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O socialismo português na direita de esquerda

por José Maria Barcia, em 20.04.13

 

Desde o salazarismo que a Direita portuguesa é vista como um ataque à democracia, às liberdades individuais e às coisas boas que só, aparentemente, a Esquerda consegue providenciar. 

 

Os resquícios de uma ditadura conservadora finalizada em 1975, aquando da Constituição, tornou Portugal pouco propenso a aceitar a Direita como uma ideologia viável para os destinos de uma democracia. O Partido Socialista agarra-se ao combate à Direita como uma batalha contra o diabo. Ao assumir-se como papel de justo combatente do mal, o PS traz a si uma das coisas piores que o socialismo tem: a crença de que sabem o que é melhor para os outros, caindo num sentimento paternalista em relação aos cidadãos. Ora, o problema neste conjuntura é que até a Direita tem medo de ser de Direita. Não se vê o PSD ou mesmo o CDS a defenderem a Direita, ou sequer usarem esta palavra em discursos políticos. É seguro afirmar que até a Direita é de Esquerda em Portugal. 

 

Desde o inicio da crise económica mundial que o novo diabo ganhou o nome de ''neo-liberalismo''. Para dizer a verdade, ninguém sabe muito bem o que é mas tem a ver com o capitalismo selvagem, o empobrecimento geral, a austeridade e por aí adiante. Por outro lado, esta ignorância, chamemos-lhe, académica é prejudicial para uma população cada vez mais obrigada a juntar-se a movimentos de protesto com os quais não concordam totalmente. Por exemplo, o movimento ''Que se lixe a troika'' ou ''Geração à rasca'' são, de facto, muito importantes pois conseguem mobilizar um descontentamento generalizado. No entanto, em parte, não têm origem na sociedade civil. Em especial, o primeiro movimento referido tem muito de BE. Este aproveitamento político é prejudicial à democracia. A sociedade civil portuguesa ainda não aprendeu a dinamizar-se. Precisam de um empurrão de vontade para poderem expressar a revolta face às condições. Na manifestação que marcou o sucesso social do ''Que se lixe a troika'', o manifesto político deste movimento era indiferente. Viu-se, na rua, pessoas de todos os quadrantes políticos, idades, géneros e, principalmente, pessoas que nunca tinham estado numa manifestação por desinteresse em relação à política.

 

Isto para dizer que uma Direita segura de si é fundamental a este país que a rejeitou por motivos históricos e aproveitamento político. Precisa-se de uma Direita liberal que rejeita a fórmula da austeridade, que retire o peso do Estado na sociedade, que saiba ser inteligente e corajosa face às dificuldades que Portugal atravessa. O socialismo é demasiado caro para o nível de dívidas de Portugal. E este Governo, erradamente tratado como liberal, é um dos mais socialistas desde a Constituição de 1975. O aumento de impostos retira liberdade ao individuo. As leis, taxas, contribuições ''solidárias'', a necessidade de retirar liberdade e responsabilidade ao cidadão fazem com que este seja tratado como uma criança que não tem capacidade para tomar conta de si.

 

Portugal já não é uma democracia. E parece que ninguém se importa com isso. O desemprego atingiu níveis inimagináveis. Portugal vive, hoje, uma ditadura da folha de Excel. Uma democracia não pode nunca aceitar o argumento de que ''este é o único caminho possível''. Uma democracia implica confronto de ideias, de soluções. Uma democracia é sermos todos diferentes, todos diferentes. Como se pode querer alternativa se somos todos de Esquerda? 

 

Menos Estado na sociedade implica mais sociedade. Mais soluções ou pelo menos mais oferta de soluções. O monopólio estatal deve ser combatido porque hoje em dia qualquer manifestação contra as condições de vida é legítima. Mas que seja a sociedade civil a reagir. Que saiam à rua sem ser chamados por um movimento infestado de partidos políticos. Que se criem novos partidos, ou movimentos de cidadãos sem ligações ao aparelho político apodrecido. Só assim voltaremos a ter uma democracia. 

 

publicado às 16:17


1 comentário

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De Carlos Gouveia a 20.04.2013 às 17:02

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