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O esperto, o burro e a enforcada

por João Pinto Bastos, em 01.07.13

A demissão de Vítor Gaspar era, em bom rigor, uma inevitabilidade. Hoje, ontem ou amanhã, a saída do capitão Nemo do "financês" passista era uma questão de dias, semanas, ou, vá, meses. Aconteceu hoje, com alguma surpresa de permeio. Gaspar não aguentou a pressão, nem, como o próprio referiu, a falta de coesão da equipa governativa. A indirecta a Paulo Portas é clara. Entende-se bem porquê. Portas foi, durante estes dois anos de governação, o único político que tentou enfrentar, a duras penas, diga-se de passagem, a estratégia austerista de Gaspar. Não é, por ora, chegado o momento de avaliar a prestação do CDS/PP no Governo de coligação (prestação essa, com altos e baixos), contudo, é por demais evidente que a presença dos centristas na coligação evitou alguns pormaiores, como foi, por exemplo, o caso da TSU. Gaspar chegou ao Governo com uma aura tecnocrática absolutamente inabalável. Amigo e íntimo dos poderosos da alta finança europeia, Gaspar foi o verdadeiro capataz da troika em Portugal. Aumentou os impostos e aplicou o programa de ajustamento sobretudo pelo lado da receita. Por outras palavras, o ex-ministro das finanças falhou rotundamente os objectivos a que se propôs. Desde o início da minha participação neste blogue, fiz questão de sublinhar a total falta de aderência à realidade do plano de resgate. As consequências estão à vista: a economia derrapou, e o Estado continua por reformar. As responsabilidades não pertencem a uma única pessoa, ao contrário do que alguns, leviana e parvamente, fazem crer, todavia, Gaspar foi um dos principais rostos do esbulho fiscal em curso: optou deliberadamente por aumentar brutalmente os impostos, em detrimento de cortar cerce na despesa pública. Saiu tarde, é certo, mas, finalmente, saiu. Gaspar foi, no fundo, o único esperto nesta estóriazinha de austerismo selvagem. Errou, e para não se chamuscar mais, optou por abandonar a fragata a tempo. Já Passos Coelho, um primeiro-ministro que tarda em aprender os rudimentos básicos de uma liderança sã, optou pela solução fácil, chamando a terreiro uma secretária de estado, que, como é do domínio público, tem visto o seu nome constantemente envolvido em questiúnculas que contendem directamente com a gestão parcimoniosa dos dinheiros públicos. Exigia-se um pouco mais de cuidado na escolha. Passos preferiu, mais uma vez, seguir a via do facilitismo serôdio. Errou, e errou clamorosamente. É certo que dificilmente alguém se chegaria à frente, pois o serviço público não é, hoje, a via mais célere para granjear prestígio e reputação. Porém, substituir um mau ministro por alguém que, ultimamente, tem andado com a corda no pescoço é, de facto, um daqueles actos dignos de figurar numa lista negra do anedotário político. Se somarmos a isto a completa ausência de textura política da personagem escolhida para liderar o ministério das finanças, o cenário é ainda mais dantesco. Os próximos meses prometem muitas borrascas, e, com um capitão tão fraco e imprudente ao leme das operações, o melhor mesmo é buscar o quanto antes um colete salva-vidas, não vá o barco afundar-se antes do tempo fixado.

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publicado às 22:54


13 comentários

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De Duarte Meira a 01.07.2013 às 23:03

«Gaspar foi o verdadeiro capataz da troika em Portugal.»

Veremos se a Gasparina consegue ser mais (ou menos) do que isso.
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De João Pinto Bastos a 01.07.2013 às 23:10

Duarte, seria bom que fosse mais do que isso, mas duvido. 
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De Nuno Castelo-Branco a 01.07.2013 às 23:12

Pelo que li na diagonal ao fim desta tarde, creio que decididamente se optou pela despesa. Isso vai custar caríssimo, pois as tais "reformas do Estado" são... o regime no seu todo de mordomias, despesismo. É isso o que aqui tem sido dito durante estes últimos quatro anos. Sempre quero ver qual será a reacção dos nossos credores. Quando ontem ouvi Sócrates atrever-se a falar de decência, fiquei esclarecido.  
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De João Pinto Bastos a 01.07.2013 às 23:33

Pois, Nuno, a reacção não será, muito provavelmente, nada amistosa. Quanto a Sócrates prefiro remeter-me ao silêncio. Não vale a pena dar atenção aos dislates dessa avis rara.
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De Equipa SAPO a 02.07.2013 às 09:33

Bom dia,

este post está em destaque na área de Opinião do SAPO.

Cumprimentos,
Ana Barrela - Portal SAPO
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De silva ribeiro a 02.07.2013 às 10:31

estivesse SOCRATES a governar e isto estaria bem melhor, para quem siz que Ele deixou isto muito mal estes estão a por muito pior no fim vamos fazer o balanço.
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De cgomes a 02.07.2013 às 11:55

De burro você já não passa!
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De silva ribeiro a 02.07.2013 às 14:26

você é um malcriadão e talvêz nunca chegue sequer a burro Eu não insultei ninguem
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De silva ribeiro a 02.07.2013 às 10:32

estivesse SOCRATES a governar e isto estaria bem melhor, para quem diz que Ele deixou isto muito mal estes estão a por muito pior no fim vamos fazer o balanço.
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De mady a 02.07.2013 às 10:45

Concordo consigo. Não consigo é vislumbrar outra figura que pudesse aceitar esta pasta! No entanto, pelo seu modo de escrever, parece-me que sabe de uma solução óptima... Qual é a sua melhor sugestão? Não vá ser que a percamos...
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De Anónimo a 02.07.2013 às 14:21

NESTE GOVERNO na realidade não se vê nada nem ninguém .Será que para si neste país não há nada, nem ninguém capaz de fazer algo?Quando pensamos assim, sem vermos luz ao fundo do túnel isso sim, é muito mau.
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De silva ribeiro a 02.07.2013 às 14:23

solução eu não tenho mas se dentro do espaço PSD não existe ninguem com competencia e sem rabos de saia como dizemos aqui para ocupar o cargo então mais vale irmos para eleições para que se o povo que nunca se engana diga de uma vêz o que pretende para o país ( se o Sr. ministro que saíu disse que não tinha condições para continuar, que condições terá esta senhora ?)
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De Manel a 02.07.2013 às 14:51

Qual será o tacho que vai ocupar agora? FMI, na Europa?
Mas de qualquer forma pode ser que deixem de atacar sempre os mesmos que o povo esta farto de pagar os erros dos maus políticos que governaram Portugal até hoje. Que venha alguém que pense no povo e no país e não nos grupos de amigos que só sabem esgotar este belo cantinho à beira mar. De uma vez por todas, que apareça alguém que cuide do nosso país e que se deixem de atacar uns aos outros. POR PORTUGAL

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