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Durante mil anos, muitos quiseram acreditar numa ficção que dava pelo excêntrico nome de Sacro Império Romano Germânico. A realidade era bem diversa. Nunca foi Sacro - todos o atacavam ignobilmente, inclusivamente aqueles que o compunham - e nunca foi um Império, uma vez que jamais existiu a unidade e o poder central que definem aquelas grandiosas realidades políticas. Durante a maior parte da sua teórica vigência, Roma não se incluía entre as suas regiões e o Romano apenas mostrava um intuito de continuidade e de apego à Cristandade representada pelo sucessor de Pedro. Restava o epíteto Germânico, mas mesmo sendo os alemães a maioritária base étnica e cultural, naquele conglomerado centro europeu encontravam-se uns tantos checos, polacos, italianos e ainda uma nada desdenhável quantidade de francófonos. Em suma, o Sacro Império, não sendo uma divertida ficção como a Brobdingnag dos gigantes, apenas significou um não-desejo milenar que ainda hoje a Europa olha com nostalgia e até, com intuitos de restauração sob outro nome.
A segurança dos depósitos bancários, consiste no princípio fundamental que justifica a existência dos próprios bancos. Com o seu calmérrimo ar de sempre, o ministro das Finanças garante que os vossos depósitos bancários são sacrossantos. Quem neles tiver aqueles mealheiros onde apenas consegue guardar uns vinte mil contos em Euro, poderá ficar descansado. Poderá mesmo? Quanto ao resto, enfim, talvez seja melhor pensarem todos se realmente valerá a pena jogarem no Euromilhões, ou abrirem aquela conta que se destina ao erguer de um negócio que promova o emprego e dinamize a economia. O Politiburo de Bruxelas, respectivos comités do BCE e sucursais bancárias país a país, vão mesmo apossar-se de uma boa parte das somas superiores ao montante atrás indicado.
Imagine que você acabou de vender o seu pequeno apartamento e depositou cento e setenta mil Euro na sua conta. No dia seguinte, tem ao mata-bicho, a desagradável novidade de lhe terem sacado 30 ou 40% daquilo que é seu e só seu. Isto é roubo ao nível de Estaline, antecessores e sucessores. Nem o histérico Gonçalves a tanto se atreveu.
Foi precisamente isto o que o ministro anunciou e como é basilar em qualquer político que se preze, por exclusão de partes.
Já não há qualquer dúvida. Também não se duvida do suicídio da Europa. Desta forma não pode haver confiança.
* A confirmar-se este processo de confisco, deixa de existir qualquer razão para a continuidade da ficção da banca privada. No caso português, não poderão inventar qualquer manobra que esconda este segundo resgate, devendo o Estado nacionalizar criteriosament, tornando-se então urgente a procura do paradeiro dos activos. Para o melhor e para o pior, Salazar e Gonçalves nacionalizaram e encontravam-se em campos ideológicos aparentemente opostos. Pois então que a chamada 3ª via o faça, a isso estará moralmente obrigada.