Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]




A ascensão das águias

por Nuno Castelo-Branco, em 24.09.13

 

É deveras surpreendente a total falta de discernimento no que respeita àquilo que é a Alemanha e qual o seu poder na Europa. Mesmo se apenas pudéssemos contar com o seu peso demográfico - o dobro da população espanhola e mais vinte e seis milhões de habitantes que a França -, este país seria o mais importante da UE. Se a isto juntarmos a sua centralidade, a economia e o enorme peso cultural que influencia profundamente toda a Europa central e do leste, estamos perante aquela sentença que um dia Franco ditou, considerando a Alemanha como essencial à ideia de Europa. Segundo o Generalíssimo, não podíamos esperar que uma coligação de estónios, lituanos, polacos e letões (?) pudesse servir de tampão às tentativas hegemónicas russas. Franco tinha razão e mesmo depois de morto continua a tê-la. 

 

Catarina II

Os laços germano-russos são antigos e determinaram a aproximação do grande país de leste à Europa. O próprio nome da antiga capital, S. Petersburgo, confirma a suposição de uma permanente influência cultural alemã que foi extensível à organização dos exércitos dos czares e ao estabelecimento de uma importante comunidade de empreendedores germânicos na Rússia. Dividida numa miríade de pequenos Estados muitas das vezes em aberto antagonismo entre si - o alinhamento com Viena ou Berlim era determinante -, a Alemanha geográfica consistiu num alfobre de potenciais alianças que fortalecessem a expansão russa para ocidente e para sudoeste, permitindo também a captação de contingentes populacionais capazes de colonizar os vastos territórios colocados à disposição dos Romanov pela conquista. Camponeses, mercadores, artífices, militares e cortesãos alemães, integraram a vida desta nova Rússia europeia que chegaria à segunda metade do século XVIII com uma soberana autocrata oriunda de um minúsculo principado da Alemanha central. Sofia de Anhalt-Zerbst, convertida em Catarina II, A Grande, trouxe definitivamente a Rússia para o concerto dos Estados da Europa e não foi pelo mero acaso de um inverno rigoroso que o sonho napoleónico soçobraria ao fim de pouco mais de uma década. A imensidão das estepes, os recursos económicos e a massa populacional, ditavam a nova ordem vigente no velho continente e a poucos terá surpreendido a visão do czar Alexandre I desfilando na Paris conquistada. A Rússia foi determinante no Congresso de Viena, como determinante seria no alvorecer das novas nacionalidades nos Balcãs e no progressivo ocaso do poder otomano na Europa. A própria unificação alemã de 1866-71, também foi possível mediante a abstenção de S. Petersburgo, coerente na sua antipatia por aquilo que a França de Napoleão III representara, enfim, aquela reminiscência dos acontecimentos de 1789-1815 que ameaçaram a ordem interna do império do leste. O entendimento com a Alemanha era natural e para os alemães, no seu período de pleno fulgor industrial e financeiro, uma promessa de tranquilidade nas suas fronteiras orientais. O caso polaco unia russos, alemães e aqueles outros alemães fora do Reich e que devido ao conglomerado dinástico que era o império austro-húngaro, justificavam a sua plena independência face a Berlim. 

 

As relações entre a Alemanha unida e a Rússia passaram por diversas fases e podemos verificar facilmente o paradoxo de duas realidades onde o poder central ainda obedecia a critérios bastante diversos daquele que o liberalismo impusera à Europa ocidental, encontrarem-se subitamente em campos opostos no desencadear da I Guerra Mundial.

