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Lula (Gororoba) da Silva

por Nuno Castelo-Branco, em 31.01.09

 

 

Na sexta-feira, tivemos o prazer de assistir a  uma das mais excepcionais representações telenovelistas de que há memória. Numa cimeira qualquer organizada  por um bando de jagunços entre os quais pontificavam o coronel Tapioca Chávez, o vendedor de tosquiados cabritos Moralles e a ex-secretária para todo o serviço Cristina "qualquer coisa que faz lembrar uma Kitchnette", o senhor Lula da Silva interpretou o papel de um ex-sindicalista de ocasião. Semi-nu, esbracejante e muito faveleireiro, discursou á malta. Já há muito tempo não assistíamos a tamanho berrório, num pavilhão cheio de mensalados e de subscritores de duvidosos boletins de voto. Contra o capital, pelos pobres e oprimidos, por uma nova ordem mundial, na qual ele e os seus improváveis amigos serão figuras de proa. Quanto aos outros, Chávez lá disse o que vitaliciamente quererá dizer, Moralles grunhiu umas bestices vitalícias mas Lula, esse, surpreendeu. Ainda há umas semanas o vimos todo engravatado e rodeado por tubarões da mais alta camaradagem sarkoziana e  plutocrática de Paris, assinando contratos bilionários para a compra de aviões de guerra e outras negociatas mais. Ontem, foi a vez do faz de conta, regressando aos tempos de molecagem em que brincava às revoluções. 

 

Comício finalizado, imaginamos o que a seguir fizeram os grandes líderes: uma bela jantarada de luxo num hotel de cinco estrelas (paga pelo bolso do contribuinte que ficou lá fora), onde a vinhaça importada correu a rodos, acompanhada por lagostins, camarões apimentados e uma valente feijoada com todos, para libertar os gases de fim de semana. Enquanto isso, na rua, os estridentes apoiantes iam devorando o que as marmitinhas de plástico carregavam desde casa: umas gororobas de lulas com farofa, feijão preto com feijão branco, uns nacos de pão e uns chopes mornos para refrescar as roucas goelas. Na sala VIP do hotel, a noite acabava com um frenético samba com garotonas de programa, uns cheirinhos de branca enquanto uns andares mais abaixo, à beira dos bueiros, enrolavam-se uns baseados. Como sempre, nada muda.

 

Na próxima segunda-feira, tudo voltará ao normal, com Chávez a vitaliciamente importar canhões e mísseis russos, Moralles a vitaliciamente adquirir camisolas de lã semi-virgem na feira popular, a Cristininha a vitaliciamente marcar mais um retoque de botox e uma liposinha no baixo ventre. O senhor Lula, esse, já vestido a preceito, vitaliciamente regressa à roda viva de contactos capitalistas, esfregando as mãos de contente por se sentir um grande entre os grandes. Petróleo, gás, muita comida para exportar e claro, bastantes milhões para vitaliciamente conquistar novos amigos. E entretanto, para amansar o povão, lá vai de surdina cantando "viva a revolução"... (vitaliciamente dele).

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publicado às 23:17


16 comentários

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De Diogo a 01.02.2009 às 17:08

Fantástico. Adorei. É exactamente isso (exceptuando, eventualmente, os cheiros de branca e o enrolar de baseados).
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De De Puta Madre a 01.02.2009 às 19:37

O Evo Morales n é farinha do mesmo saco ... né...
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De tiago santos a 01.02.2009 às 23:42

Se fossem reis já podiam vitaliciamente fazer isso tudo...certo?
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De Nuno Castelo-Branco a 02.02.2009 às 13:52

Não há qualquer hipótese. Não embarcam em populismos deste calibre. Simplesmente, não têm qualquer necessidade de roubar, nem de enriquecer, fazendo de conta estar muito preocupados com os descamisados. Chávez, Moralles, Castros, Eduardos dos Santos, etc. Belos exemplos! Veja lá como é que anda a "vossa" república por cá...
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De pedro lopes a 03.02.2009 às 00:14

eu vejo apenas países que foram escravizados e explorados pelas "suas" monarquias, e cujo povo decidiu responder a anos de opressão e de injustiças de quem os escravizou...
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De pedro lopes a 03.02.2009 às 00:15

o "suas"é de si, Nuno Castelo-Branco, não dos países...só para não haver confusões!!
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De Samuel de Paiva Pires a 03.02.2009 às 00:37

