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Cada vez que oiço um encadeado de palavras de Durão Barroso, uma sirene soa. Nada do que diz parece sincero. São chavões que atira para o ar. São lugares-comum sobre orientações genéricas que falam mais sobre o seu mal-estar pessoal, a sua carreira, a sua renúncia e abandono. Está a olhos vistos o que irá fazer. Durão prepara a sua saída, mas tenham atenção. Fará à Europa o que fez a Portugal. Vai-se embora, e deixa os que ficam, com uma mão à frente e outra atrás. Mas para a Europa não fará qualquer diferença. Este tipo de político abunda no mercado. Quando Barroso refere uma espécie de fadiga europeia e que os limites da austeridade foram atingidos, não serve nem os interesses da União Europeia nem a condição dos países sob programas de ajustamento. É este tipo de político que devemos evitar. Um político que não mata nem engorda. Um funcionário que quer salvar a sua pele e que age de acordo com uma agenda pessoal. Na primeira fase do seu comissariado, portou-se como um Marques Mendes da União Europeia. O porteiro, um rapaz submisso, que diz para agradar e granjear festinhas dos patrões. O Durão Barroso, ao longo dos anos europeus, não pensou uma de jeito para a caixa da construção europeia, mas não deixou de ter opiniões para os cocktails de burocratas que são e foram as cimeiras europeias. Foi um excelente porta-voz de guiões colocados sobre a sua secretária horas antes da conferência de imprensa. Foi às Lajes armar-se em Churchill das Lajes, e desde que a crise eclodiu na Europa, tem vindo a escorregar desse poiso de falsa altivez, deixando escapar pequenas tiradas que devem ser levadas em conta pelo seu valor de face. Os dias de Durão Barrosos na União Europeia já foram contados. Terão sido cantados pelos estrategas europeus que trabalham nos bastidores e que são de facto os mais poderosos. Refiro-me a instituições financeiras (incluindo o BCE) e aos lobbies à europeia, que determinam o rumo dos acontecimentos. Quando o homem diz que "a unidade europeia não pode ser tida como certa", crava à má-fila um punhal nas instituições europeias. Mina o posto com uma bactéria de dissensão. Mancha esse lugar de governação com incerteza. Cria uma zona cinzenta onde nada acontece, quando o que necessitamos é de acção firme que inverta a situação na Europa. O político que todos conhecemos nunca foi um estadista. Numa época de falência ética e moral, o Barroso vive em pleno o esplendor estes tempos. Não age de acordo com um código de coerência. Se o homem não se revê nas políticas de austeridade impostas pelo core da União Europeia, só tem uma coisa a fazer - demitir-se. Mas como ainda não pode regressar de um modo triunfal a Portugal, tem de enviar recados de solidariedade para o povo de Portugal, especialmente em vésperas do 25 de Abril, uma efeméride que é um parente próximo do MRPP, uma experiência história que também encontramos na genealogia política deste senhor. Tudo isto somado, esta novela de arrufos e paixões nada tem a ver com a verdade das intenções. A presidência da república é desejável para Barroso, antes de poder candidatar-se a uma vaga no Banco Mundial ou na ONU. Não esqueçamos o que diz Barroso - "A União Europeia é, fundamentalmente, um projeto político e cultural baseado em fortes valores humanistas" - tenham dó. Já não temos pachorra para lenga-lengas.