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Portas giratórias

por John Wolf, em 04.07.13

Começo este post com o seguinte aviso: caro leitor, muito provavelmente as linhas que se seguem, daqui a umas horas já não farão sentido. É bem possível que nada faça sentido amanhã. Mas se eles pensam que com o seu comportamento podem destruir a minha credibilidade estão enganados. Não vou permitir que me apanhem em flagrante contradição.  A dizer e a desfazer. Fica feito o aviso. Também tenho as minhas defesas e estou em condições de avançar com algumas suposições políticas. Muito bem. Começo por dizer que lentamente começo a entender o que se está a passar. Paulo Portas quis imitar a Troika. O coligado quis realizar a sua própria avaliação do desempenho do governo. O seu próprio exame ao desempenho do governo. Mas, para o realizar de um modo idóneo, nunca poderia fazer parte do mesmo - seria um conflito de interesses se auditasse as decisões políticas fazendo parte do executivo. O exame irregular que pretendeu efectuar só poderia ser feito aproveitando a perspectiva de Seguro. Ou seja, longe do poder, fora de portas e na qualidade de crítico distante. No entanto, o egoísmo político de Portas serviu outras causas. Funcionou como ensaio geral para um sismo. Fez soar alto o alarme de emergência. O que ele organizou foi um simulacro. Confrontou o país com o maior dos seus medos. Um verdadeiro terror político - a possibilidade de um governo liderado por Seguro. A pergunta que ele fez foi: querem imaginar, por um instante, eleições antecipadas e Seguro ao comando dos destinos da nação? Então fechem os olhos e vejam bem o berbicacho em que se vão meter. Na minha opinião foi absolutamente brilhante o que Portas ofereceu a Passos. Até irei mais longe; é bem possível que o plano de evacuação tenha sido combinado, ensaiado em Conselho de Ministros. A carga emocional teve de ser descarregada da palette em pequenas partes para criar o efeito de crescendo dramático. Gaspar? Sim? Primeiro vais tu. Escreve uma cartinha e tal, e dá-me umas ripadas que a malta agradece. E tu, Portas, amua mesmo. Dá um murro na mesa quando eu chamar a Albuquerque. Pois. Tudo isto faz parte da política e só não vê quem não quer ver. A encenação funcionou. Enfraqueceu de uma assentada o presidente da república e obrigou Seguro a procurar ajuda psicológica. Seguro tornou-se bipolar sem o saber. Confundiram-no por completo. Já não sabe se vai ou fica. O homem tinha as malas feitas para rumar a São Bento e eis que lhe trocam as voltas do canhão. Já não tem a chave, e ainda por cima, a Troika, através de mandatários designados para o efeito, já avisou que ele pode tirar o cavalinho da chuva - eleições antecipadas nem pensar. Cortam logo o gás e a electricidade. Compreendo a consternação de muita gente, mas onde está escrito que uma coligação não pode ser renegociada? Ouvimos dinossáurios afirmar que não está garantido o regular funcionamento das instituições? O regular funcionamento das instituições? Está tudo doido? Será que ainda não viram quem está aos comandos de Belém? A política é feita de homens e há muito tempo que a Santa Trindade das relações políticas institucionais está escangalhada. Encontramo-nos, efectivamente, noutro paradigma de fretes, numa outra dimensão de fazer política. As ondas de choque provocadas por Portas fizeram-se sentir na sua sede partidária, mas também na cúpula dos socialistas. No largo do Rato devem estar finalmente a perceber que a mera sugestão de Seguro no poder fez com que os portugueses deitassem as mãos á cabeça e queiram mesmo emigrar. Tenho a certeza que até a mocidade socialista sentiu o desagrado da população em geral. Mais dia menos dia, temos congresso para substituir Seguro. No meio disto tudo, foi ele quem mais perdeu. Mas, como disse o outro, não interessa quem está no poder. Porque quem efectivamente está no poder é a Troika e dentro de dias cá estará novamente para realizar mais testes e exames. E já se sabe que quem semeia portas colhe janelas partidas.

