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Coisas simples que muitos portistas ainda não perceberam

por Samuel de Paiva Pires, em 08.07.13

Daniel Oliveira, A amarga vitória do revogável Portas:

 

«Esta sua nova posição levanta dois problemas ao governo. Nenhuma coligação pode ser realmente dirigida pelo seu partido mais fraco. Um país não pode ser dirigido por alguém que nem 12% dos votos conseguiu. Trata-se de um subversão democrática que duvido que o PSD suporte por muito tempo. E, apesar de ter reforçado a sua posição interna na coligação e, por isso, no próprio CDS, Paulo Portas saiu muito fragilizado, junto da opinião pública, em todo este processo. A imagem de irresponsabilidade e oportunismo passou a estar colada à sua figura de forma, essa si, irrevogável.

Tudo isto seria resolvido se Portas conseguisse cedências extraordinárias da troika, uma reforma do Estado aceitável pelos parceiros sociais e uma política económica que contrariasse a espiral recessiva em que vivemos. Ou seja, se Paulo Portas conseguisse não um, não dois, mais três milagres em simultâneo. Eu, homem de pouca fé, duvido. Caso contrário, Portas será o novo Gaspar: o bode expiatório de todas as desgraças. Com a diferença de ter, ao contrário do "finado" ministro, de segurar o reduzido eleitorado do CDS.

(...)

Esta é a única vitória de Passos Coelho: Portas terá, finalmente, de dividir com ele os espinhosa coroa de todas as derrotas e desgraças. Sim, Passos afunda-se. Mas sabe que levará Portas com ele. O País ganha alguma coisa com isto? Nada. Tem um governo mais desacreditado no interior e mais fraco para o exterior.

Esta vitória de Portas é uma derrota de todos. É a imagem acabada da degradação de um governo, de um programa de "ajustamento" (em que já nem o FMI se revê mas que, como de costume, os seus funcionários continuarão a aplicar com notável zelo) e, temo, da própria democracia. Tudo porque o País não pode aguentar a instabilidade que provocariam eleições. Como se pudesse haver situação mais instável do que esta.»

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publicado às 12:22


1 comentário

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De Duarte Meira a 08.07.2013 às 18:59


Há mais coisas, caro Samuel:

Ao submeter-se à pressão dos tróikas,  Portas enterrou-se a ele e ao CDS num governo inviável... irrevogavelmente. (Suponho que não haverá imediatamente uma alteração radical da governança.)

Os que já não têm ilusão nenhuma sobre Portas têm, no CDS, pouco tempo para a reconstrução do partido no pós-eleições legislativas. Para o efeito é importante que, desde já, nos próximos 20-21 deste mês, marquem uma posição de frontal crítica e de nítida alternativa.

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