Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Contra-senso em que acho que vale a pena pensar

por Samuel de Paiva Pires, em 22.10.08

É lugar comum falar mal da educação pública em Portugal. Todos sabemos que o sistema educacional é facilitista, pouco exigente e de má qualidade no geral. Quem pode não hesita em colocar os filhos em colégios privados. Então como explicar que quando em igualdade de circunstâncias, isto é, na altura do acesso ao ensino superior, os que vêm do ensino público passam à frente dos que vêm do privado?

 

Esses aliás acabam na sua maioria por ingressar em universidades privadas, também elas regra geral de muito má qualidade em relação às públicas, salvo honrosas excepções. Pelo menos no Brasil, os que têm possibilidade de estudar nos melhores colégios saem de facto melhor preparados e conseguem entrar nas universidades públicas, também elas muito melhores que as privadas. Isso acaba até por causar uma distorção e injustiça social, na medida em que os que têm menos posses acabam por ter que ingressar em privadas, trabalhando incansavelmente para poder pagar os estudos.

 

Não sei se sou só eu que me apercebo deste contra-senso, mas acho que vale a pena pensarmos nisto.

publicado às 02:04


8 comentários

Sem imagem de perfil

De Margarida Pereira a 22.10.2008 às 17:37

..."passam à frente"?!
Como?... Falamos de médias, de notas; é a velha máxima do 'quem tem unhas, toca guitarra'...
Não vale a origem, mas a média final.
E vale de pouco, que é uma "sangria" desatada aqui para o reino ao lado...
Talvez se devesse perceber que 'não há omoletas sem ovos', ou seja, que sem verbas, ninguém produz uma boa escola.
Os privados pedem o que entendem - e recebem.
A pública passa o ano a choramingar que não consegue suportar os custos. Obviamente! Com propinas simbólicas, como pagar a professores, adquirir/manter equipamentos e material, criar condições ambientais para um nível excelente (ou bom, vá...) nas faculdades?
É que não há cá milagres...
Imagem de perfil

De Paulo Soska Oliveira a 23.10.2008 às 18:01

Se em vez de se construirem estádios de futebol e dar garantias a clubes de futebol (recordo-me aqui as dívidas dos grandes clubes, p.ex.) se investisse na educação...

Se se cortassem as milhentas vagas de todos os anos em Direito e se abrissem mais vagas em Tecnologias...

Se se estimulassem os alunos a PENSAR em vez de copiar...

Se, se, se...

Mas não é de certeza o factor aluno-pagador que interfere na educação!
Sem imagem de perfil

De Lady-Bird a 22.10.2008 às 20:49

Eu frequentei um Colégio privado dos 3 aos 18 anos, altura em que ingressei na Faculdade pública que actualmente frequento...No privado onde andei, muitos colegas já no secundário, dado o insucesso escolar, ingressavam em escolas públicas... e era só ver grandes notas...porquê? porque vinham com os conhecimentos do privado que eram de qualidade superior. Portanto, não é de espantar que na candidatura ao ensino superior, os do privado sejam mais bem sucedidos. Não porque vêm com médias "compradas", de maneira alguma, mas porque o ensino tem uma qualidade superior.

Um Beijinho
Sem imagem de perfil

De Isabel a 22.10.2008 às 22:34

A paulatina destruição do ensino público é um crime e os seus responsáveis deveriam ser exemplarmente punidos.
Sem imagem de perfil

De carlosbarbosaoli a 22.10.2008 às 22:40

Totalmente de acordo consigo, Samuel. Falando apenas das Universidades, a maioria das privadas não tem qualidade e o mercado de trabalho rflecte isso muito bem.
A vampiragem quer matar o ensino público, mas o que pretendem azer é CRIMINOSO!
Sem imagem de perfil

De Luísa a 23.10.2008 às 01:23

Samuel, a minha percepção é de que o ensino público é fraco no período da escolaridade obrigatória - ou seja, até ao 9.º ano – período em que o objectivo é que todo o mundo passe e a estratégia é, naturalmente, o «facilitismo». Depois torna-se mais exigente e selectivo, sendo, se calhar, comparável ao privado. Penso até que, por não ser tão «protector», talvez prepare melhor para a «dinâmica» autónoma e responsável do ensino superior. Neste, diria que depende das instituições. Tanto mais que os professores universitários podem, segundo julgo saber, dar aulas em várias escolas simultaneamente, sejam elas públicas, sejam privadas. A Católica tem (ou tinha) melhor fama do que as universidades públicas. Estas, por sua vez, melhor fama do que uma série de outras privadas…
Imagem de perfil

De Samuel de Paiva Pires a 23.10.2008 às 02:38

Margarida, "passam à frente", na medida em que a maioria dos alunos que entram nas universidades públicas são efectivamente provenientes do ensino secundário público e não privado, esses acabam na maioria por continuar no ensino privado, no caso ensino superior.