Guilherme II e Francisco José I

O Dreikaiserbund sofreu os primeiros abalos aquando da investida austríaca em direcção aos eslavos do sul, numa área que a Rússia considerava como a sua natural  esfera de influência. Pior ainda, a composição heteróclita do império dos Habsburgo supunha um progressivo aproximar de checos, eslovacos, rutenos, eslovenos e croatas da influência russa, nela vendo a melhor garantia para a sua almejada autonomia face a alemães e húngaros. De facto, a necessária aliança que Berlim teve de estabelecer com Viena, acabou por envenenar o tradicional eixo há muito estabelecido com S. Petersburgo, disso se aproveitando a sempre ansiosa diplomacia francesa. A entrada de vultuosos créditos franceses nos cofres russos, destinou-se antes de tudo, à garantia do erguer de uma frente a leste que fosse susceptível de contrariar ou mitigar o esmagador peso demográfico e industrial que a Alemanha poderia apresentar numa futura guerra franco-alemã, tornada inevitável após o episódio de Sedan e da proclamação do II Reich alemão em Versalhes. As condições para essa súbita prosperidade nos negócios da industrialização, eram muito claras. A Rússia deveria aplicar todos os seus esforços nas forças armadas - exército e marinha -, na indústria pesada e como se tornou demasiadamente evidente ao Estado-Maior alemão, numa rede de caminhos de ferro conducentes às fronteiras do Reich, acelerando as possibilidades oferecidas pela maciça capacidade de mobilização do exército russo, o rolo compressor do leste. Não foi qualquer diferendo respeitante às fronteiras comuns na antiga Polónia, o rastilho conducente ao conflito que oporia Guilherme II e Nicolau II. Os alemães estavam interessados nas regiões do sudeste, naquele Médio Oriente que já era uma promessa dos recursos energéticos que marcariam todo o século XX. Simultaneamente, a conquista de mercados ultramarinos tornou-se noutra das prementes necessidades da indústria alemã, passando a ser o Reino Unido visto como o natural e mais perigoso concorrente em África, na América do Sul e na Ásia. Se a crescente influência alemã em Constantinopla - uma das velhas reivindicações territoriais russas - era de molde a preocupar os ambiciosos ministros do czar, uma Alemanha que rivalizasse com a talassocracia britânica apenas poderia beneficiar o status quo a leste, desviando o expansionismo germânico para o ultramar. O problema consistiu essencialmente na aliança que unia alemães e austríacos, pois Berlim sabia que o desmembramento do império de Francisco José significaria uma enxurrada russa na Europa central, desde Lemberg a Praga e de Cracóvia à fronteira com a Grécia. Nem a Alemanha ou a Áustria-Hungria eram autocracias que se pudessem comparar com o regime de Nicolau II, mas os dois soberanos germânicos gozavam de prerrogativas muito diferentes daquelas atribuídas aos monarcas constitucionais do ocidente. Embora existissem parlamentos eleitos - o Reichstag de Berlim e o Reichsrat de Viena -, os imperadores decisivamente intervinham em matéria de polítca externa e de defesa, assim como influenciavam poderosamente os governos que eram pelo detentor da coroa nomeados. Assim sendo, o Kaiser ainda se julgou capaz de demover o seu primo Nicolau, afastando-o da aliança francesa que naquele momento era crucial para o processo de desenvolvimento e segurança da Rússia, suposição essa confirmada aquando do episódio de Björkö (1905) e da anexação austríaca da Bósnia-Herzegovina (1908).

Guilherme II e Nicolau II

Guilherme II optou pela proximidade e lealdade a Viena e já sem grandes ilusões erradamente arriscou na abstenção russa em 1914, também sabendo que o enorme crescimento industrial e militar verificado após a derrota frente aos japoneses em Tsushima (1905), pressagiava uma Rússia muito diferente daquela que conhecera no início do seu reinado. A verdade é que a I Guerra Mundial e a Revolução impediram a aproximação russa a um modelo monárquico-constitucional e o seu afastamento  dos destinos da grande Europa que inevitavelmente surgiria no prazo de algumas décadas. Como curiosidade de rodapé, poderemos então sugerir uma circunspecta apreciação das razões pelos quais o capitalismo financeiro nova-iorquino carinhosa e generosamente ajudou Trotsky e em simultâneo se verificou um grande interesse alemão pelo rápido transporte de Lenine até à caótica S. Petersburgo de Kerensky. 

 

A fase do período de entre as guerras, colocou a Alemanha e a Rússia na desagradável e contingente posição de potências párias, sendo por isso natural uma aproximação que ocasionaria vivos debates nos países da Europa ocidental, receosos daquilo que poderia resultar da colaboração russo-alemã. Os receios confirmar-se-iam anos mais tarde, pois na Rússia encontraram os industriais e militares alemães o terreno propício à instalação de indústrias interditas pelo Tratado de Versalhes, assim como campos de experiências de armas também vedadas pelos vencedores. Mesmo a violenta animosidade verbal agravada pelo advento de Hitler à Chancelaria, não impediu a prossecução de negócios e a troca de informações técnicas entre os dois aparentemente inimigos Estados totalitários. A política de appeasement gizada por Londres e Paris, decisivamente consistiu no factor primeiro para a aproximação de Estaline a Hitler, aliás bastante auspiciosa quanto aos desígnios de expansão territorial cultivados por Moscovo: após a assinatura do Pacto de Não Agressão Germano-Soviético, os Estados Bálticos, o leste da Polónia, a Finlândia - que garantiria a sua independência aquando da Guerra de Inverno de 1939-40 - e a Bessarábia, passaram directamente para a esfera de influência russa, sendo em boa parte estes territórios anexados na primeira oportunidade que Estaline teve. 

