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A Monarquia aos olhos de um republicano decepcionado

por João de Brecht, em 30.01.09

 

 
Ao ler este artigo, fiquei com uma enormíssima vontade de dar um ponto de vista que rara ou dificilmente será dado por um (ainda) republicano. Em primeiro lugar, como referi aqui, o conceito de Monarquia ou monárquico é sempre (ou quase sempre) associado a um regime absolutista, às barbáries do PPM ou a qualquer outro fim das liberdades individuais. Não me chegam os dedos das mãos para contar as inúmeras ocasiões em que me brindaram com estas intervenções reveladoras de uma inteligência tão rebuscada que nos fazem questionar o propósito existencial de certas almas.
Pondo de parte a questão dinástica e de legitimidades, uma vez que esse assunto não deve ser discutido num artigo tão sintético, a verdade é que grande parte dos republicanos têm uma forte razão para o ser, uma razão estruturada e bem argumentada que manda abaixo todo o tipo de ideal monárquico, o argumento que é usado desde 1910, estou a falar claro no celebrado, porque sim!
Ignorando a História, (sei que é algo que não se deve fazer mas é apenas para explicação de conceitos) Monarquia e República são dois sistemas igualmente legítimos, que não devem ser associados a qualquer orientação política uma vez que há a possibilidade da existência de governos liberais e conservadores em qualquer um dos casos.
Pegando então na História, ignorando as histórias, é absolutamente necessário ter presente um conceito que falta a muito boa gente, a anacronia. Quando analisamos a História devemos ter bem presente que a mentalidade, os costumes, a organização e o quotidiano estão enquadradas numa época precisa, sendo um erro crasso (e muitas das vezes lamentável, analisar certos casos como se tivessem ocorrido nos dias de hoje).
Portugal teve ao todo 767 anos de regime monárquico e estamos no 99º ano de República, (claro que a contagem é geral mas dá para ter uma ideia), em 767 anos de Monarquia, Portugal teve um percurso com diversos aspectos negativos (similares aos de muitos países), mas tivemos durante séculos uma posição de relevo no mundo que ajudámos a descobrir, todos conheciam a nossa bandeira e ninguém ousava pensar que éramos uma província espanhola (excepto naquele desaire Filipino em que a invencível armada quase nos afundava com ela). A República leva uma clara vantagem no campo da opinião do popularucho, uma vez que neste momento vivemos numa Democracia (aos olhos de muita gente) e ninguém se lembra nas atrocidades cometidas na Iª República.
Sim, é verdade que nunca houve um regime livre durante a Monarquia em Portugal, mas também não foi a Iª República que a trouxe, muito menos o Estado Novo, nem o PREC. Portugal é hoje democrático (aos olhos de muita gente, repito) porque a História evoluiu nesse sentido, não foi por ser República ou Monarquia, foi o desenrolar de acontecimentos e o aparecimento de movimentos e pessoas que fez com que tudo culminasse no que temos hoje.
 
É a estupidez e a carência de massa encefálica da maior parte dos Republicanos que me desola cada vez que este assunto é discutido. Não digo que tenham de ser grandes conhecedores da história, mas por favor respeitem-na.
Experimentem pegar nos livros infantis de quando eram pequenos ou dos vossos filhos, netos ou sobrinhos, e substituam o Rei Simpático pelo Dr. Mário Soares, o Príncipe Encantado pelo Dr. João Soares, O Reino da Fantasia pela República Fantasiosa e venham dizer-me que a história que nos fazia brilhar os olhos quando éramos pequenos continua a ter piada!

publicado às 15:44


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