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As aparências iludem *

por Pedro Quartin Graça, em 07.07.13


* Por: Mário Quartin Graça - Convidado do "Estado Sentido"

 

Quem tivesse assistido, com alguma desatenção, à comunicação que no sábado o presidente do PSD fez ao País, ficaria convencido de que, nessa guerra aberta entre os dois líderes políticos, tinha havido um vencedor, Pedro Passos Coelho, e um vencido, Paulo Portas. O primeiro, ufanando-se de ter sabido contornar as dificuldades, chegar a um acordo sólido e de  longa duração, garantindo até uma coligação do PSD e do CDS para as eleições europeias de 2014. O segundo, quedo e mudo, com um ar de cansado, derrotado, humilhado – ou, para alguns observadores, envergonhado.

 

No entanto, nada mais enganoso. Para tentar garantir a continuidade da sua governação, Passos Coelho entregou a Paulo Portas, além da vice-presidência do Governo, tudo o que mais  importa ao  presente e ao futuro do País: a coordenação económica, as negociações com a “troika”, a reforma do Estado. No entanto, para que não parecesse que tinha sido completamente vencido por K.O. , Passos Coelho exibiu um troféu conquistado neste torneio: a manutenção de Maria Luís Albuquerque como ministra das Finanças. Mas, pergunto eu, terá sido uma vitória, ou terá sido transformar o até à data omnipotente ministério das Finanças num mero escritório de contabilidade, a fazer as contas das decisões de Paulo Portas na sua tripla função e a encaixá-las no orçamento do Estado,  tornando assim a ministra numa obediente “manga de alpaca” de luxo, às ordens, embora indirectamente,  do vice-primeiro-ministro, não vá ele bater de novo com a porta se as coisas não correrem a seu jeito?

 

Ao ceder em toda a linha a Paulo Portas, Passos Coelho corre o risco de dar ao seu vice todos os trunfos e méritos se as coisas começarem a correr melhor no plano económico, social e financeiro. Portas passaria a ser o “herói” desta coligação, e Passos continuaria a ser o “vilão”. Ou será que, maquiavelicamente, sabendo que pouco ou nada poderá dar certo, dada a enormidade da crise, Passos Coelho deu de bandeja a Paulo Portas uma enorme  pira de lenha para ele irremediavelmente  se queimar,  tentando salvar-se  a si próprio, tanto quanto possível, no meio dessa hecatombe?

 

Já agora, no caso de o Presidente da República fazer fé na viabilidade e solidez deste acordo, permito-me dar um conselho ao vice-primeiro-ministro: obrigue a que o pagamento do subsídio de férias seja pago ainda este verão. Ainda há tempo para isso e seria um primeiro sinal de que, de facto, alguma coisa irá mudar, para melhor.

 

MÁRIO QUARTIN GRAÇA

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publicado às 09:37


6 comentários

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De Lionheart a 07.07.2013 às 12:55


"Ou será que, maquiavelicamente, sabendo que pouco ou nada poderá dar certo, dada a enormidade da crise, Passos Coelho deu de bandeja a Paulo Portas uma enorme  pira de lenha para ele irremediavelmente  se queimar,  tentando salvar-se  a si próprio, tanto quanto possível, no meio dessa hecatombe?"

Se as coisas correrem mal, Passos Coelho salva-se como? Fica entalado na mesma. O mais arriscado para Passos entretanto será a reacção do PSD, que não verá com bons olhos o protagonismo de Paulo Portas, em especial se este tiver razões para reclamar louros para si e para o seu partido. Mas o PSD só se pode culpar a si próprio, porque o excesso de calculismo de tantos "barões" deixou o Passos Coelho sozinho e mais dependente das figuras do CDS.

Só para se ter uma noção de como a encenação foi total esta semana, alguém viu o Mário Soares por aí? Logo na semana em que o governo podia cair, porque é que este não exigiu eleições antecipadas? Porque não quer que seja Seguro o candidato a PM pelo PS, e no Largo do Rato está tudo à espera que o António Costa mantenha a Câmara de Lisboa nas mãos do PS para depois, mais próximo do final da intervenção da "troika", forçarem uma mudança na liderança do partido.
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De Pedro Quartin Graça a 08.07.2013 às 11:32

Obrigado ao SAPO pelo destaque dado a este post.Image
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De Equipa SAPO a 08.07.2013 às 16:50

Boa tarde,

O seu post esteve em destaque na área de Opinião da homepage do SAPO.

Atenciosamente,

Catarina Osório
Gestão de Conteúdos e Redes Sociais - Portal SAPO
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De Pedro Quartin Graça a 08.07.2013 às 17:32

Muito obrigado! Image
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De Duarte Meira a 08.07.2013 às 18:47

Caro Pedro:

O destaque-Sapo dá o convidado Mário Q. G. como aprovado e mais vezes convidado deste ES. Assim espero.

Fez o Mário muito bem em lembrar o caso do subsídio de férias, levantado pela primeira vez por... Pires de Lima.

Veremos se a srª Gasparina salta em breve do seu "mero escritório de contabilidade", ou não.

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