Lady Bird, permita-me discordar, mas parece-me haver aí uma grande distorção no que diz, na minha opinião claro, sendo que se trocar público por privado no que diz, tem a minha opinião. Sejamos realistas: os colégios privados fazem-se pagar a peso de ouro, ninguém chumba os meninos, porque senão é um ultraje. Estive há pouco tempo 2 dias no Valsassina, e aquela miudagem que não respeita ninguém e que pode partir o que quiser e ninguém lhes pode dizer nada, porque "os pais pagam" (como uma pessoa do colégio me disse...), causou-me uma certa impressão... Ora, se os pais pagam a peso de ouro, para além de não chumbarem, os filhos acabam por ter as notas naturalmente inflaccionadas (é uma condicionante psicológica que os professores enfrentam).

Os colégios privados podem de facto ter condições superiores às escolas públicas, é normal, agora qualidade de ensino deixa muito a desejar, basta que muitos dos professores que não encontram colocação no público acabem por dar aulas em colégios privados, isso já diz algo sobre a qualidade, creio eu.

Isabel e Carlos, de acordo claro.

Luísa completamente de acordo quanto a: "Penso até que, por não ser tão «protector», talvez prepare melhor para a «dinâmica» autónoma e responsável do ensino superior.". Sem dúvida, devo dizer que tenho amigos e conhecidos de diversos colégios privados, e entre os que são completamente alucinados e vivem numa realidade paralela, com deficientes capacidades ao nível do trato pessoal, passando por aqueles que mesmo entrando no ensino público andam lá 7 ou 8 anos para fazer uma licenciatura de 3 ou 4...

Quanto às instituições, a Católica é de facto um caso à parte, não só porque não é totalmente privada, mas mesmo que o fosse é uma escola de excelência de facto. Agora, assim de memória, tirando ainda a Lusíada, e talvez o Piaget, o resto é um autêntico túnel de vácuo. Em algumas privadas é difícil encontrar meia dúzia de neurónios que funcionem...

De qualquer das formas, continuo a achar que o sistema de ensino no seu todo está numa degenerescência acentuada!
Sem imagem de perfil

De Lady-Bird a 25.10.2008 às 17:37

Caro Amigo Samuel, o que acontece ou aconteceu até aos meus tempos foi o que lhe descrevi... e não há contradição, na medida em que também não saem os bons alunos todos, nem os maus todos...
lembro-me que os maus chegavam ao público e nesse ano eram só grandes notas (mas se calhar acabavam por se dispersar em ambientes tão diferentes), e alguns bons também iam que queriam ir para, por exemplo Medicina e viam no público a oportunidade de inflacionar as notas de trimestre...
Inclusive uma grande amiga minha, que após reprovar, ingressou numa escola pública e passou de 9´s para 14´s ... e não foi um caso isolado...o problema, é que normalmente quem não atinava no ensino privado, acabava sempre por não atinar no público, e muitos, penso que nem ingressaram no ensino universitário...
Nunca vi ninguém passar "por favor", e vi alguns amigos ficarem para trás no percurso...
Quanto aos Professores, noto que se vão reformando, e chegam uns mais novos, mas eu já não fui atingida por isso...
Tive Professores com mais de 30 anos de ensino, e só um ou outro fugia à regra...

Mas acredito que noutros Colégios seja diferente, mas no meu enquanto lá andei foi bom : exigente mas justo.
Um beijinho, este texto está um pouco confuso em termos de organização de ideias, mas eu hoje, não estou muito bem.

Comentar post







Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2009
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2008
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2007
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D

Links

Estados protegidos

  •  
  • Estados amigos

  •  
  • Estados soberanos

  •  
  • Estados soberanos de outras línguas

  •  
  • Monarquia

  •  
  • Monarquia em outras línguas

  •  
  • Think tanks e organizações nacionais

  •  
  • Think tanks e organizações estrangeiros

  •  
  • Informação nacional

  •  
  • Informação internacional

  •  
  • Revistas