar sem aviso.
Num país onde se tornou hábito ter que pedir autorização para protestar àqueles contra quem se protesta, faço votos de que vença quem tiver a melhor coluna vertebral.