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A hollywoodização portuguesa

por João Pinto Bastos, em 29.03.13

 Francis Bacon, After the life mask of William Blake III

 

Sócrates conseguiu o que queria: ser falado ad nauseam pela "Lesboa" das intrigas palacianas e pela chusma de opinaristas que vivem do comentário fácil e desinformado. De facto, o seu regresso meticulosamente preparado com a ajuda prestimosa de Relvas e Alberto da Ponte, revelou-se uma aposta ganha. Zurziu em todos, sobretudo em Cavaco, e mostrou, se dúvidas existissem, que não mudou nada. E o essencial da entrevista é justamente essa não mudança. Sócrates continua igual a si próprio, apostando, novamente, na mentira desbragada e na falsificação ardente dos números da sua péssima governação. Há coisas que não mudam, e Sócrates é um bom exemplo. Por mais que alguns queiram afivelar-lhe uma pretensa "star quality" (Sousa Tavares no seu avatar mais ridículo), Sócrates, não obstante os seus inegáveis dotes de comunicador, não tem nada de bom para oferecer ao país. A entrevista, uma espécie de monumento à frivolidade da política contemporânea -aquele número do spot inicial, com um Sócrates "poseur", a desfilar como se fosse um Brad Pitt grisalho foi algo de surreal -, resumiu-se basicamente a isto: uma narrativa feita do mesmo material falacioso a que Sócrates desde sempre nos habituou. Com um upgrade fundamental: o líder sombra do inseguro Seguro não tem culpa de nada. A culpa é das conspirações à la "Brutus" de Cavaco, da crise, da imprensa, da oposição. A culpa é de todos, menos de Sócrates. Por último, last but not the least, a austeridade deve terminar o quanto antes. Com um material destes não é difícil imaginar o que sairá do espaço de comentário caninamente servido pela RTP ao ex-exilado: mentira, loucura e demagogia a rodos. A hollywoodização da política portuguesa começou ontem. E seguirá infrene nos próximos tempos. O certo é que a liderança da oposição passou definitivamente para Sócrates. Seguro, politicamente, deixou de existir, se é que alguma vez existiu. Por fim, eu, humilde escriba que tem dedicado o seu tempo livre a perorar sobre o nada, aconselharia aos não-socialistas pátrios algum cuidado. Por uma razão bem singela: Sócrates não voltou para ficar confortavelmente sentado numa cadeira televisiva a discretear sobre a habilidade política de Seguro ou a truculência de Relvas. Sócrates quer o poder, deseja-o desesperadamente, vive para ele, consome-se por ele. E tudo fará para ludibriar os portugueses, com o apoio de todos os que sempre viveram da mesmice que nos trouxe a esta desgraça. Há narrativas e narrativas, como diria o ex-exilado, porém, há narrativas fáceis que, em alturas de crise, tendem a ser escolhidas pelo populacho. As coisas são o que são. E, como recordou o Miguel Castelo Branco, as pessoas perante a demagogia "escolhem o pior, aplaudem e sentem-se livres".

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De lux a 29.03.2013 às 03:50


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