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De acordo com fontes comunitárias da AFP, o acordo que o Governo cipriota está a fazer com a 'troika' implica o congelamento e provável, chamemos-lhe, roubo de 40% de todos os depósitos do Banco do Chipre - o maior da ilha - acima dos 100 mil euros.
Entretanto, já há notícias de bombas a explodir num balcão desse mesmo banco.
40%? Em depósitos? Sob o argumento que o dinheiro vem de riquezas russas e ucranianas? Isso é mais que roubo e abuso de poder. Isto é um ataque à Constituição Cipriota, aos valores da União Europeia e, mais grave que tudo, um pontapé na dignidade dos países que - como Portugal - sofrem da necessidade de intervenção estrangeira. Até aqui, tentei não cair no populismo de acusar a Alemanha de um plano conspirador de controlar a Europa. Mas face a alguns indicadores como este, percebe-se que o povo germânico é o que está a lucrar mais com a crise. Com desemprego na ordem dos 5% e com uma estratégia completamente contrária à austeridade, Merkel vê a Alemanha a crescer cada vez mais enquanto países, potencialmente concorrentes, como França ou Inglaterra não conseguem acompanhar o ritmo económico.
O caso do Chipre deveria ser usado para provar os malefícios do projecto europeu que não conseguiu impor-se face à ganância alemã. O projecto europeu que se baseava na solidariedade entre estados do mesmo continente morreu. E isto, mais que triste, é perigoso. A História provou que uma Europa sem um fio condutor pacífico como a União Europeia (pelo menos até desenvolvimentos recentes) não se consegue manter pacífica.
A União Europeia, tal como a conhecemos e elogiamos, morreu. O projecto federalista não conseguiu sair da gaveta. A Alemanha tentou e conseguiu subjugar a Europa. Finalmente, diga-se. No entanto, ainda vale uma coisa. Os tempos mudaram. A política mudou. Já não há ditaduras por essa hora fora. Hoje, o projecto europeu depende dos eleitores alemães e da recusa de todos os outros países, pela democracia. De qualquer maneira, daqui para a frente, não vai ser nada bonito o que nos preparamos para assistir.
Seguem-se tempos negros.