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Breves notas sobre a situação actual do CDS

por Samuel de Paiva Pires, em 03.07.13

1 - Ao contrário do que muitos jornalistas, especialmente afectos ao Expresso, parecem desejar, não há razão nenhuma para que o Congresso não se realize. Bem pelo contrário, atendendo à periclitante situação espoletada por Paulo Portas,  o facto de termos um Congresso, órgão máximo do partido, dentro de poucos dias é até inestimável, pois permitirá desde logo ultrapassar esta situação, quer a nível interno, quer, especialmente, a nível da posição do CDS no Governo.

 

2 - É falso que Paulo Portas seja o único candidato à liderança. Existem vários potenciais candidatos, os primeiros subscritores das moções globais de estratégia apresentadas.

 

3 - É verdade, como ontem aqui escrevi, que a moção de Paulo Portas foi invalidada pela demissão do próprio. Isso não significa que as restantes moções, especialmente a moção CDS + à Frente, liderada por Filipe Anacoreta Correia, o tenham sido. Bem pelo contrário, e como o próprio Filipe já fez notar:

 

No Expresso:

 

«Anacoreta Correia desvaloriza, no entanto, esse facto e considera que quem quiser candidatar-se à liderança pode faze-lo já neste sábado. "O congresso está marcado e há todas as condições para aparecerem outras candidaturas. Basta que o primeiro subscritor de qualquer das moções apresentadas indique um candidato", sublinha o dirigente critico de Paulo Portas. Anacoreta Correia, enquanto primeiro subscritor da moção de estratégia do Movimento Alternativa e Responsabilidade, admite assumir-se como candidato à liderança, e não poupa nas críticas à "irresponsabilidade" da atitude de Portas. Que, nota, contraria tudo o que o líder centrista escreve na sua própria moção de estratégia. "A palavra estabilidade é central na moção de Paulo Portas. Quem votar a favor da moção dele não pode votar nele", frisa.»


No Jornal de Negócios: 


«Filipe Anacoreta afirmou esta quarta-feira que a decisão de Paulo Portas é uma “decisão irreflectida, incoerente e totalmente irresponsável". Para o líder da tendência Alternativa e Responsabilidade (AR) do CDS-PP, a demissão do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros "contradiz" o que o presidente dos centristas defendeu na sua moção ao Congresso e "atira o País para uma crise de enorme gravidade", que "põe em causa provavelmente os sacrifícios dos portugueses ao longo destes anos".

 

Filipe Anacoreta apelou assim ao CDS/PP para que não “caia com o seu líder”. “Há que fazer um apelo aos governantes, aos dirigentes, aos principais responsáveis, para que não se precipitem, dêem a voz ao partido", afirmou.

 

"Nós temos, por coincidência ou não, um congresso marcado para daqui a três dias, é a reunião magna, e no meu entender é a altura adequada para o partido se pronunciar e para tentar não seguir nesta precipitação para que o líder nos conduziu", sublinhou Anacoreta que não colocou de parte a hipótese de se candidatar à presidência do partido.

 

Questionado se o partido deve continuar a apoiar o Governo sem Paulo Portas, Filipe Anacoreta respondeu: "Acho que nós temos que fazer todo o esforço para pôr o País acima do partido e as circunstâncias pessoais de cada um subordinadas ao interesse do partido e ao interesse do País. Foi assim que o doutor Paulo Portas sempre afirmou que faria e é isso que nesta altura nós temos também que fazer".»


No Público:


«Filipe Anacoreta Correia, subscritor de uma moção de estratégia global ao congresso do CDS do próximo fim-de-semana e candidato à liderança do partido, criticou nesta quarta-feira ferozmente a decisão de Paulo Portas de abandonar o Governo, considerando-a “precipitada, incoerente e totalmente irresponsável”.

“É altura de segurar o partido e não permitir que ele caia com o seu líder, por isso entendo que é da maior relevância a realização do próximo congresso e o CDS deve partir para ele com muita confiança e com a certeza de que o partido terá soluções para apresentar e para pacificar o país”, defende Filipe Anacoreta Correia, o rosto do Movimento Alternativa e Responsabilidade, a ala crítica da direcção do partido.

 

Para este conselheiro nacional, “não faz sentido” adiar o congresso porque isso – argumenta – “seria prolongar a incerteza e a indefinição politica e neste momento isso é crucial para o país”. “O congresso está convocado e entendo que há condições para sua realização e o partido tem de mostrar que é rápido a afirmar estas soluções”, diz o advogado Filipe Ancoreta Correia, reconhecendo que nestas circunstâncias o adiamento seria a “primeira tentação fácil”, mas isso não pode acontecer, “porque isso seria prolongar a incerteza e a indefinição política neste momento crucial para o país”.

 

Ao PÚBLICO, Anacoreta Correia diz ainda que o “partido tem de ser rápido, porque o país não pode estar suspenso, não pode aguardar por indefinições”. E remata: “É preciso dar a voz ao partido. É tempo de olhar para o futuro”, porque – realça – a “conduta de Paulo Portas à frente do partido prejudica o país”.»

publicado às 15:00


2 comentários

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De Nuno Castelo-Branco a 03.07.2013 às 15:32

Se o CDS não se resume ao PP, deveria hoje mesmo depor o seu presidente e nomear um substituto para o governo, após o que colocaria os pontos nos ii a PPC. Parece muito complicado, mas a nossa situação exige-o. Nem que recorra ao Pires de Lima ou a Lobo Xavier, há soluções credíveis. 
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De Duarte Meira a 03.07.2013 às 19:19

Gostei das afirmações de Filipe Anacoreta Correia.

Veremos se ele se atreve a avançar desde já como candidato, marcando posição e assumindo o que mais é preciso: não deixar a alternativa política apenas à esquerda.

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