 

Estaline e Ribbentrop (23 de Agosto de 1939)

Criado um sistema continental  que remotamente fazia recordar aquele outro outrora imposto por Napoleão à Europa, os alemães julgaram ser possível eliminar todas as ameaças que a leste poderiam surgir durante o combate que travavam com o império britânico e a médio prazo, de uma inevitável guerra com os americanos. O ataque a uma Rússia que durante dois anos enviou uma inimaginável quantidade de bens e matérias primas para o Reich, ditaria o final de um nunca completamente abandonado Drang Nach Osten, ou seja, aquele eixo essencial que sempre  conduzira a política de segurança da Alemanha unificada. O resto da história é conhecida, permanecendo  a Alemanha central ocupada e logo depois conformado-se na RDA segundo os desígnios do Politburo do PCUS, enquanto a Alemanha oriental definitivamente desaparecia dos mapas mercê uma radical limpeza étnica que beneficiaria polacos, checos e russos. 

 

No início dos anos setenta, já era perceptível o esboroar do sistema económico soviético, nele imperando a falsificação de números, os galopantes défices produtivos, a vetustez dos equipamentos industriais e a total derrota face a um ocidente onde o consumo apresentava uma maravilhosa montra  à qual as economias centralizadas não podiam ripostar.  Na aparência o poder soviético surgia como imparável, tendo já obtido uma grande vitória face à catastrófica, totalmente desnecessária e irrealista política americana no Vietname, Laos e Camboja. Sucediam-se os regimes pró-soviéticos, num processo subitamente acelerado aquando da chamada "descolonização portuguesa" que trouxe a influência de Moscovo até às margens do Atlântico, para bem perto daquele perímetro de segurança ocidental que tinha Cabo Verde como posição estratégica de incalculável valor. A Etiópia, a Somália, a Tanzânia, a Zâmbia, o Zimbabué e o Congo ex-francês, acompanharam esta tendência de consolidação da presença russa, precisamente no momento em que o espoletar do episódio afegão marcaria um rápido colapso imperial, ao qual também não foi estranho o incontrolável poder da informação.

 

A reunificação alemã aconteceu também por decisão russa, permitindo Moscovo a confirmação daquilo que muitos suspeitavam, ou seja, de ser a RDA um mero e dispensável artifício da política de blocos da Guerra Fria. Umas tantas manifestações e a abstenção do governo de Gorbachov foram suficientes para o eliminar da absurda construção decorrente da partilha da Europa em Ialta e Potsdam. Era uma época de muitas promessas de paz e eterna prosperidade num continente subitamente liberto de constrangedoras peias estabelecidas pelo equilíbrio do terror. Se excluirmos o caso romeno - a Jugoslávia consistiu noutro tipo de problema - , o colapso do bloco leste foi pacífico, quase inaudível e a ninguém estranhou aquele derradeiro arriar da bandeira vermelha que durante setenta anos ondulou sobre o Kremlin. Se é bem sabido ter sido um período de extrema dificuldade que confrontou os russos consigo próprios e fez recuar as suas fronteiras ao estipulado pelo Tratado de Brest-Litovsk, também é verdade que as duas décadas seguintes ao desaparecimento do comunismo, marcariam um progressivo regresso da Rússia como potência determinante na Europa e no mundo. Os Estados Unidos não entenderam aquelas óbvias necessidades de segurança determinantes para a forma como os russos encaram a Ucrânia, a Bielorrússia, o Cáucaso e a Ásia Central, os seus "quintais das traseiras". Um caso paralelo poderá ser a Doutrina de Monroe que os EUA ainda hoje consideram válida e sem correspondência em qualquer outro país do mundo. 

 

