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Prendas de Natal, primeiro-ministro e marketing político

por Nuno Castelo-Branco, em 27.12.08


 Um bom político deve nortear todos os seus actos pela sensatez que na maior parte das vezes decorre do senso comum. 

 

Estando Portugal numa das mais difíceis situações da sua história - ressaca da perda do império, exaustão de recursos financeiros, dificuldades decorrentes da extinção da moeda nacional, catástrofe na educação e justiça, fim do ciclo semi-presidencial da Constituição de 1976 -, os comentadores políticos aproveitam as mais inesperadas oportunidades para justificar o próprio emprego. Não oferecem o produto da sua reflexão para o desbaste do matagal de cipós em que a nossa sociedade se transformou, nem sequer estão minimamente preocupados com as inegáveis consequências negativas deste permanente lançar de mais achas à fogueira que acabará por tudo e todos consumir. Agora, chegou a vez de gastar mais uns dias, no comentário da desastrada prenda oferecida ao primeiro-ministro, neste caso, um alegado cheque para artigos de moda na Fashion Clinic. 

 

Há quarenta anos, os portugueses viram desaparecer de cena um primeiro-ministro com aquilo que hoje, neste conglomerado de gentes que povoam o planeta, é vital: um homem com "bom aspecto", que os media vulgarmente designam como imagem. Quatro década volvidas, Sócrates tem-na, nisso quase todos concordam. Além da apresentação, possui até ao excedente, outra qualidade secretamente idolatrada pelos nossos compatriotas: a força, advenha esta da razão ou da simples teimosia.  Num país de choramingas hipocondríacos, de "discursos da tanga", do miserabilista "pobrezinhos e pequeninos", das sandecas de coirato e do copito de carrascão, alguém que fuja ao estereótipo tão bem retratado por Hergé no seu maravilhoso senhor vigarista Oliveira da Figueira, torna-se num corpo estranho. Estranho, mas intimamente apreciado pela maioria. 

 

Além do citado "bom aspecto" que não nos envergonha lá fora - ao contrário do miserável choninhismo pegajoso do sr. Zapatero, da rasquice gourmande de Sarkozy, do cabotinismo mafioso de Berlusconi, ou das aventesmas que pululam no leste ou países bálticos -, Sócrates parece ser um muito apresentável optimista. Tem "ar" e boa presença.  Portugal não necessita de mais tribunos apocalípticos que desencoragem ainda mais, a necessária reacção ao tremendo perigo que ameaça a segurança da nação como entidade independente. O grotesco discurso da tanga de Barroso, confirmou a predisposição de muitos para a resignação. Portugal tem pelo contrário, a imperiosa necessidade de seguir em frente e deixar cair uma pesada laje de granito sobre o pessimismo secular que nos corrói até aos ossos, exaurindo qualquer capacidade de reacção e aferrando-nos a um destino decadentista que nos mina até à morte.

 

Os assuntos públicos não parece correrem bem e todos conhecemos as razões para tal. No entanto, tornar-se-á impossível mobilizar o país, se não existir aquela dose de desvairado optimismo que por vezes conduz ao desastre final e irremediável, ou pelo contrário, à almejada solução para tantos e tão esmagadores problemas. Nada temos a perder.

 

Santana era um irreflectido optimista e foi por isso lapidado. Neste aspecto, Sócrates conta a seu favor, com a geral predisposição para a tolerância dispensada a quem se reclama de esquerda, neste Portugal onde ser-se de direita é um prático sinónimo de anormalidade ou pior ainda, de crime. Os acontecimentos de 1974-75 e a pesada coacção física e moral exercida sobre os aspirantes a agentes políticos, impuseram este absurdo modelo em que a direita - sempre alternativa de poder nas verdadeiras democracias - vê-se relegada a um mero resíduo com menos de 10% do eleitorado. Pelo contrário, a social-democracia de facto - o PS - e aquela outra que é um mero arremedo de embuste, surgem hegemónicas e alternando-se a si próprias, desacreditando mesmo o  conceito de rotativismo que é por si, a constatação da existência e enraizamento da democracia e do progresso. Assim é na Europa que queremos imitar.

