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Repto*

por Regina da Cruz, em 05.10.13

Portugal está sob assistência financeira e tem regularmente uma equipa de consultores a visitarem-no com o objectivo de providenciar aconselhamento. O Fundo empresta dinheiro e como "bónus" temos acesso a uma equipa técnica que ensina a extrair o máximo valor de cada euro. Pelo caminho, há uns exames para ver se a malta está a perceber a matéria e a aplicá-la. O material de estudo, as sebentas, são uns relatórios e uns pareceres técnicos escritos de forma muito clara e objectiva onde se encontra "a papinha toda feita" - quem me dera, enquanto estudava, ter tido a vida tão facilitada como estes senhores governantes sem qualidade nenhuma que nos calharam na rifa democrática! Mas eles parecem simplesmente incapazes de aproveitar a benesse que os portugueses estão a pagar a peso de ouro. Faz lembrar aqueles meninos ricos que têm tudo, todas as explicações e todos os livros, todos os recursos e materiais e mesmo assim tiram notas fracas por que simplesmente não querem saber (ou são mesmo burros).

 

Hoje acordei com vontade de escrever no motor de busca do google as seguintes palavras: "Portugal healthcare budget expenditure", para ver o que aparecia. E apareceram algumas coisas interessantes logo nos lugares cimeiros e mais em baixo, na décima entrada, um pdf intitulado: "Portugal: Rethinking the State—Selected Expenditure Reform Options". Trata-se de um relatório do FMI, datado de Janeiro de 2013 e que enumera, de uma forma muito lógica, racional, bem articulada e claríssima como água, os diferentes sectores do estado que têm de ser reformados e que estão a puxar este país para baixo, atrasando-o desnecessariamente.

 

Eu, uma crítica acérrima do FMI (toda a instituição tresanda a bafio socialista!), não posso no entanto deixar de dar valor a um documento bem produzido, objectivo, organizado e num inglês escorreito. Aconselho vivamente a sua leitura.

 

Ainda só tinha chegado à página 13 e já estava rendida à escrita. Quem diria? De repente senti-me cativada pelo documento técnico como por um Dostoiévski! A explicação é simples: está lá tudo. Nessa mesma página lê-se no ponto 10, relativo à secção da Reforma de Despesa, o seguinte:

 

Public sector pay and employment policies need to emphasize competitiveness and providing value for money to the population.
A modern enabling state needs to be on par with the private sector in the way it operates—it cannot be seen as sheltering privileges for itself, either in the form of employment conditions or remuneration. Internationalexperience is not encouraging: on aggregate, public sector jobs pay too much.11 The reform of public sector pay and employment can boost economic growth by helping reduce private sector labor costs.12


Ou seja, o óbvio. Qual Constituição qual carapuça: é preciso fazer o que precisa ser feito, sem desculpas e JÁ!

 

Este governo está 3 anos atrasado para começar a reforma do estado.

Portanto, o meu repto, no sentido de dar uma ajudinha a esta cambada de PANHONHAS que nos estão a "governar" é que algum mecenas pegue neste belo relatório, o traduza para português pré(-acordo ortográfico), o imprima e distribua por Portugal de norte a sul e ilhas! Que não haja caixa do correio, limpa-párabrisas nem sala de espera isentos da presença deste texto oficial e produzido pelos fulanos que estão a financiar o país (em bom rigor, a financiar *o* sector público com os juros pagos por TODOS os portugueses).

Isto não é brincadeira nenhuma, chega de brincar às oposições e aos partidos. Chega!

Só assim, com a tomada de consciência por parte dos portugueses de quais os problemas e como resolvê-los, se conseguirá derrotar as forças que estão a impedir, a bloquear a prosperidade deste país.


*Se eu falasse português de "autárquicas" este post lançaria um "réptil" a algum mecenas.
Agora que esse episódio terminou e os autarcas simples estão tranquila e ignorantemente instalados nos seus poleiros, a vida segue como dantes.
É esse o problema.


publicado às 09:18







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