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A União Europeia acabou?

por José Maria Barcia, em 25.03.13

 

De acordo com fontes comunitárias da AFP, o acordo que o Governo cipriota está a fazer com a 'troika' implica o congelamento e provável, chamemos-lhe, roubo de 40% de todos os depósitos do Banco do Chipre - o maior da ilha - acima dos 100 mil euros.

 

Entretanto, já há notícias de bombas a explodir  num balcão desse mesmo banco. 

 

40%? Em depósitos? Sob o argumento que o dinheiro vem de riquezas russas e ucranianas? Isso é mais que roubo e abuso de poder. Isto é um ataque à Constituição Cipriota, aos valores da União Europeia e, mais grave que tudo, um pontapé na dignidade dos países que - como Portugal - sofrem da necessidade de intervenção estrangeira. Até aqui, tentei não cair no populismo de acusar a Alemanha de um plano conspirador de controlar a Europa. Mas face a alguns indicadores como este, percebe-se que o povo germânico é o que está a lucrar mais com a crise. Com desemprego na ordem dos 5% e com uma estratégia completamente contrária à austeridade, Merkel vê a Alemanha a crescer cada vez mais enquanto países, potencialmente concorrentes, como França ou Inglaterra não conseguem acompanhar o ritmo económico.

 

O caso do Chipre deveria ser usado para provar os malefícios do projecto europeu que não conseguiu impor-se face à ganância alemã. O projecto europeu que se baseava na solidariedade entre estados do mesmo continente morreu. E isto, mais que triste, é perigoso. A História provou que uma Europa sem um fio condutor pacífico como a União Europeia (pelo menos até desenvolvimentos recentes) não se consegue manter pacífica.  

 

A União Europeia, tal como a conhecemos e elogiamos, morreu. O projecto federalista não conseguiu sair da gaveta. A Alemanha tentou e conseguiu subjugar a Europa. Finalmente, diga-se. No entanto, ainda vale uma coisa. Os tempos mudaram. A política mudou. Já não há ditaduras por essa hora fora. Hoje, o projecto europeu depende dos eleitores alemães e da recusa de todos os outros países, pela democracia. De qualquer maneira, daqui para a frente, não vai ser nada bonito o que nos preparamos para assistir.

 

Seguem-se tempos negros.

publicado às 01:12


2 comentários

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De Mr. Brown a 25.03.2013 às 02:32

"40%? Em depósitos? Sob o argumento que o dinheiro vem de riquezas russas e ucranianas?"

Sob o argumento de que os bancos estão falidos.

"O projecto europeu que se baseava na solidariedade entre estados do mesmo continente morreu."

10 mil milhões de euros em solidariedade. Infelizmente, o Chipre precisa de 18 mil milhões para acorrer aos seus bancos falidos.

"O caso do Chipre deveria ser usado para provar os malefícios do projecto europeu que não conseguiu impor-se face à ganância alemã."

Ganância alemã é uma acusação interessante de ser usada por aqueles que acham que a Alemanha deve acorrer a tudo e a todos. O que impedirá tudo e todos, se gananciosos - e parto do princípio que a ganância não será somente uma característica que infecta o povo alemão -, de desbaratarem dinheiro que depois os alemães (e finlandeses, etc...) pagam? Enfim, se domina o conceito de ganância, olhe para os cipriotas e os seus bancos e não terá dificuldades em vê-lo por lá escarrapachado. Sem prejuízo de a solução para o Chipre poder não ser a melhor, uma coisa lhe garanto: há solidariedade q.b., a ganância é que não pode sair ilesa.
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De JP Ribeiro a 25.03.2013 às 09:22

Não toquem POR FAVOR nos depósitos dos oligarcas russos. Não toquem POR FAVOR nos activos dos banqueiros que apoiam o regime cipriota, e muito menos na alavancagem financeira dos bancos cipriotas (a maior do mundo) apoiados pela legislação comunitária. Se alguém tem de pagar a crise que sejam os reformados e pensionistas a pagar uma contribuição especial. Aumentem os IMIs até ao absurdo, aumentem as taxas de IVA, façam novos ecalões de IRS. Isso é que são medidas sãs e justas, e já agora POR FAVOR não toquem nos depósitos dos oligarcas russos.

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