 

Sempre considerei indispensável desejar o sucesso aos consecutivos governos que têm exercido o poder em Portugal, não imaginando outra fórmula que se coadune com a pessoal e inabalável fé patriótica. Apenas o período que se seguiu à revolução e até ao 25 de Novembro, contou com a minha total oposição ao consumar de um pretenso modelo de regime que alguns quiseram instaurar em Portugal. Desejei o seu estrepitoso fracasso, mesmo se para tal, fosse necessário recorrer à violência. Disso não tenham qualquer tipo de dúvida. Apesar dos meus então inofensivos 15 anos de vida, fui orgulhosamente um inimigo.

 

Hoje vivemos uma situação totalmente diferente e se a própria democracia se encontra estabelecida nas mentes e no quotidiano, esta existe apenas enquanto desígnio, carecendo urgentemente de uma reformulação institucional - no sentido mais lato do termo -, tal como disse em numerosos posts anteriores.

 

Agrada-me o optimismo do primeiro-ministro (1), mesmo quando não pareça muito coincidente com a realidade conhecida. Sem ousadia, uma boa dose de descaramento, querer na procura e ambição, não chegaremos a lado algum, amarfanhando-nos ainda mais  num fado que curiosamente, é até bastante audível extra-fronteiras, rebaixando Portugal à ínfima condição de pária entre os ricos.

 

A recente crise financeira e o apressado e impopular auxílio aos bancos dos milionários, consistiram  em dois pesados reveses para a imagem do governo. No primeiro caso, os sinais eram por demais evidentes há muito tempo, para que não se tivessem tomado medidas preventivas. O segundo caso - a bóia de salvação a quem mais pode e menos merece -, foi um perigoso passo em falso que afinal, parece confirmar a total submissão do poder político aos interesses instalados. Atitudes apressadas - mesmo se ditadas por imperiosas necessidades de que os cidadãos não têm informações para julgar correctamente -, ditam o fracasso mediático que descredibiliza a política.

 

Há que ter bom senso e o eng. Sócrates deve seriamente advertir o seu grupo de trabalho. Pouca ostentação nas mordomias, mais interesse no desempenho das funções e sobretudo, dar o exemplo à população. Se eu fosse o primeiro-ministro de Portugal, teria exultado com um presente de Natal que ao invés de um cinto D&G ou de uns escarpins DKNY propiciados por um cheque-compra de uma grande superfície comercial, me fizesse degustar as delícias de um bom presunto, de um queijo da Serra de primeira categoria, figos secos, uma garrafa de vinho de reserva, doces conventuais tradicionais e mais uns quantos produtos que tornam conhecido o nome de Portugal no mundo. Tudo isto num cesto de vime, onde decerto não faltaria uma toalha com um bordado excepcional de uma das regiões do país. Isto sim, é sensatez, sentido prático das coisas e sobretudo, verdadeiro combate pela tal ambicionada imagem, deixando os adversários knock-out.  Com a vantagem de se tornar moda entre nós  e ajudar quem mais precisa: os que de forma teimosa e corajosa, ainda se atrevem a produzir. Por Portugal.

 

 

 

 

(1)  Não sou filiado do PS nem sequer, habitual eleitor. Voto consoante o interesse nacional em certo momento e não ando à procura de coisa alguma. Para que conste.

publicado às 20:04


15 comentários

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De De Puta Madre a 27.12.2008 às 22:24

A sugestão é Excelente ...
mas acho que quiseram fazer piadola ( impossível resistir, né....) com o facto do Socras ser um giraço para o Resto do mundo ... Tb é verdade que ele não é muito encostado há lamechice y à história do coitadinho .. qq um com as revelações sobre engenharias y etc já estava morto. Ele deve saber que andou a empregar bem o tempo ( A trabalhar o aparelho! ... Y isso é um curso) ...
Dizer mal por dizer é a via mais fácil. Tu dizes o bem quando tem q ser dito para que fique a salvo das confusões ... gosto.
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De Nuno Castelo-Branco a 28.12.2008 às 01:56

