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A onda do revisionismo

por Pedro Fontela, em 30.07.08

Desde os anos 80 onde os conservadores ocidentais conseguiram as suas primeiras vitórias políticas significativas depois da geração de 60 tem havido uma onda revisionista no que toca a analisar a história dos diferentes movimentos revolucionários e progressistas que tem tentado dar um certo spin aos eventos mundiais – a revolução francesa passou a ser inteiramente negativa (ou de mérito marginal), a inglesa passou a ter um mero carácter económico, os regimes ditatoriais Ibéricos passaram a ser positivos, etc.

 

 
Isto reflecte essencialmente uma óbvia reacção contra as mudanças radicais pós-segunda guerra mundial. Acusando, por exemplo, o estado social de ser uma abominação esquecendo-se que foi para compensar o comum dos mortais pelo trauma e sofrimento de travar as guerras dinásticas das muy conservadoras linhas reais e imperiais europeias que se resolveu subornar as “underclasses” com a figura da protecção social na maior parte dos países europeus. A linha foi retomada pelos americanos aquando do fim da União Soviética sendo o fim da política anunciado e depois revogado pela mesma corrente política 10 anos depois quando o inevitável aconteceu e o mundo não passou a ser uma mega empresa simplesmente a ser gerida.
 
Neste momento parecemos estar na fase crítica de lavar os nomes mais problemáticos do século passado. Se era um tirano conservador venha daí um bom artigo numa qualquer publicação pseudo liberal defendendo as suas virtudes e o seu empenho no mundo livre – o contra argumento previsível a este ponto é que os comunistas deste mundo (os que não se converteram ao mercado como a maioria dos estimáveis representantes conservadores) glorificam tiranos como Estaline sendo que os ídolos conservadores fizeram muito menos estrago; a isto eu só tenho a dizer que se querem ficar nesse nível então óptimo vão “brincar” com os comunistas e deixem as pessoas sérias em paz.
 
Para quem quer ser um cidadão responsável urge fazer um estudo sério e individual da história do país e do mundo para não ser enrolado nestas euforias artificiais promovidas por grupos de interesses muito peculiares que lançaram estas campanhas de propaganda incansáveis. A não termos um certo cuidado qualquer dia vamos acordar ao som de um discurso de tv de um qualquer badameco autoritário com bandeirinhas de Salazar e Caetano  ao seu lado a expor as virtudes da religião e da pátria e a justiça da superioridade das elites económicas – um verdadeiro ancien regime restaurado com uns pozinhos de economicismo.

 

publicado às 11:38


1 comentário

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De Pedro Fontela a 30.07.2008 às 15:22

Jcunha,

Pois sabe que isso deve ser o passo seguinte, a canonização. Não devem encontrar muitos opositores no Vaticano enquanto reinar este papa. Quanto a tudo o resto que menciona, é a mais básica exploração de ignorância e medo humano a que os nossos conservadores nos têm habituado.


Nuno,

A tradição de maus gastos no Estado português precedo o Estado Social e começou em Mafra…
A acção Francesa divide-se em 3 fases. A primeira corresponde à revolução em si mesma que trouxe uma lufada de ar fresco ao mundo. A segunda começou quando a convenção entrou em colapso e se entrou no histerismo do conflito interno francês e na intervenção estrangeira. Por fim temos a terceira que é caracterizada pelas investidas do Império sob o domínio de Napoleão e corresponde a uma fase de real politik desprovida do idealismo da Republica Francesa. O terramoto que a primeira e segunda fases trouxeram em termos políticos é o que nos define actualmente como Ocidente e modernos e é absolutamente essencial!
Quanto a Salazar, de positivo nada teve. Desde que chegou ao governo orquestrou a sua própria ascensão á custa de outros (os golpes ministeriais, a constituição de 1933 que ele desenhou indirectamente, o dominação dos factores sociais com o estado corporativo, ect) e depois de se acomodar apenas fez ajustes mínimos ao regime para garantir a sua própria perpetuação no poder – a famosa abertura económica que mais não foi que distribuir benesses pelos seus protegidos no meio empresarial, e sim esses em toda a justiça mereceram ver a sua propriedade confiscada no 25 de Abril, riqueza acumulada por colusão com tal regime deveria ser crime.
Quando falas no jargão marxista admito que me perdes Nuno… não fazia ideia que o estava a utilizar. Aliás penso que estou a ser bastante apartidário na forma como tento abordar estas questões – agora como sempre nunca nego que as minhas tendências me empurram para o lado “radical” no sentido português do termo. E se não levares a mal prefiro não abordar a questão mais vasta do capitalismo moderno porque é um tópico que deveria ter post próprio pela complexidade da coisa, digo apenas que esse tal crescimento não pode ser feito à custa de outros sectores regionais, nomeadamente nós!


CMF,

Se não sabe eu informo-o Burke, de Maistre e outros pertenciam precisamente á contra-revolução europeia (quer o fizessem deliberadamente quer o fizessem apenas para bajular os príncipes que lhes pagavam as contas não é relevante) e portanto que teçam críticas não estranha já que foram eles e os seus patronos que foram postos na rua em 1789. Quanto à sua opinião sobre o Estado Social só digo isto: ou não sabe o que é viver sem protecção na miséria e isso é discurso de ignorância liberal que tanto pegou na moda em Portugal ou sabe muito bem e como outros conservadores vê na sua abolição uma forma de enfraquecimento da classe média, que é por excelência a classe política e por consequência a sua inevitável submissão a outros poderes.

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