Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Fachadas, ruínas e lixo

por Nuno Castelo-Branco, em 29.12.13

 

Na Luciano Cordeiro, um importante conjunto de ruínas pertencentes a um bem conhecido sr. Belmiro.

 

É a imagem da cidade que querem promover no estrangeiro. Na semana em que ousam alvitrar uma nova e quase-mesquitada "Ópera do Tejo" a construir diante do Arsenal - Terreiro do Paço/Cais Sodré - o aspecto geral é indecente, sendo a degradação uma lepra que rapidamente se espalhou por todas as zonas da capital. Entrando por ocidente, leste ou norte, deparamos com o mesmo espectáculo de ruas esburacadas, ruínas e prédios a ameaçarem queda iminente. Novas construções, normalmente horrendas, vão substituindo aquilo que o século XIX e as primeiras décadas do vigésimo nos deixaram, nada escapando à sanha devorista dos interesses instalados com os quais as sucessivas vereações camarárias têm escandalosamente colaborado. Aqui e ali arranjaram como disfarce a fachadização, suma imbecilidade que permite a total destruição de interiores, atirando-se para o lixo as madeiras, estuques, vidros e metais, sempre em benefício da alteração da finalidade a que se destinava a construção. Numa cidade Potemkine que conta com muitas dúzias de grandes edifícios de escritórios completamente devolutos, a CML continua a outorgar alvarás de construção para o sector dos serviços, roubando habitantes aos bairros e promovendo a mais do que certa insegurança dos lisboetas. A praga alastra aos edifícios residenciais, permitindo-se  a expulsão das famílias em direcção à especulação nas periferias, para o claro e bem concertado benefício dos negócios. É um desastre a intencional suburbanização. 

 

 

Diante das ruínas pertencentes ao sr. Belmiro, o lixo de 48 horas

 

Temos agora a repugnante e vexatória visão do lixo que ao longo desta época festiva se vai acumulando a cada hora que passa e para cúmulo do descaramento, já houve quem tenha aconselhado os lisboetas a manterem os resíduos dentro de suas casas. Assim que as excelências sob a batuta do sr. Arménio se decidirem retomar as operações de limpeza, poderemos então voltar ao rotineiro depósito nos contentores.

 

Talvez o mais importante edifício de habitação do ocaso do s. XIX lisboeta, hoje intencionalmente devastado, crime permitido pela actual CML

 

Pois bem, não o façam, desobedeçam.

 

Coloquem o  vosso lixo em plena via pública, deixando os montões crescerem até à resolução do problema. O odioso integralmente recairá sobre quem de forma abusiva causou e permitiu esta situação e não atingirá quem paga taxas de saneamento e toda uma miríade de impostos, contribuições e outros artifícios que exaurem as finanças privadas. Ficará então bem patente o ponto a que esta cidade - e o país - chegou. Lisboa assemelha-se hoje a uma favela.

publicado às 09:00







Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D

Links

Estados protegidos

  •  
  • Estados amigos

  •  
  • Estados soberanos

  •  
  • Estados soberanos de outras línguas

  •  
  • Monarquia

  •  
  • Monarquia em outras línguas

  •  
  • Think tanks e organizações nacionais

  •  
  • Think tanks e organizações estrangeiros

  •  
  • Informação nacional

  •  
  • Informação internacional

  •  
  • Revistas