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Sobre o fim do serviço militar obrigatório (4)

por Samuel de Paiva Pires, em 10.09.08

Caro Carlos, também acho que é um tema fora do contexto actual, ainda assim parece-me bastante bem que se tratem de temas que não estão na ordem do dia do agenda setting, fugindo assim à vulgar espuma dos dias, e nesse aspecto há que dar os parabéns à equipa do Rádio Clube pelo novo programa.

 

Quanto ao seu post, mais uma vez, não apresenta quaiquer argumentos para a sua posição. Como costuma dizer um professor meu, qualquer posição é legítima e pode-se ser anti ou pró isto ou aquilo, desde que se saiba fundamentar essa posição com base em pressupostos válidos e, preferencialmente, especialmente tratando de assuntos que fazem parte de áreas do saber académico como é o caso, científicos, e/ou, acrescento eu, quando possíveis, factuais.

 

Em relação às necessidades do país e o cumprimento dos acordos internacionais, esse está mais que assegurado, Portugal é, foi e sempre será um global player devido aos laços culturais e históricos que nos levam aos quatro cantos do mundo. A nossa inserção na NATO, na OSCE, na União Europeia e na ONU tem-nos permitido modernizar as infraestruturas (por exemplo com verbas que seriam gastas para dar uma formação incipiente a jovens sem vocação para a carreira militar durante meia dúzia de meses) e assegurar a projecção de Portugal no mundo como promotor de paz, estabilidade e segurança internacional.

 

A sua persistente argumentação em torno da ditadura, da guarda pretoriana (veja o mapa da Freedom House quanto à classificação dos países em relação à liberdade e democracia, e veja este mapa com os países em que ainda existe SMO, a ver se consegue visualizar o que eu disse, a maioria dos países onde existe ainda SMO são autocracias e ditaduras ou democracias frágeis e pouco consolidadas, e na maioria daqueles onde o SMO é voluntário o regime é tradicionalmente demo-liberal consolidado)  e da guerra colonial está mais que ultrapassada, não encontra sequer reflexo actualmente.

 

E acho uma certa piada, novamente, que alguém que se diz combatente contra a ditadura fascista proclame altíssimos valores e deveres e obrigações de cidadania dos jovens para com o seu país, a roçar um discurso de nacionalismo exacerbado e desactualizado. Mas isso não é nada de surpreendente de quem parece vir de uma certa linha de esquerda, ainda por cima defensor da répública e laicidade e que santifica gentalha como o Buíça e o Costa

 

Estamos em campos diametralmente opostos, e parece-me padecer do mesmo mal da maioria dos portugueses cujos quadros mentais não se adequam aos tempos vigentes. Permitam-nos a nós, as novas gerações, edificar um Portugal melhor para todos, sem esses "preconceitos de esquerda e fantasmas de direita" como lhes chama o Professor Maltez. Já chateia sempre a mesma lengalenga em torno do 25 de Abril e da "ditadura fascista" e essa mania de que nós mais novos devemos tudo e mais alguma coisa aos que fizeram o 25 de Abril. É por isso que em 30 anos pouco avançámos, continuamos um povo inculto, com 9% de analfabetos, e um dos povos com menor consciência política na Europa. Basta que um partido comunista ainda tenha legitimidade neste país para termos a clara noção de que estamos desfasados da realidade. Se realmente soubessem o que é o comunismo esse seria tão ou mais abominado que o fascismo italiano ou o nacional-socialismo alemão. Há 30 anos que andamos num regime com uma clara ditadura intelectual e cultural de esquerda, felizmente que, como vai notando uma professora minha, as novas gerações estão cada vez mais à direita, a ver se acabamos com este sufoco intelectual que me corrói as entranhas de cada vez que oiço ou leio as maiores barbaridades em termos de teoria política. 

 

Por outro lado, ainda quanto ao seu post, quando fala na ignomínia de ter feito parte de um exército de ocupação, não sei ocupação do quê. Do nosso próprio território como definido pela cláusula da ocupação efectiva gerada pela conferência de Berlim? Já agora vou deixar que seja aqui o meu colega não tão jovem quanto eu a responder-lhe sobre isso. É que o Nuno Castelo-Branco vivia em Lourenço Marques à data do 25 de Abril e do exemplar processo de descolonização e a sua família estava há várias gerações em Moçambique. 

 

É que já agora, quando diz:

 

Apostila – Com o SMO dificilmente algum jovem escreveria um comentário como este:

De Nuno Castelo-Branco a 10 de Setembro de 2008 às 03:40

hehehehehe, vê o aspecto positivo. Estás a imaginar-me a jurar "aquela" bandeira? Nem morto!

 

Pergunto-me, mais uma vez, essa obrigação do SMO enquanto forma de inculcar uma alegada ideologia nos jovens não será um tanto nacionalismo exacerbado e ditatorial? Ainda bem que vivemos em democracia, safa (e claro que agradecemos a todos os que lutaram pela liberdade, como é óbvio, senão não estaríamos sequer aqui a ter esta discussão). Esquece-se que é tão legítimo ser republicano quanto monárquico. E se diz que a democracia é reversível, não se esqueça que também o é a forma de regime actual. A grande diferença é que nós monárquicos não vamos pegar em armas, tal como referiu Paulo Teixeira Pinto no Prós e Contras, e instituir um regime terrorista como forma de restauração da monarquia e da reposição da verdade histórica. Os fins não justificam os meios.

 

post scriptum - quanto ao tal fascismo que nunca existiu em Portugal, nos próximos dias escreverei sobre isso, agora tenho que ir estudar para a oral de amanhã

publicado às 18:34


1 comentário

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De Paulo Soska Oliveira a 10.09.2008 às 21:33

Para que fique claramente vincada a minha posição: não me revejo no modelo monárquico.

Não foi ainda desta que alguém me consegue convencer que é preferível ter um ente governante que deve a sua posição apenas ao facto de ser filho do anterior ente governante.

Com isto, também não sou a favor da fantochada demo-republicana.
Defendo uma mão firme, ao estilo de Pilsudski, com as devidas ressalvas, as quais indicarei futuramente aqui no ES.

No tocante ao SMO, julgo que na situação actual de Portugal é risível essa ideia. Profissionalize-se.
O patriotismo, o espírito de camaradagem e demais deverão nascer na família e nas escolas, locais que deveriam ser de excelência para inculcar nas criancinhas estas ideias.

Quanto ao debate em si, tive a oportunidade de ouvir via web (isto de uma pessoa acordar quando em Portugal são 5 da manhã é do caraças), e fiquei na mesma. Se me apresentarem argumentos suficientes, mudarei de opinião.

Até lá...

Já agora, Samuel, boa sorte nisso.

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