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de maravilha, pelas virtudes místicas do Sebastianismo, na sua parte positiva, como interpretação psicológica da nossa História, que nos ensina a crer no amanhã de Portugal ( ... ) ».

Um muito curto excerto de artigo de António Sardinha lido há dias - " Pratiquemos um acto de inteligência! " -, onde refere as " memorandas " palavras proferidas em 1880 por Antero Quental: " A literatura portuguesa está em decomposição. Ainda há quem escreva coisa literárias, mas a literatura nacional acabou. O que não admira: onde a  nacionalidade é coisa morta, o que poderá ser a literatura? ".

Felizmente era apenas o exarcebado pessimismo de Antero a falar, e, depois dessa sentença de morte, a nossa literatura revelou-se de um vigor invejável.

 

Hoje, continuando a ler o livro ontem iniciado, de Júlio Brandão, « Bustos e Medalhas », leio, muito a propósito, umas páginas dedicadas a Afonso Lopes Vieira: " Em meio da desnacionalização que lentamente se vai operando, não só em Portugal, mas em muitos outros países, dá gosto ver a atitude de alguns dos nossos escritores, em manter e defender o carácter da raça e o génio fundamental da nossa Literatura ( ... ) Afonso Lopes Vieira é um dos paladinos da mais fina bravura e de maior talento nessa defesa augusta do que ele chama O Graal - que é não deixar perder-se o sangue de Portugal, a alma lírica e heróica do nosso Portugal; e salvar ainda, naturalmente, da decomposição que a mina, esta língua saudosa em que escrevemos "

 

Está, outra vez, chegada a altura de Buscar O Graal, defrontados, de novo, com um, mais profundo ainda, fosso de desnacionalização.

publicado às 20:21


2 comentários

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De Duarte Meira a 22.05.2013 às 21:23


Tem razão, Cristina, e se, depois de Antero, tivemos o que tivemos, então há motivos de esperança.

Não será tanto "reaportuguesamento de Portugal", de que falava Lopes Vieira, como o... aportuguesamento do mundo! (De uma parte, pelo menos, que eu não sou tão exigente como o outro Vieira...)

Ponha esta na conta do festeiro ao sapateiro: será quando o Império global se confrontar com o Brasil...
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De Cristina Ribeiro a 22.05.2013 às 21:51

Há dias assim, Duarte: ao pessimismo segue-se a esperança; sim, o Brasil ( tenho um grande número de amigos brasileiros no facebook, e todos vão nesse sentido ) continua a ser uma reserva de grande Portugalidade.

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