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As brechas que supurarão

por João Pinto Bastos, em 30.04.13

O José Meireles Graça é das poucas vozes que conheço na blogosfera que tem uma posição semelhante à minha no que tange à problemática do euro. Neste momento, somos, de facto, uma minoria em crescendo, mas ainda assim uma minoria. E em Portugal as minorias são tratadas na lógica do cabresto. É assim que funciona o país dos democratas de cravo na lapela. As elites do regime, bem ou mal, a meu ver, mal, muito mal, ligaram o edifício político e económico da III República à Europa. A história é simples e conhecida de todos. Portugal está amarrado a um destino que manifestamente não domina. Não se sabe como nem quando o país cairá, nem sequer se sobreviverá, mas é certo e sabido que este rumo é horripilantemente destrutivo. A razão principal está na participação politicamente arregimentada num projecto que falhou. Já escrevi bastante sobre isso, escuso, até, de me repetir, porém, gostaria de fazer um breve acrescento, que vem, no fundo, completar o que o José escreveu. De facto, há duas saídas muito simples para a equação do euro: ou Portugal permanece encostado - isto partindo do pressuposto que o edifício não cairá, e que os alemães, holandeses e filandeses estarão dispostos a financiar os desvarios do sul - à Alemanha, cumprindo os compromissos assinados com a troika, e esperando, outrossim, pela ruína anunciada, ou, então, começa a preparar a saída do euro. Não acredito, muito sinceramente, que as elites do regime pensem, ponderem e preparem o segundo cenário. Uma saída, a acontecer, será sempre traumática, espontânea e desordeira. Os indícios presentes apontam para isso. No entanto, seria bom que houvesse um entendimento devidamente consensualizado sobre esta hipótese. Como o José Meireles Graça afirmou, "talvez venhamos, mais cedo do que julgamos, os que contam com a Alemanha para pôr ordem na casa, e os que não querem ordem a preço e prazo incomportáveis, a ficar sem motivo para desentendimento". Talvez esse desentendimento desapareça. Talvez. Mas o preço a pagar por essa delonga será cada vez mais insuportável. E, também, incomportável. O futuro joga-se nisto: ou as elites acordam e debatem uma estratégia do "mal menor", ou serão implacavelmente tragadas pela voragem dos acontecimentos. E quando assim é, nada escapa à ira da Fortuna.  

publicado às 16:32


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