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Muitos parabéns João!

por Samuel de Paiva Pires, em 27.01.09

 

É difícil estar à altura do que o João escreveu acerca da minha pessoa aquando do meu aniversário em Dezembro passado. Não sou poeta como o João, e o parco talento que tenho para a escrita resume-se ao tratamento de assuntos mais ou menos entediantes, consoante os interesses de cada qual. No entanto, vale sempre a pena o esforço, e não podia deixar passar em branco este dia em que se assinalam os seus 19 anos. 

 

Ainda me recordo da primeira vez que falámos, no bar da faculdade, sobre um assunto deveras interessante, como decerto ele se recorda... Daí em diante, temos vindo a cultivar uma amizade precisamente no sentido do que o João escreveu, sabendo “que as únicas pessoas que vale a pena ter ao nosso lado são aquelas que acrescentam alguma coisa à nossa existência, que de uma maneira ou de outra têm personalidade e carácter que permitam estabelecer uma relação de confiança e entreajuda sem qualquer interesse por trás.”

 

Sendo eu uma daquelas pessoas que considera muito poucos indivíduos como verdadeiros amigos, posso sem dúvida afirmar que o João é um desses amigos, o mais recente mas que, apesar destes poucos meses de convívio, parece que conheci desde sempre. Se, por um lado, creio ter, de alguma forma, contribuído para a sua integração nesta nova fase da sua vida, em que se mudou de corpo e alma para Lisboa para ingressar no ensino superior, uma das transformações mais radicais pelas quais um jovem português pode passar, por outro, tenho que agradecer a sua amizade e o muito que com ele tenho aprendido, nesta recíproca relação de confiança e entreajuda que a ambos tem servido. 

 

Se o João carinhosamente dizia que eu era um jovem fascista, pegando na brincadeira, fui inicialmente encontrá-lo no outro ponto do espectro, num extremo que tem mais de semelhante com o primeiro do que se possa pensar. É, portanto, de louvar que alguém a quem tinha sido incutida a cassete vermelha se tenha dessa desprendido e apercebido da distorção da realidade que essa promove, o que só demonstra a sua abertura de espírito e apetite pela apreensão do desconhecido e do conhecimento, pelo colocar dogmas em causa, e por tentar individualmente perceber-se a ele próprio e onde se encaixa, se é que se deve encaixar sequer seja no que for.

 

Não deixa de ser curioso, que o que nos aproxima seja talvez o facto de as nossas personalidades serem antíteses, sendo eu um realista por definição, ao passo que o João se assume como um idealista, com veia de poeta romântico, um jovem que vive as emoções de forma intensa, um jovem com uma capacidade intelectual acima da média, isto, apesar de eu não ser nenhum caçador de talentos, mas em quem desde logo reconheci algo de diferente em relação à maioria dos jovens da sua (nossa) idade, e foi por isso mesmo que não hesitei em convidá-lo para colaborar no Estado Sentido, onde tem dado provas de tudo (pouco) que digo em seu favor.

 

Perante mim o João nada tem a provar. Mas tenho a certeza que terá que enfrentar imensos desafios e provar perante muita gente aquilo de que é capaz, o que certamente conseguirá, com maior ou menor esforço, até porque a sua veia idealista não deixa de estar complementada com uma faceta de simultânea humildade e superioridade intelectual que, conjugada com o seu humor e simpatia, conformam uma personalidade a todos os níveis interessante e cativante.

 

Por tudo isto e muito mais que sei que és João, o meu sentido agradecimento pela tua amizade, e uns sinceros Parabéns neste dia em que celebras 19 primaveras! 

 

Um grande abraço

publicado às 00:01


32 comentários

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De mike a 27.01.2009 às 19:52

19 anos? Ó João ninguém tem 19 anos, caramba! Nem o meu filho mais velho. ;-)
Feliz aniversário e uma palavra para o Samuel: não é poeta? Safa...
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De João de Brecht a 29.01.2009 às 01:13

Sinto-me velho e criança ao mesmo tempo;

Obrigado Mike, um abraço!
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De Lady-Bird a 27.01.2009 às 22:07

JOÃOOOOOOOOO! Então rapaz, com que então faz anos... 19 ... é um puto...lol... com essa idade aconteceu-me tanta coisa, passei por bons e maus momentos, não me arrependo de nada do que fiz... espero que a si, João de Brecht, aconteça o mesmo, que os seus 19 anos sejam memoráveis, e que quando tiver 80 anos ainda os recorde com um sorriso nos lábios!

