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Portugal de Quatro

por Felipe de Araujo Ribeiro, em 01.06.13

O Digníssimo, Excelso e Venerával Presidente da República Portuguesa, Dr. Aníbal Cavaco Silva, diz que “a entrada da Turquia na União Europeia - que, como é sabido, Portugal sempre defendeu - enriquecerá a Europa com a sabedoria milenar de um povo com uma longa História”

 

Desconheço esse Portugal em nome do qual Vossa Excelência fala, Senhor Presidente. O Portugal real é representado pelo Senhor Dom Duarte, Rei de Portugal, coroa da sabedoria milenar de um povo com uma longa História.

 

O Digníssimo, Excelso e Venerával Presidente da República Portuguesa, Dr. Aníbal Cavaco Silva, voltou a elogiar o papel que a Turquia tem desempenhado em favor da estabilidade, segurança e paz, bem com o seu contributo para a resolução de "questões tão complexas e tão dramáticas, como a que se vive actualmente na Síria".

 

Desconheço esses conceitos de estabilidade, segurança e paz dos quais Vossa Excelência fala, senhor Presidente. Desconfio também, Senhor Presidente, que Vossa Excelência desconheça a situação que se vive actualmente na Síria. Sobressai sobremaneira a sua manifesta ignorância, particularmente quando comparada com a dignidade da posição do Senhor Dom Duarte, Rei de Portugal, que foi a única figura pública de relevo neste país que teve a inteligência e a coragem de impôr a razão à barbárie e mover esforços no sentido de promover a verdadeira estabilidade, segurança e paz na Síria.

 

Atrevo-me por vezes a imaginar quão diferente seria a nossa política externa se sob o comando de um Chefe de Estado digno da memória desta nação.

 

O Digníssimo, Excelso e Venerával Presidente da República Portuguesa, Dr. Aníbal Cavaco Silva, convidou os empresários e os investidores turcos a olharem para Portugal como um estado-membro da União Europeia que lhes pode oferecer um ambiente favorável aos seus negócios e excelentes oportunidades de investimento e cuja proximidade linguística e cultural com países como o Brasil, Angola e Moçambique constitui, além disso, um activo particularmente importante em matéria de cooperação triangular.

 

Conheço bem demais esse Portugal estado-membro. Um verme institucional de olhar mendigo e mão estendida. Ora que seja então a porta de entrada na União Europeia para os Turcos, já que somos o tapete estendido que é espezinhado por toda a sorte de bandidos e rufias; já que somos tubo de ensaio para as mais aberrantes experiências da engenharia social. Sejamos, sim, porta de entrada na União Europeia para os Turcos. Toda a honra e toda a glória!

 

E sejamos ainda a ponte para o Brasil, Angola e Moçambique. É que depois daquela brilhante decisão de tribalizar a nossa língua, até já falamos praticamente o mesmo dialecto!

 

Desde que, de forma vergonhosa, abandonámos as nossas províncias ultramarinas, que lhes temos as costas viradas. Mas agora, propõe o Digníssimo senhor Presidente, devemos oferecer aos ilustres empresários turcos o serviço de mordomia que lhes abre respeitosamente as portas de Angola. Bestial, senhor Presidente!

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publicado às 16:57


1 comentário

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De Nuno Castelo-Branco a 01.06.2013 às 18:32

Tudo isto não passa de pro forma, provavelmente em coordenação com o MNE. Eles "fazem de conta" e sabem que entrada da Turquia na UE é por agora tão certa, como a Prússia Oriental vir a ser um dos próximos Estados da Alemanha Federal. Nada disto tem qualquer credibilidade, a não ser para umas tantas joint-ventures que possibilitem uns negócios - BES, betões e adjacentes - ao círculo de amigos do poder instalado desta 3ª república. Enfim, contentam-se com a velha política de intermediários e comissionistas. mas devem pensar que somos todos parvos.


Por outro lado, o Venerando ainda não parece ter entendido o que se passa naquele país asiático (a Trácia e Constantinopla não contam), onde muitos já perceberam que têm mais a ganhar se exercerem a sua influência na antiga Ásia Central russa. Se os turcos se reclamam "herdeiros do Império Romano do Oriente" - têm o descaramento de rotineiramente o mencionar urbi et orbi -, então ajam em conformidade e convertam-se à ortodoxia grega. Nesse caso, de Lisboa a Riga, todos pensaremos no assunto. 

Colocar as fronteiras da Europa no Iraque, Irão e Síria, consite num inacreditável disparate que como novo Cavalo de Tróia, pagaremos bem caro. Claro que em Belém ninguém quer saber dessas insignificâncias e talvez nem sequer se tenham apercebido que a entrada da Turquia, mais tarde ou mais cedo abrirá as portas da UE à participação de outro Estado situado mais a sul, terra de de milenares problemas, manias e loucuras. Daí o entusiasmo dos nossos esquisitos aliados além-Atlântico. 


Enfim, preparam-nos para um grande sarilho. 


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