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Irlanda até dizer Yes!

por Nuno Castelo-Branco, em 12.12.08

 A magna reunião de chefes da cada vez menos União Europeia, decidiu obrigar a Irlanda a repetir o referendo ao Tratado de Lisboa. Confirma-se assim, aquilo que há meses dissemos quando da rejeição popular da primeira tentativa de ratificação.  Os irlandeses serão forçados coercivamente a ir às urnas, até o resultado ser favorável aos desígnios de gente dificilmente identificável, uma vez que estas metas são traçadas não por Estados que partilham um projecto comum de progresso, mas por interesses muitas vezes divergentes da própria lógica da União.

 

Sem um único estadista de referência - daqueles que a Europa sempre teve em todas as épocas da sua já longa história  -, o abuso e a falta de respeito para com as populações banalizaram-se. Nem sequer mencionar o caso português, no continente não temos alguém que de longe ombreie com Carlos Magno, Richelieu, Luís XIV, Maria Teresa, Pitt, Metternich ou Bismarck. Até os controversos de Gaulle, Adenauer, Kohl e Mitterrand nos parecem hoje, poucos anos decorridos após o fim dos seus mandatos, como protagonistas de uma idade de ouro de uma Europa que parecia ter um futuro e um rumo. Toda esta prepotência e errância à procura de recursos financeiros cada vez mais escassos, conduz a uma desesperada tentativa de tudo esmagar pelo rolo compressor da uniformização prevista pelos gabinetes de Bruxelas. Perde a democracia e perde a credibilidade desta comunidade já mais que cinquentenária, cada vez mais parecida a um velho trust de outros tempos.

 

A falta de visão acerca da realidade perigosa em que hoje vivemos e o encolher de ombros perante a evidência do descontentamento, parece ter-se tornado norma na já complexa teia de contradições em que se atola a UE. Com o poder a ameaçar cair na rua em Atenas e existindo claros indícios do alastrar deste tipo de "movimentos" a outros países, corremos sérios riscos de um inverno anormalmente quente. Os episódios de desobediência civil vão subindo de intensidade e os governos não encontram uma resposta eficaz para os debelar. Sem poderem refugiar-se num aumento de produção de matérias primas - os europeus não as têm -, continuará a escassear o dinheiro necessário para mitigar a insatisfação. Até onde a raiva poderá chegar, isso ninguém pode prever.

publicado às 11:18


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