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A desilusão continua

por Samuel de Paiva Pires, em 06.03.09

 

(imagem picada daqui)

 

Primeiro foram as cartas iguais endereçadas a chefes de estado, de governo e presidentes dos parlamentos nacionais. Agora Obama e a sua equipa demonstram uma total falta de cordialidade, para não dizer mesmo de cortesia diplomática básica, ao tratarem os seus clássicos aliados britânicos de forma deselegante. É óbvio para toda a gente que se preocupa com estas matérias que o eixo principal da política externa norte-americana estará a deslocar-se cada vez mais para o Pacífico. Mas a Europa, a Velha Europa, ainda continua a ser a base de apoio mais forte que os Estados Unidos podem ter, nem que seja pela partilha de culturas e valores comuns que facilitam o entendimento entre as diversas nações e a sua concertação em diversas instituições multilaterais.

 

Pelo André Azevedo Alves fui dar com um blog do Daily Telegraph da autoria de Iain Martin, que há dois dias escrevia:


But on this side of the Atlantic the whole business looked pretty demeaning. The morning papers and TV last night featured plenty of comment focused on the White House's very odd and, frankly, exceptionally rude treatment of a British PM. Squeezing in a meeting, denying him a full press conference with flags etc. The British press corps, left outside for an hour in the cold, can take it and their privations are of limited concern to the public.

But Obama's merely warmish words (one of our closest allies, said with little sincerity or passion) left a bitter taste with this Atlanticist. Especially after his team had made Number 10 beg for a mini press conference and then not even offered the PM lunch.

We get the point, sunshine: we're just one of many allies and you want fancy new friends. Well, the next time you need something doing, something which impinges on your national security, then try calling the French, or the Japanese, or best of all the Germans. The French will be able to offer you first rate support from their catering corps but beyond that you'll be on your own.

When it comes to men, munitions and commitment you'll soon find out why it pays to at least treat the Brits with some manners.

 

E já hoje, o mesmo Iain Martin dá conta de como a atitude de Obama se alterou ao ser convidado para se encontrar com a Rainha de Inglaterra:

 

But what's this? Something, suddenly, seems to have made the Obama White House perk up and start to take an interest in the Brits. The Queen has invited the President to tea when he's here for the G20 in April. And he's in through the front door of Buckingham Palace faster than a Harley Davidson roaring along Route 66.

Note how the coolness of Team Obama disappears when a bit of regal glamour is introduced into the equation. He might not like the Brits, but he can recognise a global superstar when he encounters one. He wants to be associated with her. He's shameless.

publicado às 23:16


10 comentários

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De john a 06.03.2009 às 23:41

Bem apanhado.

Também no Insurgente pode-se ler esta pérola: http://oinsurgente.org/2009/03/06/as-gaffes-de-hillary-clinton-na-visita-a-europa/ . Isto no tempo da anterior administração dava quarenta entradas de blogue sobre a burrice de Bush/Palin/etc., ou dos americanos em geral; vinte artigos de jornal sobre as "gaffes"; e pelo menos três programas seguidos do Daily Show com o momento a ser repetido à exaustão. Abençoado estado de graça.
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De Samuel de Paiva Pires a 06.03.2009 às 23:48

Fantástico, realmente! Vou colocar aqui também!
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De Anónimo a 07.03.2009 às 00:54

Samuel, não haverá aqui algum exagero e vontade de ver os "falhanços" de Obama? Afinal de contas, o que se vê no blogue do Telegraph é uma espécie de vontade de exclusivismo onde se denota a velha sobranceria britânica, como quando falam na França, por exemplo. É o preço a pagar por abdicarem de cinquenta anos de política externa própria, colando-se excessivamente aos EUA (além de que o AAA do Insurgente consegue encontrar as razões mais patuscas para se atirar aos adversários políticos, mesmo que o sentido esteja alterado).
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De João Pedro a 07.03.2009 às 00:55

O anónimo anterior era eu.
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De Samuel de Paiva Pires a 07.03.2009 às 01:04

Talvez haja um certo exagero João, mas tal como comentou aqui o John, se fosse com Bush (e eu sempre fui crítico de Bush) este tipo de falta de cordialidade diplomática ou as gaffes de Hillary Clinton seriam exploradas até à exaustão.

