Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]
Nos últimos tempos, em virtude, provavelmente, do curso azougado dos acontecimentos, concordei por diversas vezes com Pacheco Pereira. O comentarista da Marmeleira, historiador cunhalista e político todos os dias, não falhou na substância da análise quando escreveu e afirmou que este Governo, no suicídio fiscal que impôs aos portugueses, firmou um caminho dificilmente suportável a longo prazo. Acertou e dei-lhe o devido crédito por essa sagacidade. Porém, como também já tive oportunidade de escrever, Pacheco tem um problema insolúvel com a verdade quando a realidade foge às premissas que, noutras ocasiões, tão bem utiliza. A série de posts que publicou a propósito da decisão do Tribunal Constitucional, ainda que contenham alguns pontos verdadeiros, enferma justamente desse problema. Os posts em questão fogem à realidade e, acima de tudo, padecem de uma vaidade extremada, que não contempla, em circunstância alguma, a verdade factual. Há, pois, uma certa irracionalidade em tudo o que Pacheco diz de Passos e do seu Governo, e essa irracionalidade nasce, sobretudo, das antipatias pessoais existentes entre ambos. E quando o ódio tolhe a análise objectiva e fria dos factos, nada sobrevive, muito menos a inteligência. E se há qualidade que Pacheco tem, é, precisamente, essa. Uma inteligência que, amiúde, cede a caprichos que, em boa verdade, só ajudam a incendiar o já de si fragilíssimo ambiente político. No fundo, foi sempre este o grande defeito de Pacheco Pereira. Num momento em que muitas carpideiras se acotovelam em busca de um palco na encerrada fortaleza mediática do regime, Pacheco, com uma voz cada vez menos audível, encontra no ataque desapiedado e irracional o único arrimo da sua retórica gasta. É pena.