Durante 700 anos este país foi governado por gente - em regra foi assim - que jamais colocou os pés numa universidade: com eles chegámos ao cabo da Boa Esperança, à Índia, ao Brasil, China e Japão. D. João II não era engenheiro nem doutor, assim como D. Manuel. A Restauração foi feita pela prudência e sentido de estado de um músico que era o duque de Bragança. Podia continuar a noite toda, mas o que quiseste referir, foi decerto a mesquinhice de pegar exactamente por aquilo que menos importância tem. Que república mais obcecada por títulos. Coisa assim jamais se viu!
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De Vera Matos a 28.12.2008 às 03:05

"De Nuno Castelo-Branco a 28 de Dezembro de 2008 às 01:56

Durante 700 anos este país foi governado por gente - em regra foi assim - que jamais colocou os pés numa universidade: com eles chegámos ao cabo da Boa Esperança, à Índia, ao Brasil, China e Japão. D. João II não era engenheiro nem doutor, assim como D. Manuel. A Restauração foi feita pela prudência e sentido de estado de um músico que era o duque de Bragança. Podia continuar a noite toda, mas o que quiseste referir, foi decerto a mesquinhice de pegar exactamente por aquilo que menos importância tem. Que república mais obcecada por títulos. Coisa assim jamais se viu!"



Cada vez aprecio mais a sua escrita!
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De De Puta Madre a 28.12.2008 às 04:23

Exactamente.
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De António de Almeida a 27.12.2008 às 22:41

-Sócrates tem-se colocado demasiado a jeito, mais esta a reclamar os louros pela descida nas taxas de juro (já antes a taxa Robin dos Bosques), não havia necessidade. Até há um ano atrás Sócrates escudava-se, por ele tivemos a levar pancada a DREN, ASAE, Maria de Lurdes Rodrigues, Correia de Campos, mas agora parece que restam ele e a ministra da educação. O drama para o país reside na péssima quialidade da oposição, por isso ainda hoje escrevi, seria bom para Portugal não uma cisão partidária, mas duas, uma na esquerda do PS, outrs na direita do PSD.
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De Vera Matos a 27.12.2008 às 22:51

"No entanto, tornar-se-á impossível mobilizar o país, se não existir aquela dose de desvairado optimismo que por vezes conduz ao desastre final e irremediável, ou pelo contrário, à almejada solução para tantos e tão esmagadores problemas. Nada temos a perder."



" (...) me fizesse degustar as delícias de um bom presunto, de um queijo da Serra de primeira categoria, figos secos, uma garrafa de vinho de reserva, doces conventuais tradicionais e mais uns quantos produtos que tornam conhecido o nome de Portugal no mundo. Tudo isto num cesto de vime, onde decerto não faltaria uma toalha com um bordado excepcional de uma das regiões do país. Isto sim, é sensatez, sentido prático das coisas e sobretudo, verdadeiro combate pela tal ambicionada imagem, deixando os adversários knock-out. Com a vantagem de se tornar moda entre nós e ajudar quem mais precisa: os que de forma teimosa e corajosa, ainda se atrevem a produzir. Por Portugal."



Delicio-me nos seus textos. Este último excerto está digno de ser colado em placards por todo o país!
Há que tentar ser positivo e ter esperança. Nunca se ergueram estátuas aos infelizes coninhas e lamentadores da má vidinha ... Mexamo-nos porra!*


(hoje estou revoltada :X)

Bem Haja Nuno!*
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De Nuno Castelo-Branco a 28.12.2008 às 01:57

Esteja SEMPRE revoltada, Vera. Só assim é que vamos lá.
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De Sandra a 28.12.2008 às 01:04