Samuel, és um ganda maluko, e pelo que tenho ouvido por aqui por estas bandas és um verdadeiro amigo, um companheiro, um bom colega, não é João?
Aproveitem bem essa amizade, divirtam-se e nunca se separem, porque a seguir à família, os amigos são o melhor que temos no mundo, que choram quando nós choramos, riem quando nós nos rimos e brindam quando nós brindamos... UM BRINDE À AMIZADE, UM BRINDE AO SAMUEL E EM ESPECIAL AO JOÃO!
lololol
MUITOS PARABÉNS, QUE CONTE MUITOS ANOS DE VIDA COM SAÚDE, JUNTO DE QUEM AMA, JOÃO!
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De João de Brecht a 29.01.2009 às 01:14

Muito obrigado Lady-Bird
Um beijinho!!
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De Anónimo a 27.01.2009 às 22:45

Caro Samuel:
Hoje é um dia muito especial para mim, como deves calcular. Meu Deus, como 19 anos passaram depressa. O poeta e pintor libanês Khalil Gibran escreveu um dia que “os vossos filhos são filhos do chamamento da própria Vida. Sois os arcos e os vossos filhos as setas vivas projectadas.” Crescer é um movimento de descobertas, alegrias, fantasias, mas é também um tempo em que os amigos desempenham um papel vital, já que só se pode explorar um novo espaço quando se tem à volta pontos de referência e bases de segurança. E é por isso que te quero agradecer, o facto de teres ajudado o João a descobrir parte do seu caminho. Muito antes de Sócrates, Heráclito já criticava a maior parte dos humanos por levarem «completamente acordados, uma vida de adormecidos» O certo é que as pontes que construímos na vida nunca estão acabadas. Há vigas que temos de ir substituindo porque se gastam e há outras que vão surgindo na nossa vida.
Diz um slogan muito apregoado que temos de viver com aquilo que temos. Eu diria antes que temos de viver com aquilo que somos, com uma vontade de descoberta sobre nós próprios, sobre o que sentimos e o que sonhamos em relação ao futuro. No fundo trata-se de, sem nunca desistir, procurarmos o mapa do tesouro nas pontes da nossa vida. Aprende-se a viver praticando a vida. Cumprir o nosso ofício é, em certos momentos, assumir o risco de se expor. Há quem simplesmente fique de mãos nos bolsos, hesitante em partir, relutante em ficar, suspeitando que não seria má ideia dar um nó na vida para não se esquecer dela. O vazio que «não fala» segundo a expressão de Estragon em Á espera de Godot, de Beckett, e que parece duplo, afectivo e intelectual em simultâneo. Muito pouco se investe em se ser o que se é, em dar opiniões próprias (em ser idêntico, no dizer de Torga).
Hoje faz anos o João. E é bom ver que apesar de, como pai, ter construído para ele um altar aconchegador no meu coração, ele soube encontrar amigos que o ajudam a construir a sua própria ponte, até porque os verdadeiros amigos nunca são para as ocasiões, são para sempre.
Obrigado por tudo Um abraço Samuel.
Cota João
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De Samuel de Paiva Pires a 27.01.2009 às 23:35

Caro João, não tenho sequer como agradecer as suas simpáticas palavras! Tudo o que pudesse sequer tentar escrever seria sempre manifestamente pouco! Começo a perceber porque é que o João é como é :) O João tem muita sorte em ter os pais que têm, mas também acredito que têm muita sorte em ter o filho que têm, que, sei, nunca vos desiludirá! Da minha parte, tudo o que possa sequer fazer é também pouco, e hoje quem está de parabéns pela pessoa maravilhosa que é, é o João, a quem eu apenas tenho tentado iluminar parte do caminho, porque apenas ele o pode traçar e percorrer!
Tal como disse à mãe do João, despeço-me esperando em breve ter o privilégio de vos conhecer!
Um grande abraço!

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