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A situação europeia é cada mais instável e a NATO nem de longe é a mesma organização que durante décadas garantiu a segurança da Europa e a resistência ao imperialismo soviético.
Goste-se ou não se goste da espionagem, ela existe e pode ser preventiva de grandes contratempos. Sabe-se que uma nada despicienda contribuição para a vitória sobre o Eixo, deveu-se precisamente à eficácia da espionagem: o decifrar do Código Púrpura, a máquina Enigma, R. Sorge e a Batalha de Moscovo, o decifrar das directivas emitidas pelo Supermarina à poderosa armada italiana, a Rote Kapelle, Estalinegrado, Kursk, a Batalha do Atlântico, o Dia D, Pearl Harbour - é verdade, os americanos sabiam - e Midway, são apenas alguns exemplos dessa contribuição dos serviços secretos.
Os alemães estão indignados por terem sido vigiados pelos competentes serviços dos seus aliados além-atlântico. Não percebem porquê, mas as razões para que tal coisa tenha acontecido são evidentes. A Alemanha de hoje, não é precisamente aquela entidade dividida e sob tutela que existia antes de 1989. O fim da Guerra Fria, o seu grande poder na Europa e ainda mais importante, os cada vez mais privilegiados laços com a Rússia, despoletam algumas previdentes desconfianças. Quando antigos chefes de governo deixam a Chancelaria e logo passam à condição de empregados de grandes empresas energéticas russas, ao mesmo tempo que Berlim e Moscovo dispõem livremente acerca do fornecimento de gás à Europa ocidental, nada poderá ser por acaso. Existem sempre contrapartidas políticas que escapam à opinião pública.
Apenas uma questão: passando sobre a evidente necessidade de uma ponderada atenção a um certo tipo de imigração na Europa - o Caso Mesquita de Finsbury Park é um exemplo -, estarão os europeus preparados para o abrir dos cordões à bolsa e garantirem eles próprios a sua segurança e Defesa? O sr. Martin Schulz devia pensar no caso desta proveitosa abstinência de décadas, esse "escândalo gigantesco" que na Europa ninguém quer considerar como tal. Se já não querem o guarda-chuva emprestado, então que ajam em conformidade.
A espionagem - a amigos e a inimigos - será um alegadamente asqueroso recurso que susceptibiliza todas as políticas dos Estados. Sempre existiu e numa Europa que já conta com mais de dois milénios de civilização, tal deveria ser encarado com naturalidade. Estas indignações fedem demasiadamente a impotência.