Assino em baixo, Nuno! Sei que me vou repetir,mas excelente análise como sempre!
Concordo inteiramente consigo quando diz que se devia ter aproveitado a ocasião para promover produtos portugueses! Vender a Marca Portugal! Nem calcula a falta que sinto dos nossos produtos porque são de qualidade! Muito mal representados estão nos supermercados dos Países Baixos! Já os produtos espanhóis, é sempre a vê-los....
Eu saí do País há um ano, mas amo Portugal!
Acredite que fico triste e chocada quando às vezes digo que sou portuguesa e me perguntam se a minha língua é o espanhol! Nada tenho contra nuestros hermanos,mas preocupa-me que pensem que a língua que se fala em Portugal seja o castelhano.
Também noto pouca divulgação da nossa cultura (nem calcula o espanto que as pessoas fazem quando falo das nossas tradições ou do nosso turismo
de habitação) e desconhecimento da nossa História...
De Portugal, há ainda a imagem do País atrasado e iletrado...ainda ontem, ao rever o filme Love Actualy com a Lúcia Moniz, se confirma o rótulo...que há 40 anos, uma mulher-a-dias não soubesse uma palavra de inglês ainda acredito,mas agora, saberá, pelo menos, dizer "Hello" e "Bye", ainda por cima, nova, e na época da generalização da televisão e do cinema...e que nem sequer saiba quem é o Eusébio, faça-me o favor...até parece que nem costumamos vê-lo nos jogos...Desgostou-me que esta imagem tivesse passado no filme...Já basta a que os nossos políticos dão...
Pois eu tenho muito orgulho em consumir português e se o Primeiro-Ministro quer uma sugestão, na Rua dos Fanqueiros, num primeiro andar, há uma loja que vende fatos Made in Portugal de excelente corte, com atendimento personalizado por alfaiates...Quer dizer, há um ano havia, agora já não sei,mas recomendo vivamente...mas como sou despistada, não me lembro nem do nome da loja nem do número da porta, deliciava-me mais com o glamour e a discrição do local...mas a montra do 1º andar é grande, dão com a loja facilmente...

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De Nuno Castelo-Branco a 28.12.2008 às 01:58

Sempre "engalinhei" com certa gente que gosta de fazer de conta que é estrangeira, ou melhor, portuguesa, mas "diferente". Se tivermos capacidade de chefia e dirigentes honestos, chegaremos muito longe.
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De De Puta Madre a 28.12.2008 às 04:21

"De Portugal, há ainda a imagem do País atrasado e iletrado...ainda ontem, ao rever o filme Love Actualy com a Lúcia Moniz, se confirma o rótulo..."
Mas Sandra, aí! O problema não é nosso, não é?! É tb dos outros que não percebem que o Factor "Caricatura" impede de conhecermos os outros como eles o são y funcionamos com o filtro do preconceito.
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De Nuno Castelo-Branco a 28.12.2008 às 01:53

Bom, parece que estamos todos afinados pelo mesmo diapasão. O que me interessa não é quem é o primeiro-ministro, mas sim, quem é mais capaz de nos tirar da modorra.
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De Lady-Bird a 28.12.2008 às 03:22

Nuno,
e qando o outro ministro (o Pino) foi a uma feira de Calçado e disse que calçava sapatos italianos?...lol

...quanto ao cesto, como é que o Sócrates assim mantinha a linha e o tamanho de calça que mantém desde os seus 20 anos? ah pois... mais o bocadinho e o Sócrates ficava como o Guterres nos seus tempos de glória...lol

Podiam ter dado ao Sócrates um magalhães... ou umas acções do BPP, ou ainda um bilhete só de ida e sem volta à Lapónia para ele ir visitar o Pai Natal e oferecer-se para trabalhar como duende...assim ele podia praticar as tão boas acções que ele diz querer praticar enquanto P.M. ...

Beijinho
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De Nuno Castelo-Branco a 28.12.2008 às 03:55

.. e qual é a alternativa?
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De Lady-Bird a 28.12.2008 às 04:38

quem? ao Sócrates? até o Menino Guerreiro... ponham lá a Ferreira Leite em termos financeiros deve ser melhor...
poupe-me Nuno...Sócrates????? nem no meu pior pesadelo...lol
beijinho

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