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Não confundam, estes perigosos PCP eram os Pequenos Cantores da Polana um grupo coral no qual eu e o meu participámos. Este postal provavelmente datado de 1972, foi enviado da cidade da Beira. Ali fomos magnificamente acolhidos por uma família que nos tratou como se seus filhos fossemos. Se bem me recordo daqueles dias já tão distantes, as salas estiveram sempre cheias de gente assistindo aos nossos espectáculos, tal como aconteceu nas as igrejas onde cantámos. Para as crianças, uma sala cheia deveria significar dinheiro, daí a irreverente menção ao totalmente improvável arrecadar de ingressos pelo Padre Arnaldo Taveira de Araújo.
Andámos pelo interior do então Distrito de Manica e Sofa, visitámos Vila Pery, Vila de Manica, missões no mato e passeámos em Umtali, na Rodésia. Lembro-me de ter sido impertinente numa loja de guloseimas, recusando os chocolates Rowntree's que o vendedor queria impingir. Disse-lhe que sabia ser esta marca uma daquelas que subvencionava "os turras" e por isso preferia comprar batatas fritas Simba. Apesar de todos os delírios grasnados na Assembleia Geral da ONU, andámos livremente pelas alegadas "zonas libertadas", sendo a nossa camioneta acompanhada nalguns trajectos, por uma poderosa e impressionante escolta de um veículo Unimog com quatro soldados do Exército Português., condutor incluído.
Não podia esquecer de perguntar pela saúde dos gatos lá de casa: a Tai, o Makingana, os três pretos - o Negrito, o Negrão e o Negralhão - e o Parditcho.
"Queridos pais
Eu e o Miguel estamos bem. Temo-nos divertido muito. No dia 15 receberão um telefonema de um senhor. Dia 18 estaremos em Vila Pery. O Senhor Padre já ganhou um dinheirão "conosco". A Tai e o Makingana estão bons? E os gatos pretos? E o Parditcho? Estamos aí dia 22
Beijinhos do Nuno e Miguel"