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Como se tivéssemos uma transmissão de pensamento, o Miguel decidiu hoje fazer um post acerca da já indicada sucessão do Querido Líder Kim jong Il. De facto, o filho e sucessor do Grande Líder Kim il Sung, nomeou o seu rebento mais novo, como herdeiro do cadeirão presidencial norte-coreano. Este regime, além de expert nos arranjos florais (a invenção da rosa baptizada de Kimilsunia pertence-lhe), fotomontagens e paradas, é célebre pela contrafacção, especialmente no sector ideológico e filosófico. Assim, a Ideia Guia da Nação, é um ersatz bastante falcatruado do compêndio marxista - a Ideia Zuche - apresentada como luminosa originalidade saída do fervilhante cérebro do já convenientemente mumificado Kim-avô. E a máquina de propaganda não se fica por aqui, pois colocou os seus escribas à procura, bem longe, de exemplos edificantes que industriosamente amalgamados na contraditória dialéctica da luta de classes, passasse a apresentar o fenómeno milagreiro, como um indesmentível aspecto racional do materialismo. Já podemos esfregar as mãos de contentamento, pois o gabinete de informação de Pyong-Iang decerto nos facultará outra fábula acerca do auspicioso nascimento do putativo Chefe. É que ainda há umas décadas, publicava uns livrinhos para distribuir no Ocidente e nos quais se relatava a chegada a este mundo do menino Kim-jong, o ainda hoje presidente.
Segundo rezava a lenda, numa fria noite de inverno e em plena ocupação japonesa, nascia num estábulo de uma pequena granja de camponeses pobres, um lindo e rechonchudo bebé. Era o filho do Grande Condutor das massas Camponesas e Operárias da Coreia! Obedecendo á indicação de uma estrela providencial, soldados, camponeses, estudantes, intelectuais, artesãos e muitos, muitos resistentes patriotas, partiram de todos os pontos do país (e os malvados japoneses não davam pela coisa, claro...), em direcção a um remoto lugar onde acontecera a maravilha. Ao aproximarem-se do local, desabrochavam mil flores (a 16 de Fevereiro, quando o frio é glacial e a neve atinge metros de altura?!), os pássaros cantavam (com a voz rouca de tosse, presume-se) e os corações exultavam de orgulho nacional e feroz determinação em vencer o opressor da pátria. Ecoavam hinos pelos campos e montanhas, os analfabetos escreviam poemas redentores e o Grande Líder Kim il Sung, para todos tinha uma palavra de incentivo à luta e apelava ao abnegado amor pela pátria e pelo proletariado.
Era este, grosso modo, o texto distribuído, certamente destinado para o consumo interno de uma população para quem o advento do cristianismo é simplesmente ignorado.
Podemos agora e legitimamente imaginar, o que a propaganda inventará acerca do advento do Kim III. Terá chegado preso ao bico de uma raríssima cegonha de plumagem vermelha? Ou será um super-proletário que na Terra caiu após celeste fecundação in absentia, fruto de mais uma proeza de Kim jong Il e de uma camponesa do planeta Kimlson-Internationaliae V?
Esta dinastia Kim, apenas confirma aquilo que se tem passado em todos os regimes "republicanos de autoridade", abrangendo estes a Cuba dos Castro, a Roménia ceausesquiana, o par Tito-Jovanka, os Kaddafy, o pai e filho Duvalier e seus correspondentes congoleses Kabbila, Lukashenko e o filho pré-púbere e já designado, a mortífera cleptocracia Hussein protagonizada por Saddam, Uday e Kusay, o pai e filho Assad da Síria, etc.
Não há dúvida alguma de que os monárquicos portugueses estão a ser integralmente ultrapassados pela direita. Não tardará muito, até chegarmos ao dia em que o PCP e o burguês BE se convertam à ideia do realismo mais exacerbado. Ficamos felizes pela opção, mas temos de discordar veementemente com o modelo a adoptar, porque os comunistas são os derradeiros defensores da implantação de uma monarquia absoluta. Esta sim, de contornos divinos e totalitários, capaz de remeter Nabucodonosor para a categoria de "perigoso desviacionista pequeno-burguês".
Na foto, Lukashenko I com o futuro e já designado marechal Lukashenko II