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Ando há 10 anos a insurgir-me contra várias situações ilegais, ilícitas ou injustas. Primeiro na escola, depois na universidade, mais recentemente em relação a partidos políticos e à actuação de governos e da administração pública, várias vezes recorrendo ao instrumento da denúncia pública. Algumas destas situações até foram bastante badaladas, como a denúncia relativa à actuação do governo PS na primeira edição do PEPAC, a denúncia quanto ao funcionamento da FCT na atribuição de bolsas de doutoramento e, mais recentemente, esta que hoje o Público divulga, em relação ao teste de cultura geral para a admissão à carreira diplomática. Às vezes chego a perguntar-me se sou eu que atraio este tipo de situações, pois que já aconteceu vislumbrar, ainda à distância, o que vai acontecer e como isso vai obrigar-me a fazer algo. É certo que a procura da justiça está inscrita na minha alma, mas recuso-me a assumir qualquer papel de paladino. O mundo já está cheio destes - embora normalmente recusem olhar-se ao espelho e reconhecer os seus próprios falhanços morais. Se algum dia me perguntarem por que me dou ao trabalho, responderei apenas que estava aborrecido. Parece-me uma motivação tão boa como qualquer sentimento de revolta, além de ter mais piada e permitir aliviar o estado de espírito de quem se dê ao trabalho de me ler ou ouvir. Afinal, como assinalou Chesterton, há que manter a comicidade em face de qualquer tragédia.