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Paulo Portas, a crise, a responsabilidade empresarial

por Nuno Castelo-Branco, em 12.02.09

 

 

O líder do CDS-PP, Paulo Portas, defendeu hoje que as empresas que recebem "injecções de capital" do Estado devem dar garantias de que não despedirão trabalhadores.

 

Uma notícia que parece inócua ou artifício eleitoralista em ano de múltiplos sufrágios agendados.  Habituados como estamos ao entorpecimento hipnótico ministrado de forma pouco doseada pelos agentes políticos ao longo das últimas décadas, até o anúncio de um princípio de basilar decência parece merecer apenas um bocejo aborrecido. Mas não, neste e noutros casos, Paulo Portas tem razão, até porque no sector das "ajudas económicas", digo, financeiras, ao empresariado português, existe a vastíssima terra de ninguém dos subsídios malbaratados ou que aproveitaram apenas para o ilícito enriquecimento de uns poucos. Quem não se lembra daquela fábrica de vidros na Marinha Grande, inaugurada com grande pompa pelo eng. Guterres nos finais da década de 90  e que beneficiava da prometedora e essencial inovação tecnológica? De nada valeram os investimentos comunitários, a alegada formação profissional e a benfazeja inovação tecnológica, porque quatro anos decorridos,a gerência fechava as portas, despedia os trabalhadores e mandava cortar a maçarico o aço das estruturas que haviam custado milhões. As máquinas, essas, seguiam viagem para novas paragens, talvez numa remota localidade no outro extremo da Eurásia.  

 

Em algumas zonas do país - especialmente no norte -, existe ainda uma forma de organização do trabalho que descende em linha recta da estrutura dos tempos artesanais, onde o labor caseiro e familiar, alimentava a produção de têxteis, couros, utensilagem metálica, etc. Tal como então, hoje famílias inteiras dependem de uma só empresa, geralmente uma unidade fabril. Neste período de alarmismo financeiro que liquida economias em termos planetários, verifica-se o já clássico fenómeno de aproveitamento da chamada crise, para os também estranhamente normais ajustes de contas, obtenção de mais valias nos subsídios concedidos pela benemerência da cada vez mais seca vaca leiteira comunitária. Porsches, Ferraris casarões no Algarve, contas em quase desconhecidos off-shores, eis o que salta à vista de todos. Existe entre nós, a pouco saudável irresponsabilização de quem abusivamente mal administrou bens dos quais depende a boa saúde económica do país, assim como a paz social a que todos temos o direito. Não se trata do incentivo à criação de entidades controladoras da livre iniciativa privada, mas pelo contrário, precisamos urgentemente de garantir a própria solubilidade da mesma, apresentando-a como motor do progresso e não como insuportável peso que faz crescer a dívida, a corrupção e a falta de confiança. É crucial que os empresários - hoje tão diferentes no conceito, daqueles outros que há cem anos ergueram bem alto a reputação de nações inteiras - se consciencializem do importante momento histórico que vivemos e que saibam aproveitá-lo, demonstrando ser imprescindíveis ao bem estar de todos e à própria razão de existência do país.

 

É evidente que a frágil estrutura industrial portuguesa deverá ser olhada com benevolente atenção pelo Estado e o caminho do alívio fiscal e reordenamento e coordenação dos Institutos públicos destinados à promoção das exportações, poderão ser uma preciosa ajuda.

 

A alternativa é sem dúvida sombria e com os meios tecnológicos hoje à disposição do Poder, o inapetecível paraíso totalitário poderá normalizar-nos, para sempre. Em História, cem anos são "para sempre", ultrapassando a breve estadia de qualquer homem neste mundo.

publicado às 16:19







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