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Cultura, sociedade e política

por Samuel de Paiva Pires, em 28.08.13

 

T. S. Eliot, Notas para uma Definição de Cultura:

 

«Se deste ensaio algumas conclusões emergirem, por certo que uma delas será a seguinte: cultura é coisa que nunca poderemos atingir deliberadamente, tratando-se, como se trata, do produto de uma variedade de actividades mais ou menos harmoniosas, cada uma delas realizada em virtude do seu próprio mérito, que obriga o artista a concentrar-se na sua tela, o poeta na sua máquina de escrever, o funcionário público na resolução equitativa de problemas específicos à medida em que lhe vão aparecendo sobre a mesa. Mesmo que essas condições que me preocupam pareçam ao leitor representar objectivos sociais desejáveis, ele não deverá concluir que esses objectivos podem ser atingidos apenas por uma organização deliberada. Seria artificial e intolerável qualquer divisão de classes da sociedade planeada por uma autoridade absoluta; uma descentralização sob uma direcção central seria uma contradição; uma unidade eclesiástica não pode ser imposta na esperança de provocar a unidade da fé e uma diversidade religiosa cultivada em seu próprio benefício seria uma coisa absurda. O ponto que podemos atingir é o reconhecimento de que essas condições de cultura são «naturais» aos seres humanos, que, embora pouco possamos fazer para as encorajar, podemos combater os preconceitos intelectuais e os erros emotivos que se erguem no seu caminho. No que ao resto diz respeito, o óbvio é encarar o melhoramento da sociedade da mesma forma como procuramos o nosso melhoramento individual, isto é, atendendo aos pormenores com relativa minúcia. Não podemos dizer: «Vou tornar-me numa pessoa diferente.» Poderemos dizer apenas: «Abandonarei este mau hábito e tentarei encontrar um melhor.» Deste modo, a respeito da sociedade, o máximo que podemos dizer é: «Tentaremos melhorá-la, neste ou naquele aspecto, onde o excesso ou o defeito for evidente. Deveremos tentar, ao mesmo tempo, abranger com a nossa visão tudo o que nos for possível para que evitemos, ao corrigir uma coisa, provocar o erro noutra.» Contudo, mesmo isso já é manifestar uma aspiração bem maior do que é possível alcançar. Com efeito, é devido mais ou menos ao que vamos fazendo casualmente, sem compreensão ou previsão das consequências, que a cultura de uma época diferente tanto da anterior»

publicado às 21:21


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