Angela Merkel e Vladimir Putin

A liberalização do comércio mundial, o advento do extremismo islâmico e o enfraquecimento industrial e financeiro do ocidente, pressupôs uma realidade totalmente diversa daquela a que nos habituáramos durante o século passado e há que considerar seriamente o facto de a Rússia ser hoje uma parte integrante da grande Europa, sem que isso necessariamente signifique o corte ocidental com os EUA e a NATO. Pelo contrário, parece persistir uma certa indiferença - aliás bastante consciente, deliberada - por parte dos nossos aliados norte-americanos, perante as dificuldades que se apresentam aos russos. A China é hoje erradamente vista como uma aliada táctica de Moscovo, mas as aparências iludem, pois os interesses de ambas as potências são divergentes, quando não potencialmente conflituosos. Apenas o ocidental não-reconhecimento da necessidade russa de segurança nas suas fronteiras, impede uma mais apertada colaboração leste-oeste e a  garantia de mútuos benefícios económicos e securitários. A total inabilidade com que os ocidentais lidaram com os conflitos no Cáucaso faz perigar a evolução desse relacionamento que desejavelmente deveria ser visto em bloco. Disso ter-se-ão apercebido os alemães - é a realpolitik traduzida em ostpolitik -, no preciso momento em que voluntariamente se apresentam perante o mundo como um país escassamente armado e desejoso da manutenção de um certo status quo nas relações internacionais. Mais alto falam os argumentos dos negócios, dirimindo-se diferenças entre promessas de lucros e de desenvolvimento. Tal foi o caso do controverso gasoduto Nordstream, construído apesar das exigências desmesuradas do governo dos irmãos Kaczinsky. Este foi apenas um claro sinal enviado pela mais poderosa economia europeia, a todos aqueles que demasiadamente contestam a urgência da necessidade de satisfação da demanda energética. Ao gasoduto seguir-se-ão outros negócios e empreendimentos e a explicação para esta aparente cedência alemã em toda a linha, prende-se com um factor que muitos conhecem e que decidindo-se pelo acatar do princípio do politicamente correcto, não mencionam: a segurança da Europa. Escassamente armada, sempre dependente do guarda-chuva americano, a Europa está completamente à mercê de ameaças cada vez mais próximas e que a queda dos regimes laicos outrora vigentes na África do norte, apenas confirmam. Paralelamente, há que contabilizar os terríveis danos ocasionados na Europa Social pela catástrofe demográfica que não pode ser colmatada pela súbita recepção de populações provenientes da África e da Ásia. A verdade que a muitos é difícil reconhecer, consiste na impossibilidade de a Europa se manter como Europa - social, democrática, tolerante, pacífica -, se a estrutura populacional interna de cada Estado dela componente não obedecer esmagadoramente àquilo que tradicionalmente sempre foi. O completo falhanço das sucessivas políticas de integração - vejam-se os casos belga, francês, holandês e tantos outros - que os russos decerto não desconhecerão, apenas atestam a rejeição pelos recentemente chegados, de culturas que nos consagrados direitos do homem estabelecem a essencial base civilizacional. Por muito difícil que isto seja de reconhecer, para os novos residentes de primeira, segunda ou terceira geração, todo o espólio político e cultural amontoado em países como a França, Inglaterra, a Alemanha, Portugal, Itália, Holanda, países nórdicos e outros, consiste num aspecto desprezível e a rejeitar liminarmente, apenas importando o sempre acenado Estado Social que se cinge no único e exclusivo objectivo, por muito quimérica hoje nos possa parecer essa promessa. 

 

A Alemanha parece ter desistido da política de total abdicação de consciência perante os desígnios norte-americanos, enquanto a Rússia se  apresenta uma vez mais como um profícuo campo aberto a todas as hipóteses de prosperidade e quiçá, de poder. Já descrentes num alargado projecto europeu ao qual a cidade de Lisboa deu o nome, a muitos alemães resta o regresso à sua tradicional área de influência, desta vez não tendo que temer qualquer reacção russa perante uma Alemanha militarizada. Antes pelo contrário, tal colaboração apresenta-se como cada vez mais desejável.

 

Não parece credível o total desaparecimento daquele conjunto económico, político, territorial e militar que um dia ofereceu alguma segurança à Europa. Decerto por algumas décadas manter-se-á a NATO, se atempadamente os norte-americanos se aperceberem que estão em causa outros elementos que não os da simples conquista de mercados e de fontes de matérias primas. A gente do hemisfério norte, i.e europeus - russos incluídos - canadianos e alguns norte-americanos, estão conscientes daquilo que a chamada civilização ocidental supõe e da política necessária para a preservar. Quanto a Portugal, desde sempre um país europeu que ao longo da sua história sempre acompanhou todos os períodos de transformações que marcaram o continente, não se coloca a permanência ou não numa Europa da qual não nos podemos física e culturalmente separar. No entanto, o decidido regresso ao ultramar, encarado este no sentido mais amplo e não imperial do termo, é a melhor garantia do nosso contributo para a segurança e prosperidade do conjunto europeu. Pouco valerão as impertinentes observações de um quase desconhecido Martin Schultz. Sim, Portugal deve continuar a regressar rapidamente e com a força possível a Angola, Moçambique, Brasil, Cabo Verde, S. Tomé, Timor e todos as outras áreas do globo onde possamos servir. Só pode ser esta, a nossa pequena e insignificante resposta à política "germano-russa". 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:21


Comentar:

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.







Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D

Links

Estados protegidos

  •  
  • Estados amigos

  •  
  • Estados soberanos

  •  
  • Estados soberanos de outras línguas

  •  
  • Monarquia

  •  
  • Monarquia em outras línguas

  •  
  • Think tanks e organizações nacionais

  •  
  • Think tanks e organizações estrangeiros

  •  
  • Informação nacional

  •  
  • Informação internacional

  •  
  • Revistas


    subscrever feeds