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A obtusidade deliberadamente construída

por João Pinto Bastos, em 10.04.13

Nos últimos tempos, em virtude, provavelmente, do curso azougado dos acontecimentos, concordei por diversas vezes com Pacheco Pereira. O comentarista da Marmeleira, historiador cunhalista e político todos os dias, não falhou na substância da análise quando escreveu e afirmou que este Governo, no suicídio fiscal que impôs aos portugueses, firmou um caminho dificilmente suportável a longo prazo. Acertou e dei-lhe o devido crédito por essa sagacidade. Porém, como também já tive oportunidade de escrever, Pacheco tem um problema insolúvel com a verdade quando a realidade foge às premissas que, noutras ocasiões, tão bem utiliza. A série de posts que publicou a propósito da decisão do Tribunal Constitucional, ainda que contenham alguns pontos verdadeiros, enferma justamente desse problema. Os posts em questão fogem à realidade e, acima de tudo, padecem de uma vaidade extremada, que não contempla, em circunstância alguma, a verdade factual. Há, pois, uma certa irracionalidade em tudo o que Pacheco diz de Passos e do seu Governo, e essa irracionalidade nasce, sobretudo, das antipatias pessoais existentes entre ambos. E quando o ódio tolhe a análise objectiva e fria dos factos, nada sobrevive, muito menos a inteligência. E se há qualidade que Pacheco tem, é, precisamente, essa. Uma inteligência que, amiúde, cede a caprichos que, em boa verdade, só ajudam a incendiar o já de si fragilíssimo ambiente político. No fundo, foi sempre este o grande defeito de Pacheco Pereira. Num momento em que muitas carpideiras se acotovelam em busca de um palco na encerrada fortaleza mediática do regime, Pacheco, com uma voz cada vez menos audível, encontra no ataque desapiedado e irracional o único arrimo da sua retórica gasta. É pena.

publicado às 18:05


1 comentário

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De Anónimo a 10.04.2013 às 20:07

O PSD de hoje, há muito se afastou da social
democracia defendida por Pacheco Pereira, e de muitos outros ex
dirigentes do PSD. A velha guarda, agora reformada, reclama uma via mais
selectiva e não tão devastadora.

Basta perceber-se como este PSD não consegue mexer uma palha nos
interesses do sistema financeiro vigente e tudo o que a ele está
acoplado, para ficarmos esclarecidos quanto às motivações de uns e
outros.

Será que PPereira está errado? Ou serão alguns dos actuais
dirigentes, que pensam ter a razão toda para si, e, vão acabar também
eles mal?

Este governo basicamente optou pela via do Ground zero”, esperando,
após a destruição de velho tecido produtivo renasça uma economia
pujante. Uma espécie de reedição do mecanismo defendido pelos Chiago boys ” no Chile de Pinochet (personagem tão querida da defunta Maggy).

No entanto, torna-se caricato, encontrarem-se defensores de Pacheco
Pereira, não tanto nos eleitores do PSD, também os há, eu assumo-me, mas
naqueles que ainda á quatro anos zurziam contra ele, contra MFL ou
mesmo Bagão Félix, quando estes avisavam que íamos bater na parede.

Pacehco Pereira e Manuela Ferreira Leite, tornaram-se os ídolos de uma esquerda orfã.

Enxerguem-se ao menos, e tenham um pingo de vergonha.

Santa ignorância!


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