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Tal como Gonçalo Ribeiro Teles vem alertando desde há meio século, a "floresta portuguesa" tornou-se numa grande plantação com fins estritamente comerciais. O resultado é bem visível, sucedendo-se quilómetros de pinheiros, logo seguidos por outros tantos quilómetros e mais quilómetros de eucaliptos. A biodiversidade é coisa do passado e os problemas decorrentes da sua falta afecta a vida animal, a produção agrícola, a ocupação humana do território, a gestão dos recursos hídricos e os solos. Não parece haver solução à vista, pois os interesses mercantis sobrepõem-se a tudo o mais. Este é um assunto inseparável do reordenamento do território, da política agrícola e da urgente reforma autárquica.
Não me parece que as coisas sejam assim tão simples. E também não me parece que o mal esteja do lado do mercantilismo, entendendo isso como uma das muitas maneira de tirar o maior proveito económico de determinado bem. Penso, isso sim, é que deveriam ser repensadas e abolidas muitas das grandes dificuldades que são postas a quem quer ordenar a floresta; que deveriam ser bem conhecidos os proprietários das terras abandonadas e intimados a rentabilizá-las; que o sobreiro não deve ser considerado uma árvore sagrada, que não é; que o eucalipto não deve ser tido como a árvore maldita, só por que é a árvore, no nosso país, mais eficaz em transformar a água da chuva e a luz do sol que temos com relativa abundância), num produto de elevada qualidade e de grande procura – a madeira –, que não chega para as necessidades da nossa indústria e que, por isso, tem que ser importado em elevadas quantidades; que deveriam ser aumentados os impostos sobre os terrenos de floresta (neste momento apenas 80 cêntimos por hectare, em média); que o Estado deveria ser o primeiro a dar o exemplo e a rentabilizar os terrenos que possui, muitos dos quais desconhece: que os terrenos abandonados e que estão a causar perigo de incêndio aos vizinhos deveriam ser expropriados, com benefícios para as respectivas autarquias, ao fim de 10/15 anos; que o Estado deveria criar, como tem repetidamente prometido, um banco de terras, e vendê-las a quem estivesse interessado em rentabilizá-las; que, que e que.
Em conclusão, acho que este assunto é muito importante e que merece uma boa discussão.