Claro que a atitude inglesa é fruto da tal sobranceria tradicional que o João aponta, e agora sentem-se certamente "magoados" ao terem a clara noção de que a sua influência junto dos EUA está em declínio. Mas ainda assim, não era caso para o desprezo que Obama e a sua equipa revelaram.
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De Nuno Castelo-Branco a 07.03.2009 às 02:02

Achei graça à parte da rainha: coisas do Lampedusa. Uma monarquia sempre é uma MONARQUIA. E o resto são encavacanços.
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De André Ferreira a 07.03.2009 às 10:02

Os EUA demonstram que não mudam e que, para mais, Obama não seria o presidente dos europeus, é, será e continua a ser o presidente dos EUA. A política externa que se performará não será europeísta, nem pouco mais ou menos. Entre Obama e Hilary, escolheria Hilary, mas entre os dois e McCain, certamente McCain.

A Europa ainda não aprendeu que a época das alianças fáceis já acabou e que deve trilhar o seu próprio caminho sendo mais una, falando a uma só voz e dando cada vez mais relevância a uma política externa comum. Inclusivé os britânicos se aperceberão que a sua voz diluida apenas se ouvirá incluida na Europa.

Nunca gostei de Obama! Provo que tenho razão no que digo. E garanto que não será só na política externa, mas também na económica. A crise eventualmente se resolverá por si só, pela acção dos empresários e outros agentes económicos, mas não pela acção de Obama.

Aquela observação quanto á necessidade de Obama de uma relação com a rainha apenas prova que a monarquia é tão-somente mais uma forma de real-politik, que distorce as actuações institucionais, para além do seu papel altamente anti-natural que nega a igualdade entre seres humanos.
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De Samuel de Paiva Pires a 07.03.2009 às 15:14

Concordo com o André nos três primeiros parágrafos. Quanto ao último, já escrevemos por aqui tanta coisa eu e o Nuno que é mais fácil pesquisar no motor de busca na coluna ali da direita. Deixo apenas dois posts meus:

http://estadosentido.blogs.sapo.pt/85456.html
http://estadosentido.blogs.sapo.pt/522054.html

Um abraço!
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De André Ferreira a 07.03.2009 às 17:29

Caro Samuel,

Não sou republicano porque sim, nem os meus argumentos são o chorrilho de falácias que usou a Carbonária (de esquerda, deve ser daí que vêm! Para além de pouco mais de ser um grupo terrorista!) para deslegitimar a Monarquia. Convém também adicionar que os argumentos monárquicos igualmente carecem de suporte lógico, pelo menos os usados actualmente.

A existência de um ou outro regime prende-se mais com o estado de uma sociedade que propriamente com razões obtusas ou paixões, sejam elas quais forem. Aliás, a diferença entre ambos não é nem as eleições (há monarquias electivas!), nem a herediatriedade (igualmente há regimes republicanos assentes em sistemas hereditários!). A partir deste ponto, suprimem-se metade dos argumentos de cada parte!

A diferença essencial entre eles está na base de apoio do regime, na sustentação e nas bases da auto-determinação dos povos. Alguma vez nos perguntámos porque é que países gregários tendem a ser repúblicas e países de tendência dispersante tendem a ser monarquias? Reino Unido, Espanha - divisionistas e monárquicos; EUA e Alemanha - republicanos. As dificuldades da China em manter-se unida advém disso realmente.

Os regimes republicanos tendem a suportar-se em bases mais alargadas dos extratos sociais (esquerda - 0; resto - 1), que existem sempre, independentemente do que quer que seja. Por isso são sociedades mais estáveis de forma natural (normalmente). Além disso, o liberalismo puro, em suas concepções-base torna difícil a conciliação com Monarquismo, não porque seja difícil ser monárquico, mas porque o Monarquismo supõem conservadorismo em si mesmo e uma estrutura mais rígida.

Aqui é difícil expôr o que creio, até porque estou em meio "hostil", vulgo, não neutral, e porque argumentar de forma escrita quebra a mensagem e comunicação. Um exemplo do que acredito é que a bandeira deveria voltar a ser azul e branca, para vosso pesar republicana, e não de um conjunto de cores que não identificam a Nação, mas sim um partido, e de esquerda (O partido republicano)! Atrás, quando falo da monarquia, não falo do regime, mas da M. Britância de forma específica que, como todos sabemos, continua a manter sistemas de privilégios descarados.

Sinceramente,

André Ferreira
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De Samuel de Paiva Pires a 07.03.2009 às 17:56

Como indivíduo pragmático que ainda julgo que sou, compreendo o que o André quer dizer e não me resta senão concordar em larga escala, até pelas evidências e porque também o André demonstra ser assertivamente pragmático! Ainda assim muito haveria por debater, mas de facto a forma escrita quebra bastante da dinâmica de um debate ao vivo. De qualquer das formas, compreendo mais facilmente os argumentos que o André utiliza porque pragmáticos e mais distanciados do que muitos daqueles republicanos que o são porque são e muitos dos quais nem sabem de onde vêm as cores da bandeira...

Um abraço!

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