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publicado às 07:09


12 comentários

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De Nuno Castelo-Branco a 04.07.2013 às 10:54

... e entretanto, ontem foi dia de colossais perdas na Bolsa, + juros, etc. Quem paga?
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De Faust Von Goethe a 04.07.2013 às 10:56

Vamos ser pragmáticos: "Quem teria que apresentar a reforma do estado?"
Ah espera... O Paulinho decidiu que ser funcionário público era uma profissão de risco pois o próprio corria o risco de ser despedido. Decidiu então que o melhor era mesmo regressar às feiras pois assim podia fugir ao controlo do estado e fazer o equivalente à economia paralela-a política paralela. Assim poderia continuar a fugir ao controlo mais apertado dos críticos do governo.
Para todos os fãs de Paulinho e para todas as viúvas negras do CDS, fica a foto para a posteridade do Paulinho ao lado de Carlos Bonifácio (para quem não conhece, candidato à Câmara Municipal de Alcobaça pelo CDS-PP) a quando do conselho de estado extraordinário em Alcobaça. Este será "seguramente" o cromo nº 1 de uma caderneta que irá ser lançada em breve: 
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=471768699571291&set=a.154566474624850.38738.100002144960388&type=1&theater
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De Artur de Oliveira a 04.07.2013 às 11:40

Lá está... Portas e Coelho podem ter simulado uma réplica doméstica da guerra do Mea Culpa entre FMI e UE... 
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De Duarte Meira a 04.07.2013 às 21:01


« E já se sabe que quem semeia portas colhe janelas partidas.»

Caro John:

Um texto de antologia, pela forma discreta como consegue misturar o sério e o cómico.
Parabéns pela arte e obrigado e obrigado por me ter conseguido fazer sorrir numa ocasião destas.
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De John Wolf a 04.07.2013 às 21:18

Muito obrigado, caro Duarte!
Não encontro outro modo de tratar a surrealidade do momento.
Cordialmente,
John 
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De Equipa SAPO a 05.07.2013 às 08:56

Bom dia,

este post está em destaque na área de Opinião do SAPO.

Cumprimentos,
Ana Barrela - Portal SAPO
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De John Wolf a 05.07.2013 às 10:40

Cara Ana Barrela,
Muito obrigado pela mensagem e pela honra.
Cordialmente,
John
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De Cristina SC a 05.07.2013 às 10:47

De facto, só John Wolf conseguiria fazer-nos sorrir - Duarte Meira já o referiu. 

Tenho de confessar que estava muito curiosa sobre o que iria escrever sobre esta questão, a tragicomédia nacional. E é sempre surpreendente e refrescante. Sim, mesmo nestes tempos de calor e confusão.
Parabéns, John Wolf.
Parabéns ao Sapo pelo destaque.
Cumprimentos.
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De John Wolf a 05.07.2013 às 13:20

Obrigado, Cara Cristina SC!
Um sorriso vale muito para mim...e para todas as pessoas!
Cordialmente,
John
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De António tia-tia a 05.07.2013 às 16:49

 


4º Lugar para o Portas nogoverno!


O 4º lugar é o que corresponde aos 11,70% que o Paulo Portas obteve nas legislativas.


Ou então, comunistas ao governo para acabar com o Portas!


Olha este! Com 11,70% dos votos quer mandar no país.


Toda a gente já percebeu o truque do Portas, aliás, há aqui comentários que o referem.


 


Conversa de cônjuges: arrumaste a sala? Não, não sou capaz; mas dissestes que eras capaz! Não, não sou, vou-me embora; não precisas de ir embora! Eu ajudo-te e ensino-te; não, vou-me embora, e foi. Soube-se mais tarde que ela tinha um amante. Mas para infelicidade dela, quando chegou a casa do amante, este perguntou-lhe, que fazes aqui? Venho para junto de ti; está louca! Prefiro viver sozinho, e para saibas, já estou com os olhos noutra, vai!


 


António tia-tia

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De SerraBrava a 05.07.2013 às 17:55

Tem razão Sr. John! Seguro em S. Bento? Íamos todos para a "ilha" ...
 Para isto ficar completo, só falta mandar uma cópia do seu texto ao A J (in)SEGURO e outra, para a Fundação Soares, desculpe .......  para a fundação, não! Perdia-se e ninguém a lia, provavelmente, digo eu, que não sei o que (des)fazem lá! Mandava-se para o Rato!

Também se aproveitava a oportunidade de recordar a Seguro que, para "fazer oposição" é preciso estar "de frente" para o governo e líder; não é andar atrás de Passos, pisando-lhe as pegadas e os calcanhares! para mal "rebater" em tom de falsete, o que o outro diz. A imaginação, iniciativas e outras inspirações de Seguro, não vão além deste curto horizonte? Porque de resto, por exemplo, propor-se diminuir o IMI, a cada um de nós desvalorizando, para isso, as casas e estando já a contar com a ajuda(?) dos bancos, .... esta é de "Cabo de esquadra"! (ver JN de ... há dias...)
(... ai mi casita !)

 
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De John Wolf a 05.07.2013 às 18:16

Exacto, Serra Brava!
Anda a reboque. Reage em vez de ser proactivo. Não é um homem de iniciativa. Não sei que género de polícia é. É fiscal?
Obrigado.
Cordialmente,
John

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