Caro Pedro, o seu comentário carece de maior detalhe. A que momentos históricos se refere? Sabe que foi durante as repúblicas que foram cometidas as maiores atrocidades nos países latino-americanos? Todas durante o século XX? E a década das democratizações na América Latina é a dos anos 80, em que se dão transições da maioria dos regimes ditatoriais e militares para democracias (movimento inserido no que Samuel Huntigton chama de 3.ª Onda de Democratização). Aliás, esses senhores como Morales ou Chávez é que estão a fazer regredir essa onda (na literatura é o conceito de "reverse wave"). Há alguma monarquia aí pelo meio? Elas ficaram lá atrás, no início do século XIX, depois das independências conseguidas por Bolívar, San Martín e outros Libertadores até às décadas de 1820/30, e o Brasil tornou-se uma república em 1889.
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De João Pedro a 03.02.2009 às 00:38

Então quais foram essas monarquias que tanto escravizaram esses países? O Brasil, de D. Pedro II, por sinal deposto pelos fazendeiros esclavagistas por ser tão abolicionista? O México, de Maximiliano II? Mas esse acabou fuzilado por Juarez. Então que estados foram esses, tão escravizados por reis?
Ah, já sei: deve estar a falar do Império Inca, de Atualpha. Mas então deve haver aqui algum problema esquizofrénico: não são essas as grandes referência de Evo Morales? Afinal, gostavam muito de regressar às "monarquias escravizadoras" desses países.
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De Samuel de Paiva Pires a 03.02.2009 às 00:41

eheh ironias caro João Pedro...

Um abraço!
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De João Pedro a 03.02.2009 às 02:04

Eu estava a responder ao comentador de cima, Samuel, só depois é que reparei na resposta que jálá estava.
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De tiago santos a 03.02.2009 às 00:11

A questão é: se fossem Reis já podiam comer caviar e essas coisas todas, portanto, não?O problema é que toda a critica que o vejo a fazer é nada mais do que faz qualquer Rei por essa Europa fora: uns casamentos muito bonitos, histórias de princesas muito bonitas, vivem em palácios muito bonitos (se forem presidentes já não têm direito a viver em palácios) e já têm legitimidade para ser ricos...não percebo a dualidade de critérios....
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De Nuno Castelo-Branco a 03.02.2009 às 12:14

Tiago Santos e Pedro Lopes:

Não vale a pena fazerem de conta que não percebem a ironia. Lula e´de longe melhor que os outros e por isso mesmo, bem podia deixar-se de um certo populismo que não condiz com a sua política bastante realista. Foi apenas uma pequena e inofensiva ironia.

Quanto ao regime deposto de D. Pedro II. Caiu por ter durante décadas proceder à Abolição da escravatura e quando conseguiu, os militares e fazendeiros instauraram a república. Como sabem, as eleites e os poderosos, tal como aconteceria em Portugal. Já ninguém tem hoje ilusões acerca de quem mandava no prp de gente como Chagas, Relvas ou Bernardino, para não falarmos no Grandella, etc. Os grandes interesses.

Felizmente, o único argumento que podem utilizar hoje contra a monarquia, é a"velha hereditariedade" e mesmo assim, não vinga. Vivemos em repúblicas cujos cargos onde verdadeiramente se conforma a vida cidadã, não são de forma alguma passíveis de eleição. O concubinato entre PGR, juízes dos Supremos, Banco de Portugal, inspectores de Finanças e o poder político é evidente. para não falarmos numa certa hereditariedade parlamentar, basta ver os nomes de família que por lá se arrastam desde o liberalismo. Incrível mas verdadeiro.
O outro argumento, o das jóias, palácios, coches e bailes, é o pior de todos, pois a república portuguesa é muitíssimo mais dispendiosa que a monarquia espanhola, belga, sueca, dinamarquesa, norueguesa, etc. E não se compara em dignidade na representação e sentido do respeito pela história. Quanto mais na visibilidade...
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De Nuno Castelo-Branco a 03.02.2009 às 12:15

Desculpem, dizia ... "por ter querido proceder à Abolição da escravatura"...
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De Nuno Castelo-Branco a 03.02.2009 às 12:16

... e as ELITES e não "eleites"...
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De João Pedro a 03.02.2009 às 00:43

Devo dizer que tenho alguma simpatia por Lula, e que não o acho exactamente como esses aí. Se for preciso, vai imediatamente aos Estados Unidos, para desgosto dos convivas da foto. É um pragmático, que conseguiu deminuir a miséria no Brasil e que aos poucos vai transformando o seu país numa potência de relevo.
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De Nuno Castelo-Branco a 16.03.2010 às 00:16

Pois, mas não convém esquecer o trabalho realizado pelo seu antecessor.

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