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Males que de longe vêm

por Nuno Castelo-Branco, em 24.05.13

Anda meio mundo legitimamente indignado com as afirmações de Miguel Sousa Tavares. Por muito que se antipatize com a presidencial figura e com a instituição que ACS encarna, há limites que não podem ser ultrapassados. Esta sensação de impunidade tem antecedentes bem conhecidos, precisamente os factos que conduziram à subversão do regime da Monarquia Constitucional. A subversão não se limitou às reuniões conspirativas em casa deste ou daquele abastado gingão das lojas lisboetas e teve outras facetas muito mais perceptíveis pela massa da população indiferente.

 

Durante anos a fio, o Rei D. Carlos I foi livremente insultado pela pasquinagem afecta aos sediciosos. Canalha, Sardanapalo, ladrão, devasso, cevado ou bandido, eram apodos corriqueiros que não tiveram a devida resposta por parte dos defensores do Estado de Direito que Portugal era. As sanções limitavam-se a tímidas admoestações, logo seguidas por uma amnistia que Sua Majestade despreocupadamente assinava. Sabemos que estas ignomínias - os insultos e a ausência de forte penalização dos mesmos - significaram.

 

Apesar de aparentar ser politicamente parvo, Miguel Sousa Tavares está muito à vontade. Não passará por qualquer incómodo que lhe tire uma hora de sono. Este menino-bem é parte do mainstream pseudo-progresseiro que dita as normas e em conformidade faz e diz o que bem lhe dá na gana. Gostaríamos todos de saber como é que o comodamente instalado Miguel reagiiria, se um dia destes, desfolhando um jornal não balsemista, deparasse com aquelas palavras com que a generalidade da população gostosa e persistentemente apoda os dois antecessores de Cavaco Silva. 

 

Soares e Lello abertamente insinuam ou acicatam o perpetrar de um crime. Agora, Sousa Tavares faz-nos regressar a 1907, ciente de que nada de penoso terá de enfrentar. Aliás, já é um arrependido, algo que neste contexto, não passará de uma figura de estilo. Preventivamente agiu, lixiviando a nódoa. 

 

Não há qualquer dúvida, a república acabou, nem os seus por ela nutrem um ténue simulacro de respeito. Quem é que enterra a coisa?

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publicado às 20:05


6 comentários

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De ABM a 24.05.2013 às 20:51

Fazemos à noite. Eu escavo com a pá, tu apontas a lanterna. Ninguém vai dar por isso.
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De umBhalane a 24.05.2013 às 22:02

Já há muito que escrevo, e mantenho, que o regime, ou a coisa se quiserem, já morreu há muito, e fede insuportavelmente.
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De Rui Sousa a 24.05.2013 às 23:01

Ok, o Sousa Tavares excedeu-se nos comentários sobre o Presidente, mas... já se escreveu muito pior na imprensa portuguesa sobre este Presidente. Não me recordo de o Ministério Público ter sido tão célere nesses casos. O actual Ministro dos Negócios Estrangeiros até atrasado mental chegou a chamar a Cavaco quando era primeiro-ministro. 
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De Luis a 24.05.2013 às 23:46

Não vejo onde está a ofensa: aposto que em Portugal é mais fácil encontrar gente honesta entre a classe dos palhaços do que entre a dos políticos, com o Silva das reformas à cabeça. Se não acontece em Portugal, acontece na Itália com o Beppe Grillo com quem o Silva foi comparado: se alguém tem razão de queixa é o Beppe, provavelmente um dos actuais políticos mais idóneos do mundo. Ser palhaço é apenas uma profissão, pelo que o melhor é o queixoso estar caladinho e não levantar mais ondas.
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De David de Jesus a 25.05.2013 às 12:31

Graças a Deus pela República, pois de outro modo os que teríamos que aturar seriam vitalícios, e à respectiva descendência. Se é para se ser mal representado que se seja por dez anos no máximo.
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De Reborn Teixeira a 25.05.2013 às 14:17

Os "vitalícios e respectiva descendência" não fariam um milésimo daquilo que temos vistos em Belém, mas como em Portugal é preferível o acessório ao essencial, a república continua. Um uma mina de tachos, mordomias e tráfico de influências. 

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