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A vaidade inconveniente de António Costa

por John Wolf, em 07.06.13

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa pode apresentar-se "durante cerca de duas horas e perante uma plateia cheia de caras conhecidas da política à cultura" para fazer o balanço de quatro anos de mandato, e vangloriar-se deste e daquele feito, mas em abono da verdade, quem deve proferir palavras de congratulação ou de crítica são os residentes da capital. Teria sido mais imparcial se fosse um colégio de moradores a fazer o relatório; a expressar se a vida na capital melhorou ou não. Se apenas ouvimos a parte "orgulhosa" da obra feita, e descuramos os destinatários finais da execução camarária, nunca saberemos objectivamente o que pensam os contribuintes IMIdiatos. As caras conhecidas da política e da cultura não vivem na cidade. Residem num espectro que faz parte do imaginário dos outros que vivem na grande Lisboa, muito perto da fronteira da indignidade. Os ilustres, identificados nessa plateia de notáveis, não se servem dos transportes públicos, não fazem uso de uma bicicleta, do magnífico corredor verde recentemente inaugurado, e provavelmente não recolhem os dejectos dos seus cães que os seus empregados levam a passear. A casa cheia que o escuta, não é o povo da sardinha em riste. Aqueles que o aplaudem não são os almeidas e os calceteiros que sustentam as pisadelas e o lixo dispensável. O que constato, nestes anos de mandato de António Costa, é uma certa pompa e circunstância na inauguração, uma certa vontade de querer transformar Lisboa numa metrópole moderna, mas as obras parecem não obedecer a um plano conceptual de longa duração, a uma ideia sociologicamente relevante. Vejo muitos equipamentos a reluzir no dia de abertura, para, volvidos poucos meses, a sua manutenção ser abandonada. Vejo muita coisa que soa a falso alarme; eventos que criam um efeito de dinâmica até à seguinte vernissage, até ao seguinte radar avariado. O presidente da Câmara Municipal de Lisboa apenas fala do hardware, das viaturas que dispensou, dos muros que levantou e dos dinheiros por vencer. Mas não consegue mexer no mais complexo - o cultivar de uma mentalidade cosmopolita, civilizada. Como se trata do estacionamento de carros sobre os passeios ou em segunda fila? Como se trata o péssimo hábito de cuspir sobre a calçada? Como se ensina a não fazer ruído? Como se sugere eventos interiores, geradores de calma, da alma, quando a maior parte dos eventos in acontecem out. Sei que existe aquele programa através do qual os residentes na capital podem sugerir soluções, mas no meu entender parece ser um canal aberto de sentido único - um eco-ponto para a recolha das ideias dos outros. Naquele palco de apresentações o que deveria ser partilhado com a elite seriam as verdades inconvenientes. Se nos basearmos apenas no testemunho de uma das partes envolvidas seremos levados a pensar que Lisboa não tem problemas graves. E sabemos que isso não é verdade. Conveniente, não é? 

publicado às 17:53


11 comentários

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De Anónimo a 07.06.2013 às 19:25

Tenham vergonha, de ter desgraçado o país
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De Nuno Castelo-Branco a 07.06.2013 às 21:17

Lamento dizê-lo, mas o currículo de António Costa limita-se a isto:
http://estadosentido.blogs.sapo.pt/search?q=lisboa+arruinada
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De John Wolf a 08.06.2013 às 08:20

Obrigado Nuno!
O meu texto só faz sentido se corroborado pelos mais de noventa posts que colocou à vista dos leitores.
Bom fim de semana.
Um abraço,
John
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De neblinas a 10.06.2013 às 03:45

O que pede é que o presidente da Câmara se substitua aos pais na educação e aos cidadãos na sua responsabilidade. Alguém acha bem cuspir no chão, sujar as ruas com os dejectos dos seus cães e com o seu próprio lixo? Certamente não acham, mas fazem-no. A sua crítica baseia-se, também no "parece que". Afinal quais as suas propostas? Certamente há ainda muito por fazer, mas os cidadãos não podem querer que outros tomem a responsabilidade pelos seus actos. É tão fácil dizer mal. Parece que isso satisfaz alguns egos.
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De Jorge a 10.06.2013 às 12:35

Sim, esta sim uma boa verdade.
Faz-me lembrar os debates sobre a educação especialmente no ensino publico básico quando ouço pessoas como António Costa falarem como doutorados na questão e depois verificamos que os seus filhinhos sempre frequentaram o ensino particular de alto gabarito e custo também, muitas vezes financiado por nos todos. Triste petulância!
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De Carlos Sameiro a 10.06.2013 às 21:25

Estes e muitos outros que se dizem \"socialistas\" não são senão xuxalistas, incomodam me, especialmente quando falam no povo e em nome do povo, devem de pensar que somos todos estúpidos... Enfim, e como foi que este país chegou a este precipício? Perguntem aos Srs Costas e Fins...
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De jaime estorninho a 10.06.2013 às 22:06

Pois...mas o "Pessoal" da sardinha confia muito justamente nele! Já não se lembram dos "casos" que envergonhavam Lisboa? Não se lembram do estado caótico das finanças municipais? Não repararam na harmonia que foi criando? Não repararam no seu habitual "passo à frente" como no caso da fusão de freguesias?
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De Anónimo a 10.06.2013 às 22:58

pretos para a Africa
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De Anónimo a 10.06.2013 às 23:24

Você é um calhau com olhos. Mas olhos míopes. Não vê nada de jeito. O homem não é preto, é de Goa. É muito mais inteligente do que brancos como você.
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De Gabriel a 10.06.2013 às 23:20


A dor de corno e a inveja, é uma coisa muito feia. O Senhor Passos e seus apaniguados "laranjas" fazem muito melhor. Salta à vista...
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De Anónimo a 11.06.2013 às 03:38

Concordo e felicito o autor pela clareza de ideias com que aborda a questão de Lisboa. Nunca mais saímos da feira de vaidades!

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