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Parem com isso!

por Cristina Ribeiro, em 05.08.13

Cumprindo um desejo de meu Pai - que mantivéssemos e, se possível, acrescentássemos a biblioteca que nos legou -, no sábado um irmão adquiriu mais um livro, a que bastava o título para o tornar apetecível. Versa, nem mais nem menos, o excelso labor do padre inglês da congregação religiosa fundada por S. Caetano de Thiene, Rafael Bluteau, que no século XVIII coligiu a lexicografia portuguesa no monumental « Vocabulario Portuguez e Latino ».

Com efeito, na obra de João Paulo Silvestre, ora editada pela Biblioteca Nacional de Portugal, lê-se a dado passo: " Compôs o mais extenso repositório da memória da língua até ser progressivamente substituído pela obra moderna de Morais Silva ".

   Tem tudo para ser um livro daqueles que prendem a atenção de todos quantos se interessem minimamente pela Língua Portuguesa. 

Mas eis que, logo nas primeiras páginas, deparo com um senão que tenho, e felizmente nisso sei que estou muitíssimo bem acompanhada, por intransponível: aderiu ao chamado acordo ortográfico, sendo frequentes os " mamarrachos " como « expetativa ».

                       

                               Meu Deus, até a Biblioteca Nacional!...


Apenas posso desejar que a sensatez resolva visitar aquele palácio para as bandas de S. Bento, que essa monstruosidade seja reduzida a cinzas, e, consequentemente, tal Biblioteca volte a editar este livro, agora em termos decentes...

publicado às 19:13


9 comentários

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De Bic Laranja a 08.08.2013 às 10:38

Ainda me hão-de explicar que espécie de progresso é havermos um singular «caráter» por causa da fala (brasileira)  e um plural «caracteres» por manutenção do traço etimológico. Será boçal falta de tacto, ou é curto-circuito civilizacional?
Se assim é onde está o progresso? Sim, onde?!...
Cumpts.
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De O Ingles a 08.08.2013 às 12:03

A simplificacao de uma lingua, para facilitar o seu uso, 'e na minha opiniao uma atitude progressista. Agora, como tudo, existem varios graus de sucesso. Na pratica, a forma como 'e materializada essa simplificacao tem que ser estudada pelos os peritos da lingua, e ao que parece as solucoes que estes peritos apresentam tem gerado imensa controversia.

Eu tambem nao concordo com esta postura excessivamente compromissoria que parece existir (ou resistir..) em todas as tentativas de mudanca em questoes nacionais. Esse exemplo que deu 'e bastante ilustrativo. Ha que haver um compromisso num modelo. Mas ao mesmo tempo, essa dificuldade de compromisso 'e tambem gerada pela dificil adaptacao do povo portugues a novos modelos, algo que obriga a um constante 'agradar a gregos e troianos'.

Agora, fora as validas criticas de natureza 'tecnica', o que parece existir 'e essencialmente uma reacao emotiva por parte das pessoas que estao contra este AO. A lingua e uma ferramenta de trabalho, de transmissao de cultura de entretenimento entre varias outras coisas. Pertence a esfera intima de uma pessoa e por isso 'e natural que suscite posicoes passionais especialmente por parte de intelectuais. Nesse sentido, o que eu aconselho e que haja uma tentativa de distanciamento do problema. Qual 'e o grande problema de se adaptar uma lingua aos varios povos que a falam? Estou a refererir-me essencialmente ao principio subjactence ao AO. As questoes tecnicas podem ser resolvidas, mas ha que existir primeiro uma vontade real de embarcar nisto. Pessoalmente acho interessante esta tentativa de adaptacao mas sem duvida que ha que limar arestas.
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De Bic Laranja a 08.08.2013 às 19:06

Vossemecê anda baralhado. Os idiomas regem-se pelo uso e pela Gramática. O progressismo, só por profissão de fé é o enfiará nestas contas.
No mais, a adaptação da ortografia do português aos povos que o falam fez-se concessiva e coerentemente em 45 por um critério fonológico (não confundir com fonético). E a simplificação foi a onde prudentemente se podia em 73 sem negar o critério nem ferir a corência ortográfica.
Depois, antes de pensar em simplificação pela via do Acordo de 90 aprenda que simplificar é manter o nexo, não passar a escrever com menos letras.  Creio que os exemplos que lhe dei bastam.
Já de paixões e reaCções emotivas que isto desencadeia reflicta antes de tudo na contumaz aversão tropical a qualquer ortografia lusitanizante, como disse o insuspeito Houaiss (Folha de S. Paulo, 11/3/86). -- Como se um idioma chamado português pudesse lá ser outra coisa que não lusitanizante?! Quem foge de entender isto foge da realidade e há-de andar à procura dalguma utopia (o tal progressismo como ideal teleológico, na O.N.U. talvez).  Não era um problema de Portugal nem doutros. O Brasil que o resolvesse.
Cumpts.

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