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Um Homem sem qualidades *

por Pedro Quartin Graça, em 04.04.13

* Por: Mário Quartin Graça, convidado do Estado Sentido

 

Os Portugueses não têm sido bafejados pela sorte ao longo deste século XXI porque, para além de honrosas excepções, não têm faltado governantes, independentemente da hierarquia dos cargos ocupados, sem qualidades políticas, técnicas e morais exigíveis para o exercício dessas funções. Isso dever-se-á em grande parte ao modo como se foram criando em Portugal as impropriamente chamadas “elites” políticas, que de elites nada têm, porque não constituídas ao longo de um processo de apuramento e de selecção que faz sobressair os mais qualificados, mas sim através de um carreirismo que premeia mais os habilidosos do que os competentes. Está mais do que na hora de os partidos políticos se preocuparem a fundo com a captação e a formação dos seus jovens quadros, preparando-os para as responsabilidades políticas e/ou governativas que mais tarde ou mais cedo serão chamados a assumir e tentando evitar que os “arrivistas” encontrem o caminho livre para se imporem.

Não sendo infelizmente caso único, Miguel Relvas representa o que de pior existe na vida política portuguesa. O seu percurso ao longo de dois anos no Governo demonstrou-o plenamente. E o seu discurso de demissão, ridiculamente patético, constituiu o culminar de um caso que, se não fora a insignificância do personagem, deveria ficar nos anais dos procedimentos políticos e moralmente impróprios.

É certo que Relvas não se auto-nomeou para o Governo e essa (ir)responsabilidade é devida a Pedro Passos Coelho que preferiu premiar uma lealdade e uma amizade em vez de escolher para coordenador político alguém com substância  intelectual, com credibilidade comprovada, com exigência ética, capaz de merecer o respeito dos seus colegas de Governo e da classe política em geral.  Por isso não admira que o resultado dessa designação tivesse sido desastroso, na forma ziguezagueante como Relvas foi conduzindo os assuntos de sua responsabilidade, desde a reforma autárquica à reestruturação  da RTP.

Também Miguel Relvas se manifestou um desastre em termos de sensibilidade social. Desde o desrespeito pela dignidade de um curso superior -  que tantos milhares de jovens se esforçam por tirar à custa de muitos sacrifícios -, valendo-se, como  José Sócrates, de expedientes administrativos para obterem de um dia para o outro o ambicionado diploma, até à insultuosa presença, em fotografias tiradas à porta do mais luxuoso hotel do Rio de Janeiro no último fim do ano, quando  milhões de Portugueses já não tiveram o mínimo necessário  para uma modesta consoada.  

Finalmente, Miguel Relvas foi protagonista da mais caricata cena de que há memória na vida política portuguesa: um ministro que se demite ou é demitido aproveita a ocasião para, durante minutos, perante os olhos e os ouvidos do País, fazer o elogio da sua obra.

Porém, o pior de tudo e que é de uma total falta de ética, é que, ao despedir-se -  todos esperamos que para sempre – o amigo do Dr. Pedro Passos Coelho veio lembrar que, sem ele, Passos Coelho não teria ascendido a presidente do PSD, sem ele Passos Coelho não teria sido primeiro-ministro, sem ele não teria sido possível criar as condições para o País singrar nessa marcha imparável de recuperação económica de que todos estamos a beneficiar-nos.  Triste de mais para ser verdade!

 

Mário Quartin Graça

publicado às 19:42


4 comentários

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De John Wolf a 04.04.2013 às 20:50


Caro Mário Quartin Graça,


Bravo!

Um texto assertivo que declara a falência do sistema de produção de políticos. Um falso modelo que contaminou e causou sérios danos ao país.


Agradecimentos ao Pedro por ter convidado.


Cordialmente,


John
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De Luís Filipe Afonso a 05.04.2013 às 10:03

Entre as melhores súmulas que pude até hoje ler, sobre o legado deste escroque.


Bem-haja Mário Quartin Graça, pelo poder de síntese.
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De zeca marreca a 05.04.2013 às 16:40

Já as diferenças entre a estimada aristocracia e a esitmada burguesia decadente...bem... esperemos...


(samuel e este comentário tb é para censurar???)


o habito da censura é tramado. depois de incicar o sensor acha-lhe graça... e continua...

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