Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Presuntivos implicados

por Nuno Castelo-Branco, em 15.02.14

Em Espanha, o genro do monarca desobedeceu a uma ordem do sogro e continuou os seus saltos mortais no circo dos negócios turvos. Seis milhões de Euro parecem coisa pouca num país onde existem numerosos ditos e mexericos a propósito de auto-estradas, fundos perdidos no TGV, aeródromos às moscas, escabroso financiamento partidário e uma infinidade de factos comprovados de péssima gestão nas taifas autonómicas. De qualquer forma, o genro Urdangarin é visível, vai a tribunal e terá arrastado a mulher, a infanta Cristina. A cegueira da paixão, o displicente assinar de papeís sem uma leitura prévia e a plena confiança, tornam bem plausível aquela velha suposição de ser sempre a mulher a última a saber, mas a verdade é que a filha do Rei também se sentou diante dos juízes. É bem provável que este último episódio já faça parte da luta partidária ou pior ainda, sirva para alimentar os apetites dos grandes interesses locais e internacionais que tudo têm feito para desestabilizar as instituições do país vizinho.

De qualquer forma, podemos dizer que mesmo ao nosso lado, a Justiça parece funcionar.

 

Vamos então perceber o que se passa naquele país que há uns quinze dias foi designado por Marcelo Rebelo de Sousa, como República das Bananas.

 

Um genro - e não um cabrito montês - alegadamente indiciado por participação no caso BPN, foi recompensado com um pavilhão de espectáculos à beira Tejo.  Está  completamente à vontade para a prossecução da sua carreira de desvelado interesse pela economia nacional.

 

Um sogro que exerce um altíssimo cargo público, mas que alegadamente não recebe o salário correspondente, ficando-se pela mais redondinha reforma. O mesmo sogro que alegadamente conseguiu a proeza de ao fim de um ano empochar hollywoodescos lucros com acções adquiridas fora de Bolsa. O mesmíssimo sogro alegadamente terá adquirido um casarão num Reino do sul - pois ali não foi a república proclamada em 1910 -, sem que alegadamente se vislumbre a respectiva papelada relativa às incontornáveis taxas do "neo-liberalismo" de recorte nitidamente socialista. 

 

Um ex-tudo cujo cartão de visita alegadamente se apresenta numa infinidade de casos surgidos na imprensa e que alegadamente teve a vida facilitada, vendo alegadamente destruídas todas as provas alegadamente existentes e às ordens das autoridades competentes, fossem aquelas a papelada existente nestes processos, ou os registos e gravações de conversas telefónicas,. Há que não esquecer os dossiers de investigação que alegadamente decorrem na PGR, a propósito de mais de três centenas de milhão alegadamente escondidos nas Caraíbas. Sucatas, mães que subitamente se tornam "milionárias" - o "volfrâmio vendido a Hitler" serve de recurso de guerra mediática -, centros comerciais com vista para a Lisboa oriental, barragens africanas que deram comissões a supremas autoridades à beira Índico, apressada nacionalização dos passivos do BPN - "os ladrões são todos do outro partido, mas devemos impedir males maiores" - , toneladas de ferro velho, parques de luxos escolares, contratos eléctricos a preços estratosféricos. Resultado? Tudo torpes invenções liquida-carácter, difamações que devem ser mitigadas com um lugar num órgão noticioso do Estado, ou por outras palavras, pago pelos contribuintes. Não se esqueça de ir hoje tomar um café e deixar os obrigatórios 11,5 cêntimos de IVA.

 

A lista de nomes alegadamente envolvidos em alegadas trocas e baldrocas, é uma never ending procession de celebridades para os mais exigentes gostos. Alegadamente estiveram em todas, desde as PPP até aos centros culturais derrapados num lodaçal de números estranhos, túneis, pontes, rotundas - no âmbito local, juntemos as demolições a eito, o misterioso desaparecimento de edifícios outrora constantes nos Inventários Municiais, a estranha presença de certos Fundos Imobiliários nas vereações do urbanismo, etc - , auto-estradas, hospitais, aeroportos  alentejanos. Abriram e logo fecharam negócios, cavaram crateras marcianas em bancos, empresas públicas e nos contratos assinados pelo Estado, ou seja, por eles mesmos quando exerciam funções em entidades teoricamente pertencentes aos contribuintes. Fartam-se de receber comissões, ajudas de custo para tudo e mais alguma coisa como viagens, comezainas, casa posta, carros a mais de 100.00€/unidade e com motorista de serviço, telemóveis à conta e claro está, lugares garantidos na gestão de empresas com as quais pouco antes tinham assinado em nome do Estado, os tais vultuosos contratos para obras. A isto juntemos fundações, gabinetes de consulturia e de advogados e toda uma série de recursos de ocasião.

 

 Alegadamente nunca terá existido qualquer tipo de conflito de interesses. 

 

Deste profundo oceano de espessas águas negras, emerge mais um bom exemplo de alegada limpidez de procedimentos. Aqui d'El Rei!

publicado às 10:30


Comentar:

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.







Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2009
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2008
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2007
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D

Links

Estados protegidos

  •  
  • Estados amigos

  •  
  • Estados soberanos

  •  
  • Estados soberanos de outras línguas

  •  
  • Monarquia

  •  
  • Monarquia em outras línguas

  •  
  • Think tanks e organizações nacionais

  •  
  • Think tanks e organizações estrangeiros

  •  
  • Informação nacional

  •  
  • Informação internacional

  •  
  • Revistas